12/12/2017

Meus álbuns favoritos de 2017

Como todo ano, não priorizei muito os lançamentos. Ouvi bastante do que foi lançado em outros anos (inclusive várias coisas legais do ano passado, que só fui conhecer esse ano), então essa lista não vai ter muita coisa.

Perdemos uma boa quantidade de artistas queridos. Dentre os que eu mais admirava, se foram Chuck Berry, Chris Cornell, Chester Bennington, Tom Petty e Fats Domino. Algumas bandas resolveram dar um tempo ou terminar de vez, e algumas retomaram as atividades. Não cheguei a conhecer nenhuma nova, mas espero que venha muita coisa boa pela frente.

Estes são alguns dos lançamentos de 2017 que mais gostei de ouvir, sem ordem:



The Spark
Enter Shikari
alternative rock, electronic rock

Embora alguns dos fãs mais antigos não estejam contentes com este álbum (porque está definitivamente longe do som que os tornou característicos, lá no começo), fiquei bastante satisfeita com ele porque, ao contrário de umas e outras bandas que resolveram se aventurar em outros estilos (*tosse*Linkin Park*tosse*), as letras continuam exatamente como eu esperava que fossem, vindas daquela cabeça maravilhosamente inteligente do Rou Reynolds - agora, com um corte de cabelo sensacional. Falta ódio, sim, porque o Rou é outro cara, agora. E, como fã e sincera admiradora, torço pra que ele siga por esse novo caminho pessoal. The Spark também tem a vantagem, pra mim, de ter sido o único lançamento de uma banda favorita que eu gostei. Esse é o meu vídeo favorito:








Safe in Sound
Lower Than Atlantis
hard rock

Conheci a banda este ano, por recomendação do Spotify com base no que eu gosto de ouvir, e não me decepcionei. Além de serem do estilo que eu realmente gosto de ouvir no dia a dia, a temática geral do álbum é bem pertinente pra mim (sabem, aquela bad usual sobre depressão, rejeição e problemas comuns da vida; é sempre bom ter companhia de quem entende). Safe In Sound foi bem recebido pela crítica britânica, apesar de algumas torcidas de nariz pelo som aparentemente mais pop do que seus trabalhos anteriores.








Wired
Mallory Knox
alternative rock

Outra recomendação do Spotify que também gostei bastante, tanto que logo ouvi tudo o que há deles por lá. O álbum foi bem recebido de todos os lados e aparentemente lida com composições bem pessoais de um dos membros da banda. Também não tenho muito o que falar sobre eles, então fiquem com este vídeo, que fala sobre depressão:










Red Pill Blues
Maroon 5
pop, R&B

Eu não tinha gostado muito quando o ouvi da primeira vez, mas acabei me acostumando quanto mais ouvia e agora mudei de opinião. Aprovando ou não a despedida da banda das origens no rock e essa transição definitiva para o pop dançante, o fato é que tudo aqui gruda pra caramba e isso funciona, né? Fiquei sabendo há uns dias que esse álbum gerou uma controvérsia danada a respeito de várias coisas (começando pelo título, que aparentemente remete a algo ofensivo, embora a banda tenha negado), mas deixei tudo isso passar porque preguiça de briga. Costumo não gostar completamente dos vídeos da banda por causa da hipersexualização usual, mas desse aqui eu gosto bastante:







You Are We
While She Sleeps
metalcore

Um estilo que voltei a ouvir, do ano passado pra cá, e esse álbum foi o que mais gostei dentre os lançamentos do gênero este ano. Ainda não conheço o suficiente dessas bandas todas para falar sobre elas, mas You Are We foi super aclamado por toda a crítica e o público. Não sei qual é a do título do álbum (tô bem preguiçosa com as resenhas esse ano, hein?), mas gostei da capa. A música com o Oli Sykes, vocalista do Bring Me The Horizon, é uma das mais legais.








Ladies and Gentlemen: Barenaked Ladies & The Persuasions
Barenaked Ladies & The Persuasions
alternative rock, acoustic rock

O Barenaked Ladies emplacou alguns sucessos nos anos 1990, sucessos estes que regravaram neste álbum com o grupo a capella The Persuasions. Foi o primeiro lançamento do ano do qual realmente gostei, quando o ouvi, já achando que esse ano não traria nada de que eu fosse gostar muito. O BL mesmo chegou a lançar um álbum de inéditas, meses depois, mas gostei muito mais deste aqui. É uma coisa deliciosa de se ouvir!








  • Álbuns de que gostei, de modo geral, mas não tive faixas favoritas:


Who Built the Moon?, Noel Gallagher's High Flying Birds (psychedelic rock). É com certa tristeza que deixo o tio Noel, uma das minhas pessoas favoritas do mundo, nessa segunda parte da lista. Queria ter amado o álbum novo, mas, embora tenha gostado, não amei. O psicodélico nunca foi um estilo de que gostei muito, e, embora o Noel já venha se afundando no estilo há anos, aqui ele mergulhou de vez. Não há dúvida de que é um bom álbum, mas não vou ouvi-lo tanto quanto gostaria.



Everyday is Christmas, Sia (pop). Amo, adoro, idolatro a Sia, vocês já sabem. Este álbum só está aqui fora dos favoritos porque é temático de Natal e, bom, por mais que goste, não vou ouvir tanto assim. Mas tá superlegal.



A Black Mile to the Surface, Manchester Orchestra (indie rock). Gosto muito do Manchester Orchestra, mas tudo o que eles fazem é um tanto melancólico demais. Não que eu não adore músicas melancólicas, mas não é sempre que estou no clima pra ouvir. Os vídeos são sempre maravilhosos.



Selective Hearing, Our Last Night (post-hardcore). Apesar de ser um EP, listei-o aqui porque a banda é uma descoberta recente da qual gosto bastante. Os conheci pelas ótimas versões que fazem de sucessos pop, mas as músicas próprias também são muito boas.






Como previsto na postagem do ano passado, ouvi do álbum solo do Liam Gallagher e não gostei (aquela previsível vibe indie que não tenho mais saco de ouvir). Outros artistas favoritos lançaram álbuns (Rancid, Hot Water Music, Anti-Flag, Stone Sour, etc...), mas não me chamaram muito a atenção. Vários outros favoritos lançaram coletâneas, então não há o que falar sobre esses álbuns. Conheci outros tantos artistas, mas ainda não tenho opinião formada sobre o que ouvi deles, apesar de ter gostado.

Não sei o que já tem anunciado pro ano que vem, mas já considero certo que vou acabar gostando muito de descobertas de anos passados que perdi. Vamos ver!

08/12/2017

Como Ser Feliz (Ou, no Mínimo, Menos Triste)



Comprei este livro ano passado, quando as coisas na cabecinha começaram a ficar feias o suficiente pra eu admitir que precisava de ajuda. Bom, eu provavelmente deveria experimentar ajuda profissional, mas, na impossibilidade, recorri a vários placebos. Eu já havia comentado sobre ele aqui em outra postagem, mas achei legal falar novamente, agora que finalmente o levei mais a sério.

O que me chamou atenção nele, logo de cara, foi a proposta de não pretender "curar" quem o lê com frases motivacionais e pensamento positivo. O autor, que não é psicólogo, mas só um cara que passou por um momento bastante ruim, é bastante honesto desde o começo sobre o que funciona pra ele e por que ele acha válido compartilhar o que aprendeu com outras pessoas que passam pelo mesmo.


Pontuado por trechos da literatura de psicologia e experiências do autor, o livro vem com vários exercícios para que o leitor analise os aspectos do dia a dia que o deixam deprimido e sugere o que fazer a respeito de cada situação. Grande parte das sugestões é baseada em mindfulness, o que não é dito aqui, mas que reconheci por ser uma técnica que venho usando diariamente para lidar com a ansiedade. Para os que não viram ou não lembram de me ver falar a respeito, mindfulness é a ação de estar consciente do que se faz naquele momento e completamente envolvido nisso. É um conceito simples, embora difícil de aplicar quando já estamos tão acostumados a ser multi-tarefas.

Você não tem um prazo para completar o livro. Como eu disse, o tenho há mais de um ano e ainda não o terminei (alguns exercícios exigem que eu passe um tempo com amigos/fora de casa, o que é bem difícil acontecer por razões que vão além de mim). Por isso, no decorrer das páginas existem exercícios repetidos, com intenção de comparar como você se sentia quando começou, enquanto o preenche, e quando o termina.

Um dos exercícios pede para que você pense em algo que te preocupa no momento e, em seguida, pense em dois cenários: qual é o pior que pode acontecer, e qual o melhor. Infelizmente, o que me preocupava quando o respondi aconteceu, e exatamente como eu descrevi no pior cenário. Não sei se choro pela desgraça ou se rio orgulhosamente do meu poder intuitivo.

Enfim, seguem algumas imagens do livro:



Este foi um dos exercícios que torci o nariz pra fazer, por mais bobo que pareça. Acabei escolhendo o One More Light, que o Linkin Park lançou este ano. Como já comentei algumas vezes, me decepcionei bastante com o que já foi a minha banda favorita de todos os tempos e deixei de ouvir seus lançamentos, mas achei que deveria dar uma chance pro álbum, até pelo que aconteceu com o Chester e pra checar se meu desgosto não era só um preconceito teimoso do tipo "não ouvi e não gostei". No fim das contas, fiquei feliz em ter feito isso, porque aí vi que meu desgosto era embasado: não gostei, mesmo. Por mais que eu esteja ouvindo outros artistas que seguem mais ou menos esse estilo que eles tenham adotado, não é algo que eu gostaria de ouvir vindo deles. Achei tudo preguiçoso, sem inspiração e sem graça. Nem as letras são boas como poderiam ser. Mas não estamos aqui para falar disso, então sigamos.




Este exercício consiste em escrever um e-mail para si mesmo, mas como se você estivesse no futuro (tipo aquele que postei por aqui, no meu aniversário). A letra não está muito legível porque teve algumas emoções envolvidas na escrita. Pensei em transcrever por aqui, mas talvez seja pessoal demais pra deixar escancarado. Se der pra ler, tudo bem; se não der, tudo bem.


Essa é a mensagem final do livro, que achei bastante pertinente. Conforme sempre esclarecido, a intenção do livro (ou de qualquer ajuda, nesse sentido), não é curar ninguém da depressão, mas dar as ferramentas para que quem o lê consiga lidar com os pensamentos negativos o melhor possível. No fim das contas, a ideia geral é que não devemos nos esforçar para ser felizes, mas não reprimir a tristeza quando ela vem. A tristeza é um sentimento tão válido quanto a felicidade, ou qualquer outro. O que não podemos fazer é nos apegarmos a qualquer um deles - todos vêm e vão, como deve ser.



Não dá pra mostrar tudo (até dá, mas...). Já indiquei o livro para alguns amigos, e quero deixar aqui a recomendação para quem quer que apareça e ache que precise dele. Vale a pena.

01/11/2017

Desafio de Leitura 2017: Quinto relatório

Não avancei quase nada do desafio (me distraio demais com outras leituras interessantes), mas faltam poucos itens. Será que consigo até o próximo e último relatório?

Ainda estou lendo o e-book com todos os romances de Machado de Assis. Agora faltam apenas três para terminá-lo, então acho que ele entra a tempo de acabar o ano e o desafio,

Vou manter o formato de relatórios bimestrais até o fim do ano. Ano que vem, vai ser diferente.



▼▼▼▼▼

Ficção:


A Profecia das Sombras
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 334p.

Segundo volume da série As Provações de Apolo, mais uma saga divertida do autor, em que o egocêntrico deus está sendo punido ao ser obrigado a passar um tempo indefinido como um adolescente mequetrefe na Terra enquanto tenta resolver um problema gigantesco com os seus oráculos. Embora tenha a ajuda de alguns semideuses, Apolo está abandonado pelos outros deuses, então está aprendendo duramente sobre companheirismo, lealdade e amizade vindos de gente "inferior" a ele. O narcisismo de Apolo é a característica mais carismática do personagem, e os personagens que o acompanham nessa história (alguns antigos, de outros livros, e alguns novos) dão o tom diversificado próprio das obras do autor. Como curiosidade, este volume é a respeito do Oráculo de Trofônio, sobre o qual já postei por aqui. E, também, já dá uma dica sobre uma provável próxima saga do autor, que aparentemente poderá envolver uma mitologia africana. Espero que sim!

✔ item do desafio: Um livro cujo protagonista seja LGBT






O Martelo de Thor
Rick Riordan - Intrínseca - 2016 - 400p.

Segundo volume de mais uma série de Rick Riordan, da qual estou gostando muito mais do que imaginava que gostaria. Com a temática da mitologia nórdica, essa saga acompanha Magnus Chase em suas missões pós-vida como guerreiro de Odin. Aqui, Magnus e seus amigos devem recuperar um certo objeto que um certo deus se recusa a admitir ter perdido. Como já disse em várias ocasiões, o que mais gosto nos livros do autor, além da temática mitológica e dos seus protagonistas terrivelmente sarcásticos (Magnus Chase sendo o maior de todos!), é toda a diversidade que ele explora tão bem com seus muitos personagens. Por ser uma narrativa que aproxima conceitos fantásticos de um cenário real, acredito que seja o ideal para introduzir conceitos de diversidade social aos jovens leitores. Os personagens dessa saga incluem heróis que são um morador de rua, uma muçulmana, um surdo, uma pessoa de gênero fluido, e todo tipo de discussão sobre diversas culturas e seus valores. Tudo isso torna a obra de Rick Riordan uma forte recomendação minha para leitores de qualquer idade, pois só tem coisas boas para nos dar.




Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 160p.





Este é um livro de acompanhamento da saga Magnus Chase e os Deuses de Asgard, assim como todas as outras têm os seus guias de personagens e mitologia. Este aqui tem forma de um guia disponibilizado aos recém-chegados a Valhala que, aqui, é um hotel. É escrito pelo gerente, Hunding, e contém fichas dos principais deuses e criaturas, além de algumas entrevistas e... uma batalha de rap. Divertido, como sempre.










O Vento Pela Fechadura
Stephen King - Suma de Letras - 2013 (2012) - 283p.

Depois da ressaca de Torre Negra ano passado, acabei deixando pra ler este depois e esqueci completamente dele até uns dias atrás, haha. Esta é uma história de A Torre Negra, embora não faça parte da história principal, sendo ambientado entre o quarto e quinto livros. Enquanto esperam que uma terrível borrasca passe, na viagem entre um destino e outro, os protagonistas procuram abrigo e Roland lhes conta "uma história dentro de uma história". O pistoleiro narra a Eddie, Susannah e Jake (e Oi) sobre uma de suas primeiras missões como pistoleiro, quando ainda era pouco mais do que um garoto, em uma fazenda que havia sido atacada por uma terrível criatura. A única testemunha sobrevivente era um menino que Roland precisava defender até que encontrassem o responsável pelo massacre. Para ganhar a confiança e aproximar-se do garoto, o pistoleiro lhe contou uma história que sua mãe lhe contava, quando ainda era viva e ele mesmo era pequeno. Essa história, por sua vez, era sobre um garoto que havia perdido o pai recentemente e que, ao conhecer um homem muito estranho, partiu numa missão perigosa a fim de salvar sua mãe do seu terrível novo padrasto. O livro todo é bastante envolvente e o li rapidinho, ao contrário dos demais da série, na época. King diz, em nota, que não é necessário ter lido A Torre Negra para acompanhar essa história (e que é até uma boa maneira de se ambientar no Mundo Médio e suas estranhezas), mas acho que a leitura talvez seja mais divertida pra quem já conhece as peculiaridades desse mundo.




O Livro das Coisas Perdidas
John Connolly - Bertrand Brasil - 2012 (2006) - 364p.


Gostaria de encorajar os visitantes deste relatório a conhecerem John Connolly, possivelmente um dos melhores escritores que temos por aí hoje. Eu já havia lido seu livro de contos, Noturnos, e ficado encantada por ter gostado muito de todos eles, o que é meio raro em livros de contos, e agora este, maravilhoso de muitas maneiras. Embora pareça ser mais um livro juvenil, O Livro das Coisas Perdidas vai muito além de sua aparência e tema. Ambientado em Londres, durante a Segunda Guerra, temos David, um menino que perdeu a mãe doente e que está tendo problemas em aceitar a vida nova com a madrasta e seu novo irmãozinho, em uma casa que não é a dele. O escape de David são os livros, que ele devora avidamente, mas logo David começa a desenvolver alguns distúrbios que afetam sua saúde, e o menino começa a ouvir os livros falando com ele de suas prateleiras. Seus colapsos pioram à medida que as vozes se tornam mais insistentes, até o dia em que David ouve sua falecida mãe chamando por ajuda. Decidido a segui-la, David acaba indo parar em um mundo estranho em que conhece amigos e perigos terríveis. Não posso entrar em muitos detalhes a partir daqui, por risco de dar spoilers e também por poder me empolgar e contar demais, mas, além de ser repleta de fantasia e aventura, a história também vem cheia de violência (certos momentos causam até estranheza e bastante desconforto, para um livro aparentemente "bonitinho") e bastante tristeza. Apesar disso, é uma história muito, muito bonita, com um final bastante emocionante, mesmo que previsível. A história toda dá margem a muita reflexão e, qualquer que seja a sua interpretação dos eventos, não deixará de ser tocante. Coloco-o como favorito por ter sido tão bem escrito e me emocionado como Sete Minutos Depois da Meia-Noite, no mesmo estilo. Recomendo enfaticamente!





Antologia Poética
Gregório de Matos - Nova Fronteira - 2012 - 88p.


Meu Kindle está com a missão de abrigar romances clássicos e antologias poéticas de vários autores consagrados para que eu seja menos ignorante a respeito de tantas coisas que eu deveria saber sobre literatura. Gregório de Matos é um dos poetas clássicos (do Brasil colônia, no século XVII) de quem nunca mais li nada fora da escola. Esta antologia reúne seus três estilos de poesia: a sacra, a lírica e a satírica, sendo esta a sua mais abundante e que lhe rendeu o apelido Boca do Inferno, já que falava acidamente (e, por vezes, eroticamente) sobre autoridades e figuras importantes das altas classes baianas. O homem incomodou tanta gente que acabou sendo eventualmente deportado para Angola. Não encontrei nada favorito por aqui, mas foi certamente uma leitura interessante.









Melhores Poemas
Ferreira Gullar - Global - 2006 - 296p.




Já Gullar foi um poeta contemporâneo, de posição política conhecida e muito preocupado com as questões sociais brasileiras. Um de seus poemas mais famosos é Não Há Vagas ("O preço do feijão não cabe no poema..."), que sempre víamos nos livros de português, mas o maranhense foi autor de inúmeros poemas bastante conhecidos. Dia desses, postei nas redes uma imagem de A Bomba Suja, poema inusitado sobre a diarreia, que, apesar de causar estranheza de temática, é de fato uma coisa triste. Meus favoritos são Cantiga Para Não Morrer, Traduzir-se e Detrás do Rosto. 








Toda Poesia
Paulo Leminski - Companhia das Letras - 2013 - 424p.

"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além"


É até vergonhoso que eu não tenha procurado antes ler mais da obra de Leminski, justamente por ele ter sido meu conterrâneo e colega de profissão. O curitibano falava seis línguas e era prolífico em várias artes, inclusive na música. Alguns de seus poemas se tornaram canções conhecidas, interpretadas por artistas como Caetano e Gilberto. Este livro é uma obra póstuma e reúne material que não havia sido publicado anteriormente em livro. Seu estilo poético (mais visual do que textual) não me atrai, particularmente, mas ainda assim achei coisas de que gostei bastante.








Antologia Poética
Olavo Bilac - L&PM - 1997 - 96p.



Bilac foi um poeta do período do parnasianismo e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras; também tradutor e autor infantil, e quem compôs a letra do Hino à Bandeira. Era conhecido por Príncipe dos Poetas e marcou a história do nosso país por um acontecimento bastante inusitado: foi o primeiro a sofrer um acidente de carro no Brasil, ao bater em uma árvore. Esta antologia poética traz cerca de 30 dos seus poemas mais conhecidos e importantes, e, como em todo livro do tipo, também há um ensaio de um estudioso da obra a fim de explicar ao leitor a importância e inspiração do autor em seu trabalho. Um de seus poemas mais conhecidos é Língua Portuguesa, mas o meu favorito é O Pássaro Cativo.






▼▼▼▼▼


Não ficção:


Preconceito Linguístico
Marcos Bagno - Parábola Editorial - 2015 - 352p.

Emprestado por uma amiga que é formada em Letras, este livro é mais indicado aos profissionais que trabalham com o ensino da língua portuguesa, mas serve de lição de moral para qualquer estudioso dos fenômenos linguísticos, ao mesmo tempo em que é um manifesto contra a discriminação que todos temos, em maior ou menor grau, a respeito de quem fala diferente de nós. O autor, que é linguista e publicou diversos livros sobre o tema, tem opiniões muito fortes sobre a nossa chamada norma culta, muitas vezes confundida com a norma padrão (que seria o que chamamos de "português correto"), e faz duras críticas a famosos gramáticos e suas obras que visam ensinar o "bom português". De postura política obviamente esquerdista, Bagno defende que todo falante de português fala "bom português" e dá vários exemplos e estudos comparativos para defender seu ponto de vista. É uma leitura que pretende derrubar muitos preconceitos e conhecimentos comuns sobre a linguagem, mas que, infelizmente (sob meu ponto de vista um tanto conservador a respeito de gramática), ataca sem piedade todos que respeitam o português culto, visto pelo autor como uma praga elitista. Concordo com seus argumentos sobre a mutação histórica da língua e que, realmente, o preconceito linguístico nada mais seja do que preconceito social e que isso deva ser sempre discutido em aulas de português. Também concordo que se perde tempo demais estudando gramática de nomenclaturas inúteis e aplaudo sua ideia de que deveríamos reformar os planos de aula da língua para a sua aquisição, interpretação e uso; porém, como profissional de revisão de texto, a norma padrão é o meu ganha-pão, e acredito que, apesar de admirar todas as variedades de português faladas no Brasil, devemos ter uma estrutura textual padrão que seja compreendida por todos os brasileiros (sublinhei o "textual" para que não pareça que sou contra as variações linguísticas faladas Brasil afora). Enfim, uma leitura provocativa.




A Vida Secreta das Árvores
Peter Wohlleben - Sextante - 2017 (2015) - 224p.

Este foi uma recomendação do professor Daniel Chamovitz, que ministrou o excelente curso de botânica que fiz há pouco tempo pelo Coursera. Se com o curso eu já havia desenvolvido todo um novo respeito pelas plantas, com esse livro maravilhoso eu agora praticamente venero árvores e as acho as coisas mais sensacionais desse mundão lindo. O autor deste bestseller é engenheiro florestal e trabalha há mais de 20 anos numa mata de reflorestamento na Alemanha. Como ele explicou, engenheiros florestais são como fazendeiros de árvores - ou seja, a preocupação deles com o bem-estar dos seres que criam não é por eles, mas porque precisam produzir produtos da melhor qualidade para melhor aproveitamento humano. Então, ele também conta como mudou de opinião a respeito desses seres admiráveis e, assim, divide com a gente tudo o que ele aprendeu sobre sua vida em comunidade. Tendemos a ver árvores como objetos, em vez de seres vivos, porque seu metabolismo é muito lento para os nossos sentidos animais. Nós vivemos algumas dezenas de anos, enquanto árvores vivem centenas (algumas, até milhares), então, apesar de geralmente não percebermos o seu desenvolvimento, essas criaturas travam batalhas poderosíssimas todos os minutos do dia para sobreviver. O autor também explica de que maneiras as árvores nas ruas e praças são diferentes das árvores de florestas (e como as de reflorestamento são diferentes das de mata nativa) - o que determina isso é a comunidade, que é surpreendentemente indispensável para a vida de uma árvore, e conta, numa linguagem para qualquer leigo entender, como tudo isso acontece e por que é importante saber. Foi uma das minhas leituras favoritas do ano e a recomendo enfaticamente.




Dear Future Historians
Rou Reynolds - Faber Music - 2017 - 192p.

Estava desesperada para conseguir este livro desde que foi lançado, no começo do ano, mas só havia cópias limitadas que seriam vendidas pelo site de merchandising do Enter Shikari ou pela Amazon gringa. Eventualmente, algumas cópias apareceram no eBay e na Book Depository, mas há anos não compro mais nada de fora porque nunca mais chegou nada aqui em casa. Nesse clima de frustração, desisti de consegui-lo até que a Amazon daqui resolveu importá-lo, e aí finalmente consegui encostar meus dedinhos nesse lindo. Rou Reynolds é o vocalista e compositor do Enter Shikari, banda que já postei por aqui algumas vezes e várias vezes no Facebook. É uma das minhas favoritas, atualmente, não apenas por seu estilo original mas também porque as letras são inteligentes, e eu amo ouvir coisas inteligentes. Sendo assim, quando soube que o Rou havia lançado um livro com todas as letras com a história por trás de cada uma, soube também que seria algo interessante de se ter. E agora, depois de ter lido o homem falando de coisas como política e ciência de forma tão razoável e como quem realmente entende sobre o que fala, minha admiração por ele e pela banda só aumentou. A encadernação é muito bonita - capa dura com o miolo todo colorido e cheio de fotografias da banda em turnês. Se algum fã de Enter Shikari tropeçar nessa postagem, saiba que o livro vale o investimento.


✔ andamento do desafio: 37/48

23/10/2017

O Livro das Ideias Brilhantes (E o Que Fazer para Tê-las)



Por The Brothers McLeod, Editora Valentina (2015).


Este é um livro criado para você criar. São dicas de como aproveitar cada aspecto do seu dia a dia como fonte de inspiração para uma criação artística. Os autores dão vários exercícios para que você desenvolva as ideias: personagens para desenhar a partir de formas, enredos para desenvolver a partir de frases prontas, brincadeiras para jogar com palavras e ideias, formas para descobrir e pintar, quadrinhos para completar, e muito mais. A ideia é desenvolver várias habilidades criativas e ver com qual você se sente mais à vontade.

Comprei este livro há pouco mais de um ano, na esperança de me inspirar a começar (e principalmente terminar!) histórias que ficam pela minha cabeça mas nunca vão pro papel. Tenho uma dificuldade enorme em lidar com personagens, inclusive para nomeá-los. Sendo assim, a única coisa do livro que ainda me deixou um pouco frustrada foram as partes de criação de personagens, porque quase todos envolviam desenhá-los, que é uma habilidade que não tenho. Porém, os exercícios de escrita criativa são maravilhosos e renderam várias ideias malucas. Algumas delas:

  • Um homem que finge ser um ator quando é, na verdade, um paleobiólogo à procura de uma espécie sobrevivente de dinossauro na ilha de Reunião;
  • Um Autocrata, um Democrata, um Aventureiro e um Certinho trancados em uma sala, procurando por um lápis que os ajudaria a sair de lá;
  • Alguém que jogou uma melancia de um penhasco por um excelente motivo (mesmo que tenha enfurecido seu irmão gêmeo);
  • Uma versão de Cinderela em que ela não liga pra bailes ou príncipes, mas adoraria que a Fada Madrinha desse um jeito na sua madrasta e irmãs...;
  • Uma menina cujo passatempo favorito era sair rolando pelo chão;
  • Uma versão de Os Três Porquinhos em que eles não sabiam serem porcos e um Lobo que sabia exatamente o que fazer a respeito;
  • Alguém que não sabia como se livrar de um vidrinho com veneno;
  • Por que as borrachas dos lápis são sempre ruins ou duram tão pouco (alerta de spoiler: culpa do G.R.A.F.I.T.E., é claro);
  • Um homem que rouba um jipe e um cachorro e partem juntos com destino a Felicidade (não pra onde Leandro e Leonardo foram de avião, mas uma cidade mesmo. Uma cidade de felinos.);
  • Uma pessoa que vive dentro de um buraco de armadilha, na floresta, com os animais que caem lá.

Este tipo de exercício, inclusive, já soltou a minha imaginação uma vez, com outro livro (Termine Este Livro, de Keri Smith). Postei o que criei integralmente aqui no blog.

Seguem algumas imagens:

Como o Deadpool, adoramos quebrar a quarta parede.

Minha versão dos Três Porquinhos rendeu! Não deixo ampliar porque é surpresa ;)

Algumas revistas só servem pra recortar...

Erro 404: Habilidade artística não encontrada.

A Rainha Má não é obrigada.


Recomendo o livro para quem quer desenvolver as habilidades criativas, pensando em algum projeto mas precisando de uma ajudinha, ou só pra quem quiser brincar, mesmo. É um passatempo divertido e pode sair muita coisa legal daí, dada certa dedicação. Demorei para completar o meu por causa dos meses que perdi com aquela morte cerebral imbecil, mas já estou de pé e pronta pra soltar minha esquisitice no mundo. Quem vem?

22/10/2017

10 músicas para conhecer hoje

Aqui estão algumas musiquinhas legais que meu player escolheu aleatoriamente e que apresento para quem quiser conhecer e talvez atualizar a playlist. (A quem eu quero enganar? hahah) Como estou fazendo isso por aqui com alguma frequência nos últimos 8 anos, fica difícil não repetir. Mas tenho cerca de 2800 artistas na biblioteca da last.fm, então algo novo sempre aparece.



1. Idiot Wind, Bob Dylan



"Idiot wind, blowing every time you move your teeth
You’re an idiot, babe
It’s a wonder that you still know how to breathe."


🎵 Por que ouvir: Dylan gravou esta em 1975 e não explica muito sobre quem é o tal idiota que só fala besteira e mereceu esse sermão de quase 8 minutos; mas seu filho, Jakob, alega que é sobre a então esposa de Bob e sua mãe, Sara. Alguns vão além e dizem que é uma canção sobre seu próprio ego inflado. Bom, sobre quem quer que seja, adoro os clássicos de Dylan em que ele destrói pessoas com o seu sarcasmo (Like a Rolling Stone; Don't Think Twice, It's All Right; Positively 4th Street, só pra dizer algumas), então Idiot Wind tem um monte de boas broncas. 


2. We Hate it When Our Friends Become Successful, Reel Big Fish



"We hate it when our friends become successful
And if they're No Doubt, that makes it even worse."

🎵 Por que ouvir: Não postava RBF por aqui há muito tempo! Este é um cover de Morrissey, que gravou a original em 1992. A letra é todo um rancor pelo sucesso de amigos que tiram o seu brilho (como na parte em que ele diz que "deveria ser eu, todo mundo diz isso"). A menção ao No Doubt foi uma liberdade poética do Reel Big Fish, que brinca com essa rivalidade há anos, e as letras rancorosas sempre foram uma marca da banda. Acho divertido.


3. Hair, Lady Gaga



"I just wanna be myself, and I want you to love me for who I am
I just wanna be myself, and I want you to know
I am my hair."


🎵 Por que ouvir: (Primeiro, porque essa versão no piano é simplesmente maravilhosa.) Gaga diz que cresceu com os pais impedindo-a de se vestir como queria, impondo um código estrito de vestimenta, e que a única maneira que ela tinha de se expressar então era mudando seu cabelo. Quando lançou essa música, em 2011, quis passar uma mensagem de liberdade, autoidentificação e empoderamento, especialmente no que diz respeito a expressar sua individualidade através dos cabelos, o que ainda é um tabu em muitas partes da sociedade. E eu concordo.


4. Radiate, Enter Shikari



"So to keep us from falling apart
We'll write songs in the dark
And to stop us from fading away
We'll write for a better day."

🎵 Por que ouvir: Tenho falado muito do Shikari pra todo lado porque realmente adoro a banda e acho que tudo o que Rou faz é inteligente e digno de admiração. O estilo maluco de post-hardcore com música eletrônica pode ser demais pra alguns, mas essa letra em especial fala sobre o empobrecimento cultural que a censura causa. O vídeo é muito simples e deixa a ideia bem clara.


5. In Sickness & Health, Acres



"Love of my life, where did you go when you left?
I said that I'd let you fall
And this still hurts me more than you’ll know
My love, you are losing the person that loves you most."

🎵 Por que ouvir: Por nenhum motivo especial, além de eu ter ficado meio obcecada por essa música. Ouvi por recomendação do Spotify, já que tenho ouvido muita coisa do estilo, recentemente, e algo nela me fez querer ouvi-la muitas vezes. Não pela letra, que aparentemente trata de uma separação, mas pela música, em si. Acho que é uma coisa meio bonita, meio triste, mesmo que pesada, como as coisas do estilo costumam ser.


6. Vital Signs, Frank Turner


"And when I’m gone
The worlds revolve and life goes on
So mark no grave
Forget my name
If the song remains
And everybody’s got a drink and a smile
Well, that’s just fine by me."

🎵 Por que ouvir: Há muitos anos, quando ouvi o Frank Turner pela primeira vez (imaginem, quando ainda baixava músicas pelo Google Imagens) (POIS É!), logo de cara pensei em por que não o tinha conhecido antes. O estilo dele é um folk punk (geralmente acústico, mas com as letras afiadas) tipo o do Billy Bragg, que é algo que gosto muito de ouvir. Este foi o primeiro vídeo dele que assisti e a essência tá ali. Adoro ouvir Meu Inglês de Pernas Compridas Favorito™.


7. People Like Me, We Just Don't Play, Emarosa



"And so it's back to the old me
Killing you slowly and I'm fine"


🎵 Por que ouvir: Também só fui conhecer essa por recomendação do Spotify. Não sei muito sobre a banda, mas ouvi dizer que trocou de vocalista várias vezes. Gosto dessa música especialmente pelo vídeo, porque adoro vocalistas performáticos, hahah (ele mal usa o microfone no teatro todo, é uma coisa fantástica). Eu talvez seja emo, agora.


8. Time, Devil Sold His Soul


"Don't give up on it now
Just stay strong
There's a life to be led
And time will wait for no man."

🎵 Por que ouvir: Essa foi o YouTube que me recomendou e achei tudo lindíssimo desde a primeira ouvida. Tanto a música quanto o vídeo me emocionam sempre que ouço. Fui ouvir mais da banda em seguida e percebi que eles mudaram bastante de estilo depois que o vocalista foi trocado, e eu gosto mais de como ficou depois. Mas parece que a banda não existe mais, o que achei uma pena.


9. 8 Good Reasons, Sinéad O'Connor


"You know I'm not from this place
I'm from a different time, different space
And it's real uncomfortable
To be stuck somewhere you just don't belong."

🎵 Por que ouvir: Meu Deus, essa música. Só de falar sobre ela já me emociona. Eu tenho um carinho e uma admiração muito fortes pela Sinéad e sinto que vai chegar o dia em que vamos perdê-la pra mais ou menos as mesmas condições que levaram a Amy Winehouse, e esse vai ser um dia muito triste pra mim e muita gente. Essa música está no último álbum que ela lançou, em 2014, depois de bastante tempo sumida, e, assim como a Take Me to Church, é bastante pessoal ao conversar sobre o que a atormenta. Aqui, ela fala abertamente sobre como tudo ficou tão ruim de suportar e como ela gostaria de ter uma maneira de ir embora sem machucar ninguém, mas também sobre como ela tem "oito boas razões para perseverar" (em uma entrevista, ela disse que as tais oito razões são os olhos de seus filhos). No vídeo, ela está usando a batina de padre (como pode, já que foi ordenada, como expliquei na outra postagem) e parecendo feliz por estar sendo notada por outras pessoas. Como eu sempre digo, amo a Sinéad e vou defendê-la.


10. Lost Stars, Adam Levine



"Searching for meaning, but are we all lost stars
Trying to light up the dark?"


🎵 Por que ouvir: Ok, essa já é bem famosa mas não pude pular pra outra porque, ei, é o Adam Levine, sempre bom de ver e ouvir. Essa aqui foi trilha de um filme que não assisti (Mesmo Se Nada Der Certo, de 2013), e até indicada ao Oscar de Melhor Canção Original. Enfim, é lindo. Digo, linda. A música. É.

14/10/2017

Um questionário cujo nome não decifrei



O nome da tag era The Racquet Questions e eu ainda tô aqui pensando em que diabos é isso (pior tradutora do Brasil). Enfim, roubei daqui.



01 Qual foi o pior apelido que você já recebeu?

Os meninos do transporte escolar ficaram algumas semanas me chamando de "rolinha" sem eu fazer a mínima ideia do por quê. Até um deles me contar que era porque eu era "gordinha" e meu nariz "parecia um bico"...


02 Você tem uma flor favorita?

Não ligo muito pra flores, mas gosto de girassóis.


03 Você coloca algum molho ou condimento artificial na comida?

Normalmente, não; mas gosto de maionese, mostarda e/ou ketchup picante no cachorro-quente.


04 Descreva-se usando apenas palavras que começam em T.

Triste, taciturna, tosca... terrível? 😈


05 Um apelido carinhoso que você tem/teve?

Uma única pessoa no mundo podia me chamar de branquela sem me ofender; agora, ninguém mais pode.


06 Qual a cor de que menos gosta? 

Rosa, qualquer tom.


07 Em quem você votou nas últimas eleições? Ganhou?

Não voto mais, vou até lá e anulo tudo. Me mordam.


08 Qual é/era o nome dos seus avôs?

Elydio ✝ e Alonso.


09 Qual o melhor presente que você já ganhou?

Meu computador, pois precisava dele pra trabalhar e não tinha dinheiro pra comprar um novo. (Amo tudo que ganho de presente, mas sou especialmente grata pela praticidade.)


10 Quanto é 17 ½% de 97 + 42 x (6 / 2) – 137? 

Vamos lá, acho que a minha matemática ainda serve pra isso: Primeiro a gente faz o que está entre parênteses, depois a multiplicação, depois a soma e por último a subtração. O resultado dá 86. Depois, calcula-se a porcentagem: 17 1/2% é o mesmo que 17,5%, que de 86 é 15,05. É isso, produção? Não gosto de resultados quebrados. '-'


11 De que jeito você acharia melhor morrer? 

Dormindo, né. Ou um infarto. Ou algum dano cerebral super instantâneo.


12 Se tivesse a chance de fazer qualquer coisa, qual seria o seu emprego ideal?

Não sou ambiciosa. Só queria escrever um livro massa.


13 Em que posição você dorme?

Normalmente, deitada. (desculpa, não deu pra evitar)


14 Qual foi a coisa mais embaraçosa que já aconteceu com você? 

Já paguei muito mico na vida, mas agora só consigo lembrar do dia em que xinguei uma mulher ao meu lado em uma loja achando que era minha irmã (não xinguem as pessoas).


15 Quem é o seu personagem fictício favorito?

Muitíssimos. Mas vou escolher o Wolverine porque ele é um cara importante pra mim.


16 Que comida você mais detesta? 

Vou lançar uma polêmica e dizer que detesto maracujá porque essa desgraça tem cheiro de sovaco.


17 Quando você esteve doente pela última vez? 

Fisicamente, sempre rola um resfriado ou outro. De mais pesado, a dengue mesmo, há dois anos.


18 Se você fosse transformado em um animal selvagem, qual seria?

Não sei, mas seria bom ser um dinossauro. Especialmente um bizarro como o Therizinossauro.

Olha como esse troço é feio. Adoro!


19 Qual seu brinquedo favorito, quando criança, e o que aconteceu com ele? 

Eu adorava o escritório da Barbie. Mal sabia eu que um dia seria secretária e odiaria a experiência. Acho que doamos, junto de todo o resto.


20 Qual foi a coisa mais incrível que você já viu? 

Minha lembrança mais especial foi ver o nascimento de uma ema, que eu auxiliei (e a batizei de Manu, porque ela tinha olhos azuis hahaha).

13/10/2017

O Pássaro Cativo


Armas, num galho de árvore, o alçapão; 
E, em breve, uma avezinha descuidada, 
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada, 
A gaiola dourada; 
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo: 
Porque é que, tendo tudo, há de ficar 
O passarinho mudo, 
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, crença, os pássaros não falam. 
Só gorjeando a sua dor exalam, 
Sem que os homens os possam entender; 
Se os pássaros falassem, 
Talvez os teus ouvidos escutassem 
Este cativo pássaro dizer:



“Não quero o teu alpiste! 
Gosto mais do alimento que procuro 
Na mata livre em que a voar me viste; 
Tenho água fresca num recanto escuro 
Da selva em que nasci; 
Da mata entre os verdores, 
Tenho frutos e flores, 
Sem precisar de ti! 
Não quero a tua esplêndida gaiola! 
Pois nenhuma riqueza me consola 
De haver perdido aquilo que perdi ... 
Prefiro o ninho humilde, construído 
De folhas secas, plácido, e escondido 
Entre os galhos das árvores amigas ... 


Solta-me ao vento e ao sol! 
Com que direito à escravidão me obrigas? 
Quero saudar as pompas do arrebol! 
Quero, ao cair da tarde, 
Entoar minhas tristíssimas cantigas! 
Por que me prendes? Solta-me covarde! 
Deus me deu por gaiola a imensidade: 
Não me roubes a minha liberdade ... 
Quero voar! voar! ... “

Estas cousas o pássaro diria, 
Se pudesse falar. 
E a tua alma, criança, tremeria, 
Vendo tanta aflição: 
E a tua mão tremendo, lhe abriria 
A porta da prisão...


Olavo Bilac, 1929



22/09/2017

TAG: Arrependimentos literários




Peguei a TAG do blog Momentum Saga.


1. Qual livro você se arrependeu de comprar porque logo depois encontrou por um valor bem mais baixo?

Eu não tenho pressa em comprar livros por causa disso (além do fato de ter trocentos me esperando para serem lidos aqui em casa); sempre espero pelas promoções ou pesquiso pelo menor preço, se for o caso de um presente. Mas aconteceu uma vez de eu ter comprado o e-book de A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras - umas das únicas vezes em que comprei um e-book pelo preço cheio, que era um pouco mais barato que a edição física, mas antes que pudesse lê-lo acabei ganhando a edição física de presente. Não tenho nem coragem de apagá-lo do Kindle.


2. Qual livro você se arrepende de não ter lido antes?

Dentre vários que esperaram solitários em suas estantes, A Espada na Pedra foi que demorei muito pra ler e pelo qual me apaixonei de cara.


3. Se arrependimento matasse, qual livro lido seria o responsável?

A Chegada em Darkover. Eu estava curiosíssima sobre a gigantesca série de ficção científica da autora de As Brumas de Avalon, mas nunca conseguia achar o primeiro livro em lugar nenhum, até que uma alma o colocou para troca no Skoob e eu gastei meu único crédito com ele. Que detestei.


4. Em relação ao mundo literário, do que mais se arrepende?

De não ter imposto minha vontade de trabalhar com a classificação e organização dos livros, quando trabalhava na biblioteca da Universidade. Eu fiquei presa no guarda-volumes, morrendo de vontade de aprender essa parte do trabalho, mas não tinha voz pra pedir.


5. Já se arrependeu por emprestar algum livro?

Por um tempo, fiquei arrependida de ter emprestado meu livro do Marco Polo para uma professora da faculdade, porque ela não me devolveu e senti falta dele. Mas depois consegui outro pra mim e ficou tudo certo. :) Eu geralmente tenho sorte com os livros que empresto, mas também porque confio em quem os pega.


6. Qual autor você não se arrepende de ter dado uma chance?

Ambrose Bierce, que conheci por ter pego um livro aleatório no supermercado, sem muita apresentação, e acabei descobrindo ser um autor sensacional, conhecido por seu misterioso desaparecimento e sua obra carregada de cinismo, como eu gosto.


7. Se você tivesse que escolher apenas um autor para ler para sempre, escolheria sem arrependimentos...

Dificílimo, mas acho que iria de Rick Riordan. Não tem um livro dele que não tenha me divertido, até agora, e ele tem MUITOS.


8. Uma frase relacionada a esse sentimento:

"I've made a huge mistake." Gob Bluth e quase todo mundo em Arrested Development. Não dá pra resistir.

31/08/2017

Desafio de Leitura 2017: Quarto relatório

A quantidade física de livros lidos, nos últimos dois meses, não foi tão grande. Primeiro, porque um dos livros que li trata-se de três obras de Jane Austen em um único volume, e depois porque o que comecei a ler em seguida, e ainda não terminei, é um e-book com todos os romances de Machado de Assis em um volume só, também (ainda estou no quinto). Segue o relatório:




▼▼▼▼▼

Ficção:


Razão e Sensibilidade/Orgulho e Preconceito/Persuasão
Jane Austen - Martin Claret - 2012 (1811/1813/1818) - 631p.

Já comentei algumas vezes que romance não é um gênero de literatura que eu procure ler, exceto quando se trata de clássicos. Estou com este volume de Jane Austen me esperando desde que aprendi sobre Literatura Inglesa em um curso, mas, desde então, não tinha saído no sorteio e não tive vontade de furar o esquema de sorteio com ele, tampouco. Entretanto, quando comecei a lê-lo, já gostei de Razão e Sensibilidade logo nas primeiras páginas. Gosto de ser surpreendida por leituras, e a história de Marianne e Elinor me prendeu muito, especialmente pela questão da identificação com as personagens (cheguei a fazer uma reflexão aqui no blog). Orgulho e Preconceito, sua obra mais conhecida, também me encantou, principalmente porque Jane Austen escrevia com humor e refletiu isso na divertida família Bennet. Gostei muito do personagem do Sr. Darcy, aparentemente soturno e indelicado, mas, no fundo, reservado e incompreendido (também não havia assistido ao filme, o que fiz logo em seguida). Porém, ao chegar em Persuasão, desanimei um pouco com a leitura. Não sei dizer se porque comecei a ler sem prestar atenção e acabei me perdendo no enredo (60 páginas depois eu ainda não fazia ideia da história ou quem eram todos os personagens) ou se porque já estava me cansando da temática. De qualquer modo, fico feliz em finalmente ter lido algo de Austen; não só por sua relevância na Literatura, mas também porque estava curiosa a respeito de suas obras depois de saber de algumas curiosidades sobre elas - por exemplo, ela escreveu seu primeiro livro, Razão e Sensibilidade, escondida, enquanto ficava na sala com a família e amigos. Os rascunhos ficavam em seu colo, sob um trabalho de bordado, e ela escrevia quando ninguém estava olhando. Quando foi publicado, o livro não exibia seu nome; a autoria foi creditada a "uma senhora". Foi um bestseller, o que garantiu as obras futuras da autora.

✔ item do desafio: Um livro sobre a relação de irmãos
✔ item do desafio: Um livro ambientado em um lugar que você quer conhecer





A Espada do Verão
Rick Riordan - Intrínseca - 2015 - 448p.

Primeiro volume da série Magnus Chase & Os Deuses de Asgard. Adoro as séries de Rick Riordan, que envolvem mitologias e mundo atual de uma maneira super divertida, mas demorei para conhecer esta por certa preguiça, admito. Como sei que ele ainda está escrevendo os livros desta, prefiro ler outras coisas enquanto espero que mais volumes da série sejam lançados, assim não preciso esperar tanto entre um e outro. Dessa vez, Riordan resolveu brincar com a mitologia nórdica; embora o adolescente protagonista da vez, Magnus, tenha parentesco com uma personagem da série Percy Jackson e os Olimpianos, que envolve mitologia grega. Há outras coisas que diferenciam Magnus dos outros protagonistas, além da sua relação com deuses nórdicos: ele é um garoto de rua e já morre no primeiro capítulo (isso não é um spoiler, ele já diz isso na sinopse, haha). A história é sobre a descoberta do universo paralelo em que habitam deuses nórdicos, guerreiros do Valhalla e as várias criaturas da mitologia, e, claro, uma missão que ele deve cumprir a fim de salvar o mundo. Os personagens de Riordan, protagonistas ou não, são sempre muito cativantes, a caracterização dos deuses é sempre divertida e o humor geral é sempre sarcástico; são três motivos ótimos para eu seguir as séries do autor. Outros ótimos motivos são a diversidade entre os personagens e a afirmação de que qualquer um, independentemente (ou até por causa) de suas dificuldades e diferenças, é um herói.

✔ item do desafio: Um livro ambientado em um universo paralelo





O Portador do Fogo
Bernard Cornwell - Record - 2017 (2016) - 320p.

Décimo volume das Crônicas Saxônicas, que acompanham a vida do guerreiro Uhtred em sua jornada de dilema entre ser saxão ou ser viking, juramentos prestados a reis diversos e a eterna missão de recuperar Bebbanburg, sua terra por direito, enquanto a História da Inglaterra está sendo escrita. Dez volumes podem parecer muita coisa pra uma história não ser perder, mas todas essas coisas rendem livros cheios de ação, inimigos novos, cenas de batalhas sangrentas e realistas (especialidade de Cornwell), fora a novelização de fatos históricos sobre eventos e pessoas reais. A essas alturas, fica difícil fazer uma resenha sem estragar a história para quem ainda está começando ou nos livros anteriores, ou mesmo acompanhando The Last Kingdom; mas este volume finalmente resolve um antiquíssimo problema (não sem muitos percalços e tensão), além de trazer o que considero o melhor monólogo de todos os tempos sobre o que é ser um guerreiro. E, como eu sempre digo, Uhtred é um dos meus personagens favoritos de todos os tempos, então lê-lo sempre é um enorme prazer.

 item do desafio: Um livro que virou série de TV




Antologia Poética
Carlos Drummond de Andrade - Record - 2001 (1962) - 416p.

"E como ficou chato ser moderno. Agora serei eterno."

Seguindo minha busca por antologias poéticas para conhecer melhor nossos mais celebrados poetas, dessa vez li esta compilada pelo próprio Drummond, em celebração de seus 60 anos. A obra de Drummond é, para sua própria infelicidade, como ele mesmo disse em uma de suas últimas entrevistas, conhecida por frases únicas que hoje fazem parte da língua portuguesa como ditados populares: quem de nós nunca disse "e agora, José?" quando em face de um dilema, ou nunca brincou com "no meio do caminho havia uma pedra", sem parar para pensar de onde vieram essas máximas? Carlos Drummond de Andrade foi um poeta versátil que não se prendia a um estilo único de poesia - fosse em temática ou em estilo -, então essa antologia reúne o que há de mais célebre em sua extensa obra, separado em nove temáticas, que vão de autobiografias a homenagens a outros poetas e à sua terra natal, Minas Gerais, entre outras. Não consigo evitar me sentir um pouco ignorante sempre que leio poemas porque, diferentemente da leitura de ficção, que costuma ser fácil de ambientar e interpretar, a interpretação desse tipo de literatura depende não apenas de seus próprios sentimentos, mas de seu conhecimento a respeito do autor e de onde ele veio, sua situação e sua opinião sobre o mundo e a sociedade, ainda levando em consideração que grande parte da arte da poesia está em se comunicar através de metáforas, o que pode ser bem confuso para quem é um leitor prático. Felizmente, antologias poéticas costumam vir com ensaios interpretativos de outros poetas ou críticos, como este teve um de Antonio Cicero, que ensina e esclarece muita coisa. Uma boa escolha de leitura para admiradores do autor e para quem pretende tornar-se.



▼▼▼▼▼

Não ficção:




Cura Pela Meditação: Saúde integral para a mente, o corpo e o espírito
Christopher Titmuss - Pensamento - 2015 (2014) - 90p.

Venho experimentando meditação há um tempo como forma de amenizar a ansiedade e todos os problemas que vêm com ela, e tenho me sentido tão melhor que não canso de recomendar a quem posso para que tente, também. Já havia comentado sobre um livro de mindfulness, e agora gostaria de recomendar este. Ele não só explica muito facilmente sobre meditação e seus benefícios, como nos ensina vários métodos e tipos de meditação para que possamos escolher qual é mais confortável e voltado ao que precisamos, realmente. Há um índice remissivo que nos orienta para qual meditação fazer para cada situação que queremos melhorar (criatividade, paz de espírito, gratidão, humor, etc., até dores físicas). E, para não termos que recorrer ao livro sempre que quisermos checar as meditações, há um deque de cartas com todas elas resumidas; é só pegar e ler. Aprendi muito sobre a prática, com ele, e melhorei muito as minhas habilidades de concentração, além de me sentir mais motivada para tentar quando estou muito desanimada.





A Essência do Budismo
Elizabeth Clare Prophet - BestSeller - 2012 (2009) - 157p.

Logo após o interesse pela meditação, depois uma conversa com uma amiga, surgiu também o interesse pelos ensinamentos do budismo, que prezam a paz de espírito e o seu bom uso para o próximo. Estou muito disposta a ler o que puder sobre o assunto e estudar, enquanto ainda não conseguir participar de uma reunião aqui na cidade. Há muito tempo considero o budismo uma bela religião, embora nunca tenha me sentido apta para ela. Agora, com toda essa transformação por que estou passando, admito que estou muito interessada na transição. Enfim, sobre o livro: talvez não deva ser a primeira leitura sobre o budismo, pois pode ser um pouco difícil de apreender conceitos poucos familiares, mas é uma leitura rápida sobre os estágios de iluminação até que um iniciante atinja o estado búdico, ou se torne um Buda. É muito esclarecido que esse é um trabalho de várias vidas, portanto o aspirante deve ter em mente essa vontade e se dedicar fisicamente, mentalmente e espiritualmente a isso. Cada estágio explica o que é exigido e apresenta histórias de budas e iluminados que passaram por cada um, e como. Há, também, um guia de mantras para recitar durante a meditação, com seus propósitos e benefícios. Uma leitura muito interessante, para quem realmente quer saber mais sobre isso.




Women in Science: 50 fearless pioneers who changed the world
Rachel Ignotofsky - 2016 - Ten Speed Press - 128p.

Soube deste livro por uma postagem do Brain Pickings (inclusive, acessem o link para ver algumas imagens e textos do livro!), blog que acompanho há muito tempo. Coloquei-o na minha lista de desejos, por ser meio caro, mas acabei eventualmente me dando de presente. Quando finalmente chegou, não levou uma semana pra eu descobrir que o haviam trazido para o Brasil e traduzido (foi lançado aqui como As Cientistas, caso prefiram adquirir a versão traduzida). A autora, que escreveu e ilustrou o livro, vem de uma família de cientistas e lançou este projeto com o objetivo de divulgar as maravilhosas mulheres da Ciência que ignoramos. Muito além de Marie Curie e Ada Lovelace, que já são mais conhecidas, somos apresentadas a incríveis físicas, matemáticas, químicas, biólogas, astrônomas, engenheiras, e muitas, muitas outras mulheres que não foram só inteligentes e dedicadas, como pioneiras em suas áreas. Através de biografias muito breves e simples, aprendemos como essas ilustres cientistas foram responsáveis por muito do que temos e sabemos hoje (e, infelizmente, como muitas delas tiveram suas descobertas e invenções roubadas por nomes mais famosos...). Apesar de áreas e épocas diferentes, o que todas têm em comum é uma paixão tão grande por conhecimento que nenhuma dificuldade, financeira, de saúde ou provocada por preconceito, as impediu de conseguir. É um excelente livro para qualquer pessoa, de qualquer idade.

✔ item do desafio: Um livro escrito por alguém com menos de 30 anos



▼▼▼▼▼

HQ:


A Diferença Invisível, de Julie Dachez & Mademoiselle Caroline (Nemo, 2017). Fiquei felicíssima quando vi um anúncio no Facebook sobre essa publicação por aqui, porque era justamente do que eu precisava: não só uma história com a qual eu poderia me identificar sem ressalvas, mas algo que eu poderia mostrar para familiares e amigos para que eles pudessem entender melhor algo que eu nunca consigo explicar direito. Essa HQ francesa conta a história de Marguerite, que tem 27 anos e não se sente parte de uma "vida normal". Ela está sempre desconfortável e tem dificuldades com aspectos do dia a dia que as demais pessoas consideram simples. Além disso, tem algumas manias que seus amigos, namorado e colegas não compreendem muito bem, o que a frustra e a deixa sempre infeliz. Consultas com psicólogos não ajudam, até ela descobrir ter a Síndrome de Asperger. Depois de descobrir ser uma adulta autista, a vida de Marguerite ficou mais fácil de viver, mas ainda não ficou ideal - afinal, autistas de alta funcionalidade ficam naquele limbo entre não serem "autistas o suficiente" e nem "normais o suficiente". Mesmo assim, entender melhor sobre si mesma a ajudou a buscar orientações corretas e se relacionar diferentemente com as pessoas, entendendo que tipos de atitudes ela não deve aceitar delas. A história de Marguerite é a história da autora, Julie Dachez, a quem fiz questão de enviar uma mensagem de agradecimento. Já disse anteriormente e reforço meu pedido: leiam, se tiverem oportunidade. Mesmo que vocês achem que não têm adultos autistas em sua vida, reconhecer sua existência os ajudará a compreender melhor os diferentes tipos de pessoas que estão ao nosso redor e a respeitá-los.

✔ item do desafio: Um livro baseado em uma história real


Persépolis, de Marjane Satrapi (Companhia das Letras, 2007). Já tinha ouvido falar muito de Persépolis, mas foi só depois de ter sido muito recomendado por uma amiga que fiquei curiosa para ler. Por ser bastante famoso, nunca foi muito barato, mas uma promoção daquelas maravilhosas da Amazon eventualmente me resolveu este problema. Aos amigos, digo que vale a pena qualquer investimento: é o tipo de história que todos deveríamos ler. A autora, iraniana, conta aqui sua biografia, em forma de HQ, explicando in loco a história da eterna guerra entre o Irã e o Iraque, suas causas, motivações, os argumentos dos aliados e, principalmente, o que ela significa para quem vive essa realidade por lá, sofrendo suas consequências. Marji cresceu numa família revolucionária, então teve contato com discussões políticas desde muito nova, se envolveu nas revoluções, e perdeu muita gente querida nesse embate todo. Preocupados com o futuro da filha, os pais decidem enviá-la para a Europa, o que acabou sendo muito pior para ela. Além de ser uma obra extremamente política (chegando a ser banida em alguns lugares), traz também uma excelente discussão social sobre religião, classe e gênero. A história virou animação e ganhou o Oscar. Pra quem acha que a guerra entre Irã e Iraque não interessa ao ocidente e que é "tudo a mesma coisa", não vou recomendar que leiam Persépolis, porque a recomendação se torna uma obrigação moral. 

✔ item do desafio: Um livro banido



✔ andamento do desafio: 35/48