28/02/2017

Desafio de Leitura 2017: Primeiro relatório

Eis as primeiras leituras do ano! Comecei devagar, mas já consegui eliminar alguns itens do novo desafio e estou empolgada para os próximos. Vamos lá:


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Ficção:



Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
J.K. Rowling & Jack Thorne - Rocco - 2016 - 343p.

Vi muita gente dizer que detestou essa sequência e confesso que isso me desanimou um pouco para a leitura - tanto que não tive pressa de conseguir o livro e ver logo o que a autora inventou para o futuro dos personagens principais de sua obra. Achei, no mínimo, justo que houvessem publicado a história, originalmente uma peça de teatro, em livro, já que apenas os fãs ingleses tinham tido a oportunidade de conhecê-la. E, aos que não gostaram dela porque o formato de narração é diferente, só digo isso: quanta preguiça de vocês. Não há nada de difícil na leitura de um roteiro. Rowling é tão boa escritora que até uma história só com diálogos é interessante do começo ao fim. Vinte anos depois dos eventos de Harry Potter e As Relíquias da Morte, vemos Harry, Rony, Hermione, Gina e Draco como coadjuvantes da história de seus filhos. Alvo, filho de Harry e Gina, sofre com a pressão de ser filho de quem é e se torna bastante difícil de lidar. Escórpio, filho de Draco, é, por sua vez, um garoto bom como poucos, mas carrega o fardo de ser um Malfoy e, além disso, é alvo de um grave boato que preocupa o mundo bruxo. Além de tudo isso, os garotos se envolvem numa missão arriscada: de posse de um vira-tempo, artefato agora ilegal, ambos voltam ao passado e tentam evitar a morte de um conhecido personagem... As implicações disso são terríveis, mas eles só vão saber disso depois. É claro que, por ser um roteiro, a história não tem a profundidade narrativa ou um desenvolvimento complexo dos personagens, como os livros anteriores, mas não deixa de ser uma leitura indispensável aos fãs da saga e uma importante continuação dos fatos, bem aproveitados para essa sequência. Não deixem de ler.

✓ item do desafio: Uma peça ou roteiro




O Fantasma da Ópera
Gaston Leroux - Germape - 1998 (1909) - 192p.

Esse demorou bastante pra sair no sorteio, mas finalmente foi! Clássico da literatura francesa, levemente baseado em fatos reais, O Fantasma da Ópera não é lá uma leitura muito fácil. Esta edição, inclusive, pode ter contribuído pra isso: nota-se a evidente economia de recursos com as margens estreitas, tipografia minúscula e uma péssima revisão que deixou escapar um monte de erros esdrúxulos de digitação e concordância, parágrafos repetidos e esses deslizes todos. Enfim, a história em si também não foi das minhas favoritas. Digo isso porque não estou em um bom momento para ler romances, que nunca foi meu gênero favorito, e histórias de amor, reais ou fictícias, têm me deixado bem irritada. Ainda assim, o personagem me deixou um tanto surpresa. Não posso dizer que tenha assistido a algum dos filmes baseados na história, então não sabia que ele era violento desse jeito, haha. Até conseguir sequestrar a estrela da ópera Christina Daeé, sua paixão platônica, o Fantasma machucou e matou um bom número de pessoas por chantagear os donos do teatro mas não conseguir o que queria. É, na verdade, mais uma história de ciúme e obsessão doentia do que uma história de amor, mas tem toda a questão do rapaz nobre que é noivo da moça e o tenso resgate que ele empreende. Essa parte mais emocionante só começa lá pelo final, depois de um monte de divagações de narração que me desanimaram um pouco de querer terminar o livro. Entretanto, confesso que senti uma empatia estranha pelo Fantasma, depois de conhecê-lo direito - apresentação que só é feita no epílogo, o que achei meio fora de lugar. Imagino que existam muitos entusiastas da obra, mas eu talvez a tenha lido num mau momento. 

✓ item do desafio: Um livro com mais de 100 anos




O Menino Que Desenhava Monstros
Keith Donohue - Darkside - 2016 (2014) - 256p.

Este foi um que achei que seria mais violento, já que vai ser adaptado para o cinema pelo diretor de Jogos Mortais, mas é uma história de terror lenta e sutil, mais como as versões antigas de contos de fadas com monstros que não são realmente o maior problema da história. Jack Peter é um garoto de dez anos com uma obsessão por desenhar monstros. Por ser autista, seus pais já estão acostumados à suas obsessões, mas logo descobrem que os monstros não estão apenas nos desenhos do garoto, mas cercando sua casa em uma pequena cidade costeira. Entre os momentos tensos vividos por essa família e o melhor amigo de Jack Peter, Nick, também acompanhamos a dificuldade dos pais em lidar com o autismo do filho, uma Síndrome de Asperger que intensificou-se após um evento bastante traumático, anos antes. Uma narrativa interessante, com elementos que desviam nossa mente para um caminho enganoso, e um final bastante inesperado.

✓ item do desafio: Um livro cujo protagonista tenha menos de 16 anos





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Não-ficção:



Sobre a Escrita
Stephen King - Suma de Letras - 2015 (2000) - 255p.

Essa maravilha de livro foi um empréstimo de uma amiga que me incentiva muito a colocar minhas ideias no papel e correr pro abraço da publicação. Quando comentei sobre a frustração de "já existir um livro sobre tudo", ela fez questão que eu lesse este livro e mudasse de ideia a respeito de mim, como escritora, e o que eu tenho a dizer. Por meio de memórias de sua infância e juventude, Stephen King (que dispensa apresentações) conta como descobriu que era escritor e nos leva a refletir sobre a própria vida e os sinais que recebemos de que somos contadores de histórias. Depois, começam as dicas técnicas de escrita, com muitos exemplos - fui lendo e fazendo anotações alucinadamente. Vale lembrar que as dicas dele são a respeito do estilo narrativo que ele usa e, portanto, considera melhor. Você pode discordar de algumas coisas e está tudo bem, afinal, ninguém mais é Stephen King além dele mesmo. E aí ele termina com uma reflexão sobre o acidente que quase lhe tirou a vida e mudou muita coisa em sua rotina e percepção (quem leu A Torre Negra já é familiarizado com a história). E ainda tem uma lista de recomendações de livros que ele considera de leitura essencial, vários dos quais já li ou tenho aqui para ler futuramente. Este livro certamente merece todo o status que ganhou; é uma leitura deliciosa e muito instrutiva, com os segredos e técnicas de um dos escritores mais celebrados da literatura contemporânea mundial - além de ser bastante interessante até para quem não tem ambição de ser escritor, mas é fã do autor.

✓ item do desafio: Um livro de memórias





Uma Breve História do Mundo
H.G. Wells - L&PM - 2013 (1922) - 384p.


Eu sinceramente não me lembro como fui chegar a este livro (já estava há bastante tempo aqui esperando pra ser lido), mas lembro que achei muito interessante que um conhecido autor de ficção científica (A Guerra dos Mundos, A Máquina do Tempo) tenha escrito um livro de não-ficção - e um tão ambicioso como este: um resumão da história do nosso planeta. Wells começa falando sobre o Universo, mas logo começa a abordar a história da humanidade desde o seu surgimento e evolução, passando por todas as principais descobertas, revoluções, povos antigos e seus costumes, o surgimento das religiões e questões políticas, conquistas e guerras, e termina com um relato da Primeira Grande Guerra, que havia acabado um pouco antes da publicação deste livro. É um livro de História com capítulos muito breves, embora bastante abrangentes e com detalhes muito interessantes sobre cada tema. O autor é bastante imparcial nas questões políticas e religiosas, mas também nos oferece uma visão pessoal sobre alguns assuntos discutidos - ele, inclusive, fecha o livro com uma mensagem de esperança para o futuro. Apesar de ser um livro bastante antigo, é interessante ver como pouco do que se sabe hoje sobre a Ciência e a História discutidas aqui mudou; continua sendo uma fonte válida e confiável de pesquisa.




O Livro do Ego: Liberte-se da ilusão
Osho - Best Seller - 2015 - 320p.

Não diria que seja um livro que eu teria escolhido pra ler, em circunstâncias normais... Entretanto, o ganhei de cortesia para o Kindle no início do ano e achei que seria uma leitura conveniente, já que, na época, eu estava sofrendo bastante com uma questão que reconheci ser um problema de ego ferido. Já conhecia o autor por fama e já li coisas avulsas de sua autoria aqui e ali, mas nunca tinha lido, de fato, um livro seu. Foi uma leitura rápida e, no começo, fiquei tão empolgada com tudo o que estava sendo dito que destaquei vários trechos oportunos do livro. Porém, apesar de ser uma leitura fácil, a absorção dos ensinamentos do guru não são tão fáceis assim - tanto que, da metade pro final, fiquei com uma sensação irritante de que eu não deveria estar lendo esse livro. Leiga que sou sobre o budismo e sua filosofia, não posso querer explicar aqui o que Osho tenta nos ensinar sobre o caminho da supressão do ego e o alcance da iluminação. O livro todo é uma coleção de respostas que ele deu a várias perguntas sobre o ego, o poder, a meditação, a iluminação e tantas outras coisas relacionadas, permeadas por parábolas e anedotas divertidas que ele julgou complementarem suas dicas. O meu problema com a questão toda é que, segundo ele, a mente é nossa maior inimiga e não devemos alimentá-la; devemos aceitar sua existência mas nunca deixá-la criar uma personalidade que suprima o nosso verdadeiro eu. Parece complexo - e é, se você não se abrir à ideia de que somos todos uma coisa só que habita vários corpos -, mas tudo faz muito sentido e nos faz querer fazer tudo o que ele sugere. Contudo, nota-se que o caminho para a iluminação é bastante solitário e, embora eu goste da ideia de solidão e não me sentir mal por ser sozinha, ainda assim vivemos em sociedade e, gostando ou não, precisamos das outras pessoas, sendo elas egocêntricas ou iluminadas. Acredito que seria uma coisa que só funcionaria se todos fossem capazes de se desprender de suas mentes e compreenderem o estado do "não existe eu". Se eu, sozinha, chegar finalmente a essa conclusão, teria uma vida miseravelmente solitária, cercada por pessoas que não entenderiam ou respeitariam isso. Tudo bem, não me sentiria mal por isso, mas minha mente (minha eterna inimiga) ainda consegue me convencer de que ela é indispensável. Definitivamente, não estou pronta pra isso. E, agora, fico pensando se deveria estar.

✓ item do desafio: Um livro de um autor que você nunca leu






Bastidores
Rafael Koff - independente - 2016 - 106p.



Este foi outro projeto do autor que apoiei pelo Catarse. São curiosidades sobre os bastidores de 100 filmes clássicos, todo ilustrado por ele. Mesmo estando sempre ligada nas curiosidades sobre cinema, ainda assim li coisas que não sabia sobre uma porção de filmes que adoro! Ficou um livro bem bacana e acho bem possível que ele acabe fazendo outros no estilo...

✓ item do desafio: Um livro publicado independentemente



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HQs:


O Perfuraneve, de Lob, Rochette & Legrand (Aleph, 2015 / 1982). Assisti ao filme (Expresso do Amanhã) e fiquei tão impressionada com a história que quis ler a HQ em que ele foi baseado assim que soube. Por ser um tijolão e ter uma certa reputação, é uma encadernação meio cara, mas nada que uma Black Friday da Amazon não tenha me resolvido. O roteiro do filme foi livremente baseado nessa distopia em que os últimos sobreviventes do mundo que foi tomado por outra Era do Gelo estão a bordo de um trem gigantesco que dá voltas intermináveis ao redor do planeta. Essas pessoas são divididas pelos vagões seguindo uma hierarquia injusta e cheia de preconceito em que os últimos vagões sofrem todo tipo de miséria. Então, acontece uma inevitável revolução e as coisas começam a ficar bem feias pra todo mundo, principalmente para os já desfavorecidos. São três histórias e as três são cheias de violência, personagens odiosos e tragédias. O tipo de leitura que você acaba e fica refletindo a respeito do pior da humanidade por um tempo. Há um anexo com notas sobre os autores, os prêmios que a HQ recebeu e a adaptação para o filme, com curiosidades.

✓ item do desafio: Um livro em quadrinhos



► Andamento do desafio: 7/48
► Fora do desafio: 1

Um comentário:

  1. Ué, eu tinha comentado aqui e... sumiu...

    Esse do King é bem legal mesmo. Faz parecer que escrever é fácil. SQN

    Li recentemente a Máquina do Tempo, do Wells, e gostei bastante, apesar de ser até mais antigo do que esse da Breve História do Mundo. Sempre pensei que um livro de história com quase 100 anos de defasagem talvez não valesse a pena, mas vou na sua recomendação e depois te conto o que achei.

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