30/04/2017

Desafio de Leitura 2017: Segundo relatório

Estou avançando bem com o desafio, acho possível que eu consiga terminá-lo, dessa vez! Ou não! Quem sabe que distrações aparecerão... :P 

Listei tudo mais ou menos pela ordem em que fui lendo, então acho que não está muito organizado. Mas dá pra entender.


▼▼▼▼▼

Ficção:





O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Ransom Riggs - Leya - 2015 (2011) - 336p.
Cidade dos Etéreos
Ransom Riggs - Intrínseca - 2016 (2014) - 383p.
Biblioteca de Almas
Ransom Riggs - Intrínseca - 2016 (2015) - 416p.


Não é maravilhoso quando você lê um livro que adora, e aí lê sua continuação e ela é tão boa quanto o primeiro livro, e depois o final da série, que é igualmente incrível, e você fica com todo aquele amor preenchendo o peito e aquela sensação de gratidão por ter podido conhecer um universo tão bonito, tão bem escrito, saído de uma imaginação tão pura e fantástica? Essa série me conquistou tanto que quero recomendá-la a todo mundo, mas nada do que eu diga vai ser bom o suficiente pra descrever o quanto esse universo peculiar é imperdível. A partir de fotos reais antigas e bizarras que pertencem a diversos colecionadores e que ilustram os livros, o autor criou todo esse universo de pessoas peculiares: gente com habilidades especiais, úteis ou perigosas, aparentes ou não, que, a princípio, viviam em harmonia com as pessoas normais. Com o passar das eras e o aumento do medo humano que leva ao preconceito e à violência, esses peculiares precisaram se esconder e viver em isolamento para sobreviverem - isolamento não apenas espacial como temporal. Guardados por ymbrynes, os peculiares vivem em diversas fendas temporais espalhadas pelo mundo, revivendo sempre o mesmo dia. A consequência disso é que eles nunca envelhecem, ficando presos no mesmo local com a mesma idade, mas estão protegidos dos normais e também de criaturas que os caçam, chamadas etéreos (que são monstros nojentos e assustadores) e acólitos (que são peculiares maus, pra resumir tudo). Jacob, o protagonista, cresceu ouvindo essas histórias de seu avô e vendo as fotos de crianças peculiares que ele dizia serem seus amigos, quando ele era criança e vivia em um orfanato em uma ilha do distante País de Gales. Conforme Jacob cresce, para de acreditar nas histórias de seu avô, acreditando que eram alegorias para os horrores que ele havia vivido na guerra. Quando seu avô morre de forma terrível, porém, Jacob começa a ter dúvidas sobre o que era realmente história e o que era verdade, e segue em uma aventura em busca do tal orfanato e os amigos peculiares do avô. Não posso contar muito mais além disso, por isso recomendo que leiam e se divirtam com uma fantasia muito bem escrita e um universo deliciosamente imaginativo e belo. O filme do ano passado, dirigido por Tim Burton, fez muito sucesso, mas, infelizmente, tem pouquíssimo a ver com a obra original. Se vocês viram o filme e gostaram, garanto que vão gostar muito mais dos livros.


✓ item do desafio: Um livro ambientado em uma cidade pequena
✓ item do desafio: O segundo livro de uma série
✓ item do desafio: Um livro sobre viagem no tempo





Contos Peculiares
Ransom Riggs & Andrew Davidson - Intrínseca - 2016 - 208p.

Contos Peculiares é um livro que teve papel fundamental na série das Crianças Peculiares e que foi, portanto, lançado para que nós também pudéssemos lê-lo. Organizado por Millard Nullings, o peculiar invisível e erudito do orfanato da srta. Peregrine, essa versão traz apenas alguns dos muitos contos sobre peculiares do mundo todo ao longo de toda a história da humanidade. São histórias a respeito de suas habilidades e como elas foram bênçãos ou maldições, mas, principalmente, sobre como todas essas pessoas levaram uma vida solitária e injusta por causa do preconceito e incompreensão das outras pessoas. O livro é todo muito bonito, tanto pelas suas belas histórias que são tão diversas e maravilhosamente narradas (eu ainda estou muito apaixonada por tudo) quanto pelas ilustrações e toda a diagramação geral. Estou muito feliz de ter conhecido esse universo peculiar e espero que muitos queiram conhecê-lo, também.

✓ item do desafio: Um livro sobre poderes sobrenaturais





Felizmente, O Leite
Neil Gaiman & Skottie Young - Rocco - 2016 (2013) - 128p.

Um pai sai para comprar leite para o café da manhã dos filhos e, a partir daí, todo tipo de maluquice acontece no caminho: aliens, piratas, wumpiros, viagens espaciais, paradoxos temporais, o que quer que possa ser imaginado (especialmente o que não puder ser). Ainda não tinha tido oportunidade de ler os livros infantis de Gaiman. Comecei por este e não me arrependi por um segundo de leitura; é igualmente criativo e fantástico, uma história maluca e completamente imprevisível, muito divertida. Os personagens são muito cativantes, especialmente meu favorito, Dr. Steg. As ilustrações de Young complementam a história e são parte importante do desfecho. Pra ler de uma vez só.

✓ item do desafio: Um livro com piratas




Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Patrick Ness - Novo Conceito - 2016 (2011) - 157p.

Vi este em um sorteio pelo Skoob que acabei não participando por não ter me encantado muito pela sinopse (bullying, mãe doente, toda aquela tragédia que eu prefiro evitar). Aí minha mãe acabou comprando o livro sem eu saber, então o li quando procurava por uma leitura rápida e me surpreendi. Foi, até agora, uma das minhas leituras favoritas do ano; uma bela história, graciosamente contada, cujos elementos fantásticos intrigam e divertem, mesmo que o tom geral seja triste o suficiente pra arrancar umas boas lágrimas. O protagonista, Conor, é um menino de 13 anos que vive sozinho com a mãe, que está sob tratamento pesado de saúde (sua doença nunca é mencionada pelo nome, mas imagino que seja leucemia). Um dos dramas de sua vida, além disso e do fato ser vítima de bullying na escola, é saber que logo precisará morar com outra pessoa. Seu pai, que vive nos Estados Unidos com a nova família, é bastante ausente, e sua avó nunca foi carinhosa com ele e sua relação sempre foi complicada. No meio de todos esses problemas, Conor tem um pesadelo recorrente muito vívido que o acorda todas as noites à meia-noite e sete, e aí recebe uma visita, no mínimo, perturbadora. O filme, lançado no ano passado e com um elenco excelente, é igualmente bonito e vale muito ser visto (mesmo sem ter lido o livro antes, já que foi fidelíssimo). Maravilhoso!

✓ item do desafio: Um livro que você descobriu pelo Skoob/GoodReads








Divergente
Veronica Roth - Rocco - 2012 (2011) - 502p.
Insurgente
Veronica Roth - Rocco - 2013 (2012) - 511p.
Convergente
Veronica Roth - Rocco - 2013 (2014) - 526p.


Li a trilogia por indicação (e certa insistência) da minha irmã, que gosta muito da história. Embora eu goste muito de distopias e também de várias séries juvenis (agora chamadas de YA), essa série não me conquistou logo de cara. Achei a narrativa do primeiro livro, especialmente, meio pobre. Ele é todo sobre a protagonista, pouco interessante até o segundo livro e de quem demorei para gostar; e dá pouca atenção ao enredo, que só vai começar a tomar forma, realmente, no segundo livro. Imagino que seja o problema de ler literatura juvenil aos 30 anos, mas sei que eu também não me sentiria confortável lendo isso na "idade certa" - é difícil me identificar com adolescentes de 16 que não são absolutamente nada parecidas comigo nessa idade. Beatrice vive em uma Chicago futurista que não se parece em nada com o mundo como o conhecemos hoje. Na sua época, a população é dividida em facções segundo suas características mais marcantes de personalidade: Audácia, Erudição, Franqueza, Amizade ou Abnegação. Aos 16, os jovens devem passar por um teste de aptidão que determina a qual facção pertencem, mas são livres para escolher ficar onde acharem melhor, desde que não mudem de ideia (a punição para desistir da escolha é virar um sem-facção, que é tabu na sociedade). Beatrice, é claro, teve resultados ambíguos no seu teste e decidiu ir para uma facção completamente oposta à sua, longe da família e onde é difícil fazer amigos. Apesar de dar uma ideia geral da Grande Treta que é enredo principal da trilogia (que, a princípio, parece ser uma guerra entre facções, mas depois vimos que é até mais que isso), o primeiro livro é todo sobre essa adaptação da protagonista a uma nova vida, o que realmente não fará muita diferença mais pra frente. O segundo livro me prendeu mais, pois as coisas começaram a (e nunca paravam de) acontecer e Beatrice se tornou uma personagem mais interessante. O terceiro esclarece um monte de coisas da história e muda praticamente tudo o que lemos até então, e ainda tem a novidade da narrativa intercalada com outro protagonista, o que nos confunde um pouco, até nos acostumarmos. Entendo por que a autora escolheu escrever esse último livro assim (não tenho como explicar sem dar um spoiler), mas fiquei com a impressão de que ela foi mudando de ideia sobre um monte de coisas na própria história enquanto a ia escrevendo, então algumas soluções ficaram meio forçadas. Enfim, essas são as minhas ressalvas para o público mais velho que possa vir a se interessar pelo enredo, talvez depois de ter visto os filmes. É uma leitura de entretenimento sem grandes desafios, com bastante ação e pouco para pensar a respeito. Se você tem paciência para interrupções no enredo para as muitas "pegações" entre os protagonistas, descritas com mais detalhes do que o necessário (vamos alimentar os hormônios adolescentes, certo?), talvez vocês gostem dos livros mais do que eu.


✓ item do desafio: Um livro ambientado no futuro
✓ item do desafio: Um livro com mais de 500 páginas
✓ item do desafio: Um livro com uma heroína forte




Quatro: Histórias da série Divergente
Veronica Roth - Rocco - 2014 - 271p.

Este aqui é uma coleção de histórias que a autora lançou sobre o outro protagonista, Quatro - sobre sua origem e algumas cenas da série recontadas a partir do ponto de vista dele. Ela conta, na introdução, que ele seria o protagonista original da série, até que ela pensou melhor e o substituiu pela Tris, mais carismática. Não liguei muito para o Quatro, lendo a série, porque não há muito desenvolvimento do seu personagem. Ele é bastante caricato, geralmente grosseiro sem motivo além de "ser um membro da Audácia" e o romance entre os dois também não me conquistou (que romance me conquista, afinal? haha). Mas, aqui, a autora teve chance de trabalhar melhor o personagem, então cheguei a simpatizar com o Quatro - mais do que com a Tris, até. Tris me pareceu uma entediada que trocou de facção só porque queria saber como seria, enquanto Quatro o fez por motivos que o forçaram a tomar uma decisão corajosa. Bom, imagino que seja questão de identificação. É difícil eu indicar uma leitura com tantas ressalvas, mas essas são todas as minhas opiniões sobre Divergente. Não é nada que eu considere indispensável e não está entre minhas leituras favoritas, mas a evolução da escritora é bem evidente, no decorrer dos livros, então vale dar uma chance.

✓ item do desafio: Um livro cujo título tenha apenas uma palavra




A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras
Neil Gaiman & Eddie Campbell - Intrínseca - 2015 (2014) - 80p.

Este eu tinha comprado em ebook, mas acabei ganhando o livro físico um tempo depois; e é um caso em que realmente recomendo que procurem a versão física, pois ele tem uma diagramação toda mesclada entre romance e graphic novel que vale a pena poder ler com toda a atenção que merece. Neste conto ambientado na Escócia, Gaiman narra a busca de um homenzinho misterioso por um tesouro escondido em uma caverna distante e de fama sobrenatural. Diz a lenda que quem entra na caverna pode levar todo o ouro que conseguir carregar, mas deixa alguma coisa para trás que nunca mais poderá recuperar - o que é, depende da pessoa que consegue chegar lá. Por tudo isso, o tal homem pede a ajuda de um guia hesitante e, provavelmente, não muito confiável. É mais uma história fantástica de Gaiman, sombria e com um desfecho ao mesmo tempo triste e belo.

✓ item do desafio: Um livro sobre uma maldição ou profecia




Não ficção:



Mindfulness: O diário
Corinne Sweet - Best Seller - 2015 (2014) - 230p.

Ouvi falar em mindfulness pela primeira vez em uma matéria da revista Superinteressante, do ano passado. Desde então estava sempre ouvindo falar sobre isso, até que vi este livro e achei que seria uma boa ideia aderir, já que toda ajuda está sendo bem-vinda... Mindfulness é uma técnica para lidar com o estresse e a ansiedade através de meditação simples e rápida, cujo objetivo não é isolar-se do ambiente à sua volta ou ignorar as situações, mas justamente concentrar-se neles e envolver-se ao máximo nas tarefas, para que tudo torne-se mais claro e realizável. Esse livro é um guia de consulta de meditações que podemos fazer ao longo do dia, nas diversas situações que compõem a nossa rotina: desde o momento de levantar ou ir dormir até nas tarefas como lavar a louça, organizar a casa, alimentar-se, tomar banho, aguardar em filas ou durante do trabalho. Além disso, também há dicas de como usar o mindfulness para lidar com decisões difíceis, crises de pânico e ansiedade e outras situações de pressão em que sentimos vontade de deitar em posição fetal (inclusive, deite-se!). Já testei algumas das dicas e realmente consegui meditar por cinco minutos - eu, com essa hiperatividade toda! -, então estou mais do que disposta a tentar tudo o que puder tirar daqui.





Um Teto Todo Seu
Virginia Woolf - Tordesilhas - 2014 (1928) - 190p.

Este foi uma recomendação (e depois, um presente) de uma amiga que lê coisas maravilhosas e faz questão de trazê-las pra minha vida. Trata-se de uma palestra que Virginia Woolf foi convidada a proferir no fim da década de 1920 sobre o tema "as mulheres e a ficção". A intenção era que ela falasse sobre os livros que as mulheres escreveram, ou os livros escritos sobre elas, mas aí Virginia foi pesquisar para preparar seu discurso e percebeu que praticamente não havia o que falar, pois ambos os casos eram raros. Foi aí que ela aproveitou a oportunidade para refletir por que não havia muitas mulheres escritoras e por que elas eram tão mal representadas na literatura fictícia até então. Segundo ela, a mulher precisaria de um lugar só seu e 500 libras para que pudesse se dedicar a escrever. Parece simples, mas são luxos que uma mulher não tinha e nem podia considerar ter, na época. Desenvolvendo o pensamento, os argumentos que ela reuniu são, surpreendente e infelizmente, ainda muito atuais. As mulheres já conquistaram muita independência de lá pra cá, mas continuam presas a alguns fatores que incapacitam sua liberdade intelectual. Virginia termina a conversa nos implorando para escrevermos - não só ficção, mas principalmente produção de conteúdo, para que nossas vozes sejam cada vez mais ouvidas e respeitadas. Bate até aquela culpa por nunca ter finalizado nada do que comecei a escrever, mas Virginia me convenceu de uma coisa: eu posso escrever e minha voz merece (e precisa) ser ouvida. Não importa sobre o que, mas a gente precisa fazer a nossa parte ao divulgar o que sabemos.

✓ item do desafio: Um livro que foi traduzido para sua língua



► itens eliminados do desafio, até agora: 19/48

16/04/2017

10 músicas para conhecer hoje

Sempre tenho impressão de que postei essas listas há pouco tempo, aí vou ver no arquivo e vejo que se passaram 7 meses desde a última

Gosto de postar essas sugestões de músicas para que eu mesma compare, com o tempo, o que eu gostava de ouvir antes com o que gosto de ouvir agora (claro, se alguém realmente ouve as recomendações e chega a gostar de algo, melhor ainda). Não tenho ouvido nada drasticamente diferente, nos últimos meses, mas aqui vão algumas músicas aleatórias que meu player selecionou para hoje.


Lars Frederiksen agradece a atenção



Social Distortion, I Was Wrong



And I think about my loves, well I've had a few
I'm sorry that I hurt them, did I hurt you too?
I took what I wanted, put my heart on the shelf
How can ya love me when you don't love yourself?


Por que ouvir: O Social Distortion é uma das tradicionais bandas americanas de punk rock mais celebradas até hoje. Mike Ness, o vocalista (de quem já falei pra caramba por aqui), é um cara respeitado pela cena e pelos fãs - não só por ser icônico, mas por ser basicamente um dos seres humanos mais sensacionais que habita este planeta. Fez carreira solo country, envolve a família em tudo o que faz, é apaixonado por carros antigos que ele mesmo reforma, é vegetariano e tem os cachorros mais ridículos do mundo. Só que, muito antes de descobrir que era sensacional assim, Ness passou pelos seus problemas. I Was Wrong é um hino de reconhecimento e um pedido de perdão a quem foi prejudicado por seu comportamento.


Elton John, I Want Love


I want love on my own terms
After everything I've ever learned
Me, I carry too much baggage
Oh man, I've seen so much traffic

Por que ouvir: Se não tanto pela música, que foi indicada para um Grammy, conheçam pelo vídeo, que estrela Robert Downey Jr. antes de se tornar mundialmente famoso como o Homem de Ferro (apesar de sempre ter sido um ator celebrado). Foi Sir Elton John quem quis que ele fizesse parte do vídeo, justamente por reconhecer seu talento e desejar ajudá-lo em seu pior momento (na época da gravação desse vídeo, RDJ estava em reabilitação). Esse vídeo foi o que marcou a volta definitivamente do ator aos holofotes.


Sia, Burn the Pages


Yesterday is gone and you'll be okay
Place your past into a book
Burn the pages, let 'em cook

Por que ouvir: A Sia é uma das minhas pessoas favoritas do mundo e acho que deveria ser a pessoa favorita de todos. É uma das únicas artistas pop que respeito e acho que merece mais reconhecimento do que realmente tem, pois não usa de sexualidade para vender suas músicas, que ela mesma compõe, e esconde o rosto justamente para não desviar o foco do seu trabalho, que é a música e a arte envolvida. E suas letras são sempre sobre autoaceitação e superação, pelo que sou muito grata. E ela ainda é uma pessoa maravilhosa que não me decepciono em admirar.


Rammstein, Wo bist du?



So allein will ich nicht sein
Wo bist du? Wo bist du?


Por que ouvir: O Rammstein não é minha banda alemã favorita, mas o Rosenrot é um dos meus álbuns favoritos e essa música é uma das minhas favoritas, também. Acho a letra muito fácil de aprender, então a recomendo para quem está aprendendo alemão (ou tem curiosidade) que a ouça e tente acompanhar. Chega de usar Du hast, hahah!


Noel Gallagher's High Flying Birds, The Death of You and Me


Let's run away to sea
Forever we'd be free
Free to spend our whole lives running
From people who would be
The death of you and me
'Cause I can feel the storm clouds coming


Por que ouvir: Apesar de não ser minha favorita do álbum de estreia da carreira solo do Noel, ela foi o primeiro single e ninguém sabia muito bem o que achar de tudo isso - era novidade demais de uma vez só. Mas algumas ouvidas logo me conquistaram o suficiente pra eu decidir que gostaria de ouvir mais, e esse vídeo faz parte de uma trilogia que monta uma história bem louca (os três vídeos que a compõem estão no YouTube sob o nome Ride The Tiger, para quem quiser ouvir). 


Biffy Clyro, Victory Over the Sun


We can change the world
Despite of our enemies
We're fighting on
Listen to your heart and sing!


Por que ouvir: Eu fiz uma postagem inteira sobre o Biffy Clyro, mas nunca posso recomendar demais. Essa música faz parte do que considero ser meu álbum favorito da banda, e todos os vídeos dessa época são ótimos. Este, em particular, coloca Simon Neil como líder de um culto religioso (que eu seguiria alegremente, caham). É bastante intenso e gosto bastante do final.


Streetlight Manifesto, Linoleum


Possessions never meant anything to me
I'm not crazy
Well, that's not true, I've got a bed
And a guitar and a dog named Bob who pisses on my floor
That's right, I've got a floor
So what? So what? So what?

Por que ouvir: Parte de um álbum de covers que o Streetlight Manifesto lançou há uns anos, esse é um do famoso hino da banda punk NOFX. Aqui, desaceleraram bastante a música para um quase reggae, com um arranjo bem bonito na segunda metade, com violão e violino. Segundo o próprio Toh Kay, o caos da original não mostra como a letra de Linoleum é realmente triste.


Noel Gallagher, Wonderwall


There are many things that I would like to say to you
But I don't know how
Because maybe you're gonna be the one that saves me
And after all you're my wonderwall

Por que ouvir: Primeiro, já postei Noel e não podia repetir, mas tenho um excelente motivo. Segundo, TODO MUNDO já conhece Wonderwall, mas repito: tenho um excelente motivo. Depois de ouvir a versão que Noel toca nos seus shows, vocês nunca mais vão querer ouvir o Liam cantando Wonderwall de novo (se quiserem, tudo bem, mas sério). Como foi o Noel quem a compôs, imagino que essa deva ser a melhor maneira de interpretá-la. É muito, muito mais bonita. Sou apaixonada por essa versão. Por favor, ouçam.


The Specials, Little Bitch


And the only things you want to see are kitsch
The only thing you want to be is rich
Your little pink up-pointed nose begins to twitch
I know, you know, you're just a little bitch!


Por que ouvir: Sei que poucos dos meus amigos ouve ou sequer conhece ska e isso me entristece, porque é a coisa mais divertida que eu já tive o prazer de descobrir e me faz bem pra caramba (a galera tá pulando ali e eu to pulando sentada aqui). O Specials é uma banda super celebrada da segunda-onda do ska (expliquei sobre as diferenças aqui), dos anos 70, e essa música é uma das mais conhecidas da cena; várias bandas já a regravaram. A letra é uma patada em todas aquelas pessoas desprezíveis que fazem as coisas para aparecer. Esse vídeo é da turnê de reunião do Specials, há alguns anos.


Unheilig, Stark


Auf Wiedersehen
stark wie ein Baum der in der Sonne steht
stark wie die Wolke die vorüberzieht
stark wie ein Engel der zum Himmel fliegt

Por que ouvir: Convido-os a conhecer essa elegância de homem, um alemão que não canta músicas nervosas. Vocês gostam de chorar? Essa é daquelas que podem fazer isso. E várias outras dele (eu sei que ninguém gosta de chorar, mas vejam essa coisa linda).

07/04/2017

TAG: Me dê motivo

*leia o título na voz retumbante do Tim Maia*  


Roubei daqui.





1. Motivos para o que te irrita tanto

Tudo me irrita. Tudo. TUDO. Mas o que mais tem me irritado ultimamente é o amor alheio.

"Nossa, Manu, que coisa de gente mal-amada. Isso é dor-de-cotovelo!"

Sim e sim. Mal-amada e com dor-de-cotovelo, e, apesar de já ter superado algumas das tristezas da única cagada amorosa da minha vida, outras coisas ainda me deixam tão filhadaputamente triste que eu fico com raiva por ainda me deixar abalar por isso. E aí todo mundo é obrigado a ver a minha cara de tia solteira desaprovadora da diversão alheia.

Eu sempre fui indiferente a fotos fofas de casais nas redes sociais, demonstrações públicas de afeto e cenas românticas em livros e filmes, mas, de uns meses pra cá, tá sendo insuportável ser bombardeada de todo lado pelo sucesso emocional da humanidade. Eu estou num processo muito, muito lento de recuperação, mas já consegui parar de chorar todo dia, o que é um avanço. Mas ver gente passeando de mãos dadas, coraçõezinhos no Facebook, relacionamentos cheios de obstáculos funcionando porque as pessoas se gostam de verdade e adolescentes descobrindo o amor como se fosse a coisa mais importante do enredo me faz mal, fisicamente. Eu fico tão triste que tenho que segurar o choro em público e isso me dá vontade de vomitar. Aí fico irritada e começo a ter raiva do mundo. Eu sei que preciso de ajuda.


2. Motivos para você se importar tanto com aquilo

Eu me importo muito com a representatividade assexual. Procuro compartilhar sempre que vejo algo importante sobre o assunto, mas está tudo geralmente em inglês e acabo deixando pra lá porque sei que pouca gente vai acessar. Já postei sobre o assunto por aqui algumas vezes e gostaria de poder fazer muito mais, mas tenho receio de ser conhecida como uma "militante alienada que enfiou uma palavra nova na cabeça e tá confundindo as pessoas que precisam de ajuda psicológica". 

Não vou mais explicar o que é (vocês podem ler aqui nas minhas palavras), mas me importo com isso justamente porque: a) Toda palavra já foi nova um dia, não é? Palavras são inventadas para designar coisas e conceitos. Ter uma palavra para isso é importante porque agrupa pessoas que se sentem da mesma forma e as colocam em uma comunidade onde todos se reconhecem como iguais; b) ser assexual é de uma dificuldade tão nojenta nessa sociedade tão sexual que eu me preocupo, sim, com a nossa representatividade. A gente precisa parar de retratado como "virjões" fracassados e socialmente esquisitos que não têm companheiros porque "não conseguem", como se sexo fosse a fase mais importante do grande videogame que é a vida. A gente precisa parar de ser retratado como infantis e imaturos que precisam de ajuda para "quebrar barreiras" ou "superar traumas". Precisamos parar de receber propostas de estupro ou relações homossexuais para "descobrir que gostam, sim, só não conheceram a pessoa certa". E, não menos importante, precisamos parar de ser chamados de "assexuados", porque essa palavra errada passa uma informação completamente inválida sobre o que somos e, sério, tenho vontade de jogar um livro de biologia e um dicionário na cabeça de quem solta essa merda.


3. Motivos para aquela coisa ser tão complicada

"Mas hoje em dia tá tão fácil viajar pros EUA, as passagens são mais baratas/ você pode parcelar/ o seu inglês é ótimo/ você tem cara de gringa".

Só que nada disso me garante conseguir tirar o visto americano.

Duas coisas que são essenciais para tirar o documento são: comprovação de vínculo com o Brasil e comprovação de renda. Não tenho nenhum dos dois e nenhuma das outras maravilhosas qualidades que eu possa ter compensa a falta desses dois documentos. Vou falar, ser freelancer é sensacional em vários quesitos, menos no financeiro. Não ter comprovação de renda barra muita coisa legal nessa vida, e não ter comprovação de vínculo (mais conhecido como "um bom motivo pra voltar pra casa e não querer morar ilegalmente por aqui") é um "não" garantido do consulado.

Claro, há sempre a Europa, que até prefiro. Sonho com a Europa, inclusive. Infelizmente, é bem mais caro ir pra lá. Tipo, BEM mais. Isso exige um cofrinho à parte com muitos anos de dedicação...


4. Os melhores motivos para trabalhar na sua área

Qual é a minha área, afinal? Hahahah

Bom, tradução, então. Vamos lá. O trabalho é geralmente freelancer em home office, então há as vantagens dos horários flexíveis e de trabalhar em casa, de pijama e despenteado. É uma oportunidade de constante aprimoramento da própria língua e da língua estrangeira de escolha. Pode trazer um certo status, dependendo do serviço prestado, e até render um bom dinheiro em pouco tempo, se houver a oportunidade (pode-se até receber em dólares ou qualquer outra moeda estrangeira, já que dá para prestar serviços internacionalmente). E, pô, é chique falar que é tradutor. Menos quando perguntam se precisa estudar pra isso.


5. Motivos para ter comprado aquela coisa boba

Eu comprei um colar de esqueleto de T. Rex. Eu tenho certeza de que nunca vou usá-lo. Mas foi tão baratinho e é um troço tão sensacional que vi e tive certeza de que precisava daquilo na minha vida. Eu amo dinossauros, não tem motivo melhor que esse.

fala sério!


.


Só queria aproveitar a vibe e ainda dizer que

PODE CRER, VOCÊ PÔS TUDO A PERDER

Tchau.