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Desafio de Leitura 2017: Segundo relatório

Estou avançando bem com o desafio, acho possível que eu consiga terminá-lo, dessa vez! Ou não! Quem sabe que distrações aparecerão... :P 

Listei tudo mais ou menos pela ordem em que fui lendo, então acho que não está muito organizado. Mas dá pra entender.


▼▼▼▼▼

Ficção:





O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Ransom Riggs - Leya - 2015 (2011) - 336p.
Cidade dos Etéreos
Ransom Riggs - Intrínseca - 2016 (2014) - 383p.
Biblioteca de Almas
Ransom Riggs - Intrínseca - 2016 (2015) - 416p.


Não é maravilhoso quando você lê um livro que adora, e aí lê sua continuação e ela é tão boa quanto o primeiro livro, e depois o final da série, que é igualmente incrível, e você fica com todo aquele amor preenchendo o peito e aquela sensação de gratidão por ter podido conhecer um universo tão bonito, tão bem escrito, saído de uma imaginação tão pura e fantástica? Essa série me conquistou tanto que quero recomendá-la a todo mundo, mas nada do que eu diga vai ser bom o suficiente pra descrever o quanto esse universo peculiar é imperdível. A partir de fotos reais antigas e bizarras que pertencem a diversos colecionadores e que ilustram os livros, o autor criou todo esse universo de pessoas peculiares: gente com habilidades especiais, úteis ou perigosas, aparentes ou não, que, a princípio, viviam em harmonia com as pessoas normais. Com o passar das eras e o aumento do medo humano que leva ao preconceito e à violência, esses peculiares precisaram se esconder e viver em isolamento para sobreviverem - isolamento não apenas espacial como temporal. Guardados por ymbrynes, os peculiares vivem em diversas fendas temporais espalhadas pelo mundo, revivendo sempre o mesmo dia. A consequência disso é que eles nunca envelhecem, ficando presos no mesmo local com a mesma idade, mas estão protegidos dos normais e também de criaturas que os caçam, chamadas etéreos (que são monstros nojentos e assustadores) e acólitos (que são peculiares maus, pra resumir tudo). Jacob, o protagonista, cresceu ouvindo essas histórias de seu avô e vendo as fotos de crianças peculiares que ele dizia serem seus amigos, quando ele era criança e vivia em um orfanato em uma ilha do distante País de Gales. Conforme Jacob cresce, para de acreditar nas histórias de seu avô, acreditando que eram alegorias para os horrores que ele havia vivido na guerra. Quando seu avô morre de forma terrível, porém, Jacob começa a ter dúvidas sobre o que era realmente história e o que era verdade, e segue em uma aventura em busca do tal orfanato e os amigos peculiares do avô. Não posso contar muito mais além disso, por isso recomendo que leiam e se divirtam com uma fantasia muito bem escrita e um universo deliciosamente imaginativo e belo. O filme do ano passado, dirigido por Tim Burton, fez muito sucesso, mas, infelizmente, tem pouquíssimo a ver com a obra original. Se vocês viram o filme e gostaram, garanto que vão gostar muito mais dos livros.


✓ item do desafio: Um livro ambientado em uma cidade pequena
✓ item do desafio: O segundo livro de uma série
✓ item do desafio: Um livro sobre viagem no tempo





Contos Peculiares
Ransom Riggs & Andrew Davidson - Intrínseca - 2016 - 208p.

Contos Peculiares é um livro que teve papel fundamental na série das Crianças Peculiares e que foi, portanto, lançado para que nós também pudéssemos lê-lo. Organizado por Millard Nullings, o peculiar invisível e erudito do orfanato da srta. Peregrine, essa versão traz apenas alguns dos muitos contos sobre peculiares do mundo todo ao longo de toda a história da humanidade. São histórias a respeito de suas habilidades e como elas foram bênçãos ou maldições, mas, principalmente, sobre como todas essas pessoas levaram uma vida solitária e injusta por causa do preconceito e incompreensão das outras pessoas. O livro é todo muito bonito, tanto pelas suas belas histórias que são tão diversas e maravilhosamente narradas (eu ainda estou muito apaixonada por tudo) quanto pelas ilustrações e toda a diagramação geral. Estou muito feliz de ter conhecido esse universo peculiar e espero que muitos queiram conhecê-lo, também.

✓ item do desafio: Um livro sobre poderes sobrenaturais





Felizmente, O Leite
Neil Gaiman & Skottie Young - Rocco - 2016 (2013) - 128p.

Um pai sai para comprar leite para o café da manhã dos filhos e, a partir daí, todo tipo de maluquice acontece no caminho: aliens, piratas, wumpiros, viagens espaciais, paradoxos temporais, o que quer que possa ser imaginado (especialmente o que não puder ser). Ainda não tinha tido oportunidade de ler os livros infantis de Gaiman. Comecei por este e não me arrependi por um segundo de leitura; é igualmente criativo e fantástico, uma história maluca e completamente imprevisível, muito divertida. Os personagens são muito cativantes, especialmente meu favorito, Dr. Steg. As ilustrações de Young complementam a história e são parte importante do desfecho. Pra ler de uma vez só.

✓ item do desafio: Um livro com piratas




Sete Minutos Depois da Meia-Noite
Patrick Ness - Novo Conceito - 2016 (2011) - 157p.

Vi este em um sorteio pelo Skoob que acabei não participando por não ter me encantado muito pela sinopse (bullying, mãe doente, toda aquela tragédia que eu prefiro evitar). Aí minha mãe acabou comprando o livro sem eu saber, então o li quando procurava por uma leitura rápida e me surpreendi. Foi, até agora, uma das minhas leituras favoritas do ano; uma bela história, graciosamente contada, cujos elementos fantásticos intrigam e divertem, mesmo que o tom geral seja triste o suficiente pra arrancar umas boas lágrimas. O protagonista, Conor, é um menino de 13 anos que vive sozinho com a mãe, que está sob tratamento pesado de saúde (sua doença nunca é mencionada pelo nome, mas imagino que seja leucemia). Um dos dramas de sua vida, além disso e do fato ser vítima de bullying na escola, é saber que logo precisará morar com outra pessoa. Seu pai, que vive nos Estados Unidos com a nova família, é bastante ausente, e sua avó nunca foi carinhosa com ele e sua relação sempre foi complicada. No meio de todos esses problemas, Conor tem um pesadelo recorrente muito vívido que o acorda todas as noites à meia-noite e sete, e aí recebe uma visita, no mínimo, perturbadora. O filme, lançado no ano passado e com um elenco excelente, é igualmente bonito e vale muito ser visto (mesmo sem ter lido o livro antes, já que foi fidelíssimo). Maravilhoso!

✓ item do desafio: Um livro que você descobriu pelo Skoob/GoodReads








Divergente
Veronica Roth - Rocco - 2012 (2011) - 502p.
Insurgente
Veronica Roth - Rocco - 2013 (2012) - 511p.
Convergente
Veronica Roth - Rocco - 2013 (2014) - 526p.


Li a trilogia por indicação (e certa insistência) da minha irmã, que gosta muito da história. Embora eu goste muito de distopias e também de várias séries juvenis (agora chamadas de YA), essa série não me conquistou logo de cara. Achei a narrativa do primeiro livro, especialmente, meio pobre. Ele é todo sobre a protagonista, pouco interessante até o segundo livro e de quem demorei para gostar; e dá pouca atenção ao enredo, que só vai começar a tomar forma, realmente, no segundo livro. Imagino que seja o problema de ler literatura juvenil aos 30 anos, mas sei que eu também não me sentiria confortável lendo isso na "idade certa" - é difícil me identificar com adolescentes de 16 que não são absolutamente nada parecidas comigo nessa idade. Beatrice vive em uma Chicago futurista que não se parece em nada com o mundo como o conhecemos hoje. Na sua época, a população é dividida em facções segundo suas características mais marcantes de personalidade: Audácia, Erudição, Franqueza, Amizade ou Abnegação. Aos 16, os jovens devem passar por um teste de aptidão que determina a qual facção pertencem, mas são livres para escolher ficar onde acharem melhor, desde que não mudem de ideia (a punição para desistir da escolha é virar um sem-facção, que é tabu na sociedade). Beatrice, é claro, teve resultados ambíguos no seu teste e decidiu ir para uma facção completamente oposta à sua, longe da família e onde é difícil fazer amigos. Apesar de dar uma ideia geral da Grande Treta que é enredo principal da trilogia (que, a princípio, parece ser uma guerra entre facções, mas depois vimos que é até mais que isso), o primeiro livro é todo sobre essa adaptação da protagonista a uma nova vida, o que realmente não fará muita diferença mais pra frente. O segundo livro me prendeu mais, pois as coisas começaram a (e nunca paravam de) acontecer e Beatrice se tornou uma personagem mais interessante. O terceiro esclarece um monte de coisas da história e muda praticamente tudo o que lemos até então, e ainda tem a novidade da narrativa intercalada com outro protagonista, o que nos confunde um pouco, até nos acostumarmos. Entendo por que a autora escolheu escrever esse último livro assim (não tenho como explicar sem dar um spoiler), mas fiquei com a impressão de que ela foi mudando de ideia sobre um monte de coisas na própria história enquanto a ia escrevendo, então algumas soluções ficaram meio forçadas. Enfim, essas são as minhas ressalvas para o público mais velho que possa vir a se interessar pelo enredo, talvez depois de ter visto os filmes. É uma leitura de entretenimento sem grandes desafios, com bastante ação e pouco para pensar a respeito. Se você tem paciência para interrupções no enredo para as muitas "pegações" entre os protagonistas, descritas com mais detalhes do que o necessário (vamos alimentar os hormônios adolescentes, certo?), talvez vocês gostem dos livros mais do que eu.


✓ item do desafio: Um livro ambientado no futuro
✓ item do desafio: Um livro com mais de 500 páginas
✓ item do desafio: Um livro com uma heroína forte




Quatro: Histórias da série Divergente
Veronica Roth - Rocco - 2014 - 271p.

Este aqui é uma coleção de histórias que a autora lançou sobre o outro protagonista, Quatro - sobre sua origem e algumas cenas da série recontadas a partir do ponto de vista dele. Ela conta, na introdução, que ele seria o protagonista original da série, até que ela pensou melhor e o substituiu pela Tris, mais carismática. Não liguei muito para o Quatro, lendo a série, porque não há muito desenvolvimento do seu personagem. Ele é bastante caricato, geralmente grosseiro sem motivo além de "ser um membro da Audácia" e o romance entre os dois também não me conquistou (que romance me conquista, afinal? haha). Mas, aqui, a autora teve chance de trabalhar melhor o personagem, então cheguei a simpatizar com o Quatro - mais do que com a Tris, até. Tris me pareceu uma entediada que trocou de facção só porque queria saber como seria, enquanto Quatro o fez por motivos que o forçaram a tomar uma decisão corajosa. Bom, imagino que seja questão de identificação. É difícil eu indicar uma leitura com tantas ressalvas, mas essas são todas as minhas opiniões sobre Divergente. Não é nada que eu considere indispensável e não está entre minhas leituras favoritas, mas a evolução da escritora é bem evidente, no decorrer dos livros, então vale dar uma chance.

✓ item do desafio: Um livro cujo título tenha apenas uma palavra




A Verdade é uma Caverna nas Montanhas Negras
Neil Gaiman & Eddie Campbell - Intrínseca - 2015 (2014) - 80p.

Este eu tinha comprado em ebook, mas acabei ganhando o livro físico um tempo depois; e é um caso em que realmente recomendo que procurem a versão física, pois ele tem uma diagramação toda mesclada entre romance e graphic novel que vale a pena poder ler com toda a atenção que merece. Neste conto ambientado na Escócia, Gaiman narra a busca de um homenzinho misterioso por um tesouro escondido em uma caverna distante e de fama sobrenatural. Diz a lenda que quem entra na caverna pode levar todo o ouro que conseguir carregar, mas deixa alguma coisa para trás que nunca mais poderá recuperar - o que é, depende da pessoa que consegue chegar lá. Por tudo isso, o tal homem pede a ajuda de um guia hesitante e, provavelmente, não muito confiável. É mais uma história fantástica de Gaiman, sombria e com um desfecho ao mesmo tempo triste e belo.

✓ item do desafio: Um livro sobre uma maldição ou profecia




Não ficção:



Mindfulness: O diário
Corinne Sweet - Best Seller - 2015 (2014) - 230p.

Ouvi falar em mindfulness pela primeira vez em uma matéria da revista Superinteressante, do ano passado. Desde então estava sempre ouvindo falar sobre isso, até que vi este livro e achei que seria uma boa ideia aderir, já que toda ajuda está sendo bem-vinda... Mindfulness é uma técnica para lidar com o estresse e a ansiedade através de meditação simples e rápida, cujo objetivo não é isolar-se do ambiente à sua volta ou ignorar as situações, mas justamente concentrar-se neles e envolver-se ao máximo nas tarefas, para que tudo torne-se mais claro e realizável. Esse livro é um guia de consulta de meditações que podemos fazer ao longo do dia, nas diversas situações que compõem a nossa rotina: desde o momento de levantar ou ir dormir até nas tarefas como lavar a louça, organizar a casa, alimentar-se, tomar banho, aguardar em filas ou durante do trabalho. Além disso, também há dicas de como usar o mindfulness para lidar com decisões difíceis, crises de pânico e ansiedade e outras situações de pressão em que sentimos vontade de deitar em posição fetal (inclusive, deite-se!). Já testei algumas das dicas e realmente consegui meditar por cinco minutos - eu, com essa hiperatividade toda! -, então estou mais do que disposta a tentar tudo o que puder tirar daqui.





Um Teto Todo Seu
Virginia Woolf - Tordesilhas - 2014 (1928) - 190p.

Este foi uma recomendação (e depois, um presente) de uma amiga que lê coisas maravilhosas e faz questão de trazê-las pra minha vida. Trata-se de uma palestra que Virginia Woolf foi convidada a proferir no fim da década de 1920 sobre o tema "as mulheres e a ficção". A intenção era que ela falasse sobre os livros que as mulheres escreveram, ou os livros escritos sobre elas, mas aí Virginia foi pesquisar para preparar seu discurso e percebeu que praticamente não havia o que falar, pois ambos os casos eram raros. Foi aí que ela aproveitou a oportunidade para refletir por que não havia muitas mulheres escritoras e por que elas eram tão mal representadas na literatura fictícia até então. Segundo ela, a mulher precisaria de um lugar só seu e 500 libras para que pudesse se dedicar a escrever. Parece simples, mas são luxos que uma mulher não tinha e nem podia considerar ter, na época. Desenvolvendo o pensamento, os argumentos que ela reuniu são, surpreendente e infelizmente, ainda muito atuais. As mulheres já conquistaram muita independência de lá pra cá, mas continuam presas a alguns fatores que incapacitam sua liberdade intelectual. Virginia termina a conversa nos implorando para escrevermos - não só ficção, mas principalmente produção de conteúdo, para que nossas vozes sejam cada vez mais ouvidas e respeitadas. Bate até aquela culpa por nunca ter finalizado nada do que comecei a escrever, mas Virginia me convenceu de uma coisa: eu posso escrever e minha voz merece (e precisa) ser ouvida. Não importa sobre o que, mas a gente precisa fazer a nossa parte ao divulgar o que sabemos.

✓ item do desafio: Um livro que foi traduzido para sua língua



► itens eliminados do desafio, até agora: 19/48

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