07/04/2017

TAG: Me dê motivo

*leia o título na voz retumbante do Tim Maia*  


Roubei daqui.





1. Motivos para o que te irrita tanto

Tudo me irrita. Tudo. TUDO. Mas o que mais tem me irritado ultimamente é o amor alheio.

"Nossa, Manu, que coisa de gente mal-amada. Isso é dor-de-cotovelo!"

Sim e sim. Mal-amada e com dor-de-cotovelo, e, apesar de já ter superado algumas das tristezas da única cagada amorosa da minha vida, outras coisas ainda me deixam tão filhadaputamente triste que eu fico com raiva por ainda me deixar abalar por isso. E aí todo mundo é obrigado a ver a minha cara de tia solteira desaprovadora da diversão alheia.

Eu sempre fui indiferente a fotos fofas de casais nas redes sociais, demonstrações públicas de afeto e cenas românticas em livros e filmes, mas, de uns meses pra cá, tá sendo insuportável ser bombardeada de todo lado pelo sucesso emocional da humanidade. Eu estou num processo muito, muito lento de recuperação, mas já consegui parar de chorar todo dia, o que é um avanço. Mas ver gente passeando de mãos dadas, coraçõezinhos no Facebook, relacionamentos cheios de obstáculos funcionando porque as pessoas se gostam de verdade e adolescentes descobrindo o amor como se fosse a coisa mais importante do enredo me faz mal, fisicamente. Eu fico tão triste que tenho que segurar o choro em público e isso me dá vontade de vomitar. Aí fico irritada e começo a ter raiva do mundo. Eu sei que preciso de ajuda.


2. Motivos para você se importar tanto com aquilo

Eu me importo muito com a representatividade assexual. Procuro compartilhar sempre que vejo algo importante sobre o assunto, mas está tudo geralmente em inglês e acabo deixando pra lá porque sei que pouca gente vai acessar. Já postei sobre o assunto por aqui algumas vezes e gostaria de poder fazer muito mais, mas tenho receio de ser conhecida como uma "militante alienada que enfiou uma palavra nova na cabeça e tá confundindo as pessoas que precisam de ajuda psicológica". 

Não vou mais explicar o que é (vocês podem ler aqui nas minhas palavras), mas me importo com isso justamente porque: a) Toda palavra já foi nova um dia, não é? Palavras são inventadas para designar coisas e conceitos. Ter uma palavra para isso é importante porque agrupa pessoas que se sentem da mesma forma e as colocam em uma comunidade onde todos se reconhecem como iguais; b) ser assexual é de uma dificuldade tão nojenta nessa sociedade tão sexual que eu me preocupo, sim, com a nossa representatividade. A gente precisa parar de retratado como "virjões" fracassados e socialmente esquisitos que não têm companheiros porque "não conseguem", como se sexo fosse a fase mais importante do grande videogame que é a vida. A gente precisa parar de ser retratado como infantis e imaturos que precisam de ajuda para "quebrar barreiras" ou "superar traumas". Precisamos parar de receber propostas de estupro ou relações homossexuais para "descobrir que gostam, sim, só não conheceram a pessoa certa". E, não menos importante, precisamos parar de ser chamados de "assexuados", porque essa palavra errada passa uma informação completamente inválida sobre o que somos e, sério, tenho vontade de jogar um livro de biologia e um dicionário na cabeça de quem solta essa merda.


3. Motivos para aquela coisa ser tão complicada

"Mas hoje em dia tá tão fácil viajar pros EUA, as passagens são mais baratas/ você pode parcelar/ o seu inglês é ótimo/ você tem cara de gringa".

Só que nada disso me garante conseguir tirar o visto americano.

Duas coisas que são essenciais para tirar o documento são: comprovação de vínculo com o Brasil e comprovação de renda. Não tenho nenhum dos dois e nenhuma das outras maravilhosas qualidades que eu possa ter compensa a falta desses dois documentos. Vou falar, ser freelancer é sensacional em vários quesitos, menos no financeiro. Não ter comprovação de renda barra muita coisa legal nessa vida, e não ter comprovação de vínculo (mais conhecido como "um bom motivo pra voltar pra casa e não querer morar ilegalmente por aqui") é um "não" garantido do consulado.

Claro, há sempre a Europa, que até prefiro. Sonho com a Europa, inclusive. Infelizmente, é bem mais caro ir pra lá. Tipo, BEM mais. Isso exige um cofrinho à parte com muitos anos de dedicação...


4. Os melhores motivos para trabalhar na sua área

Qual é a minha área, afinal? Hahahah

Bom, tradução, então. Vamos lá. O trabalho é geralmente freelancer em home office, então há as vantagens dos horários flexíveis e de trabalhar em casa, de pijama e despenteado. É uma oportunidade de constante aprimoramento da própria língua e da língua estrangeira de escolha. Pode trazer um certo status, dependendo do serviço prestado, e até render um bom dinheiro em pouco tempo, se houver a oportunidade (pode-se até receber em dólares ou qualquer outra moeda estrangeira, já que dá para prestar serviços internacionalmente). E, pô, é chique falar que é tradutor. Menos quando perguntam se precisa estudar pra isso.


5. Motivos para ter comprado aquela coisa boba

Eu comprei um colar de esqueleto de T. Rex. Eu tenho certeza de que nunca vou usá-lo. Mas foi tão baratinho e é um troço tão sensacional que vi e tive certeza de que precisava daquilo na minha vida. Eu amo dinossauros, não tem motivo melhor que esse.

fala sério!


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Só queria aproveitar a vibe e ainda dizer que

PODE CRER, VOCÊ PÔS TUDO A PERDER

Tchau.