30/06/2017

Desafio de Leitura 2017: Terceiro relatório

Trabalhei muito nos últimos meses e achei que não teria tanto tempo de ler, mas tantas filas de espera no dentista me deram tempo de usar mais o Kindle, então acabei dando uma acelerada na leitura e no desafio. Tomei a liberdade de dar uma "roubada" no item "Um livro de um autor que tenha o seu primeiro nome" porque, convenhamos...



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Ficção:



Ás na Manga
V.A. - LeYa - 2017 (1989) - 384p.

Sexto volume da série Wild Cards, que todos a essas alturas já sabem ser uma das minhas coisas favoritas na vida. Ainda assim, esse volume não foi dos meus favoritos; tive que dar uma empurradinha na leitura até finalmente começar a me interessar pela história. Nesse aqui, o enredo está focado nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 1988. Dois dos candidatos são o reverendo Leo Barnett, de visão considerada extremista no que diz respeito aos infectados pelo carta selvagem, e o senador Gregg Hartmann, a aposta de todos os ases e curingas para um futuro melhor no país. Entretanto, o senador esconde o segredo de ser um ás - um muito poderoso - e a revelação desse segredo pode arruinar sua carreira política. Apesar de ser uma história bem violenta e muita coisa acontecer lá pro final, achei difícil acompanhá-la bem justamente pela parte política envolvida: o sistema eleitoral dos EUA é bastante confuso e, como não o entendo muito bem, fiquei "boiando" em vários trechos onde entender isso era importante para perceber a gravidade dos acontecimentos. E, também, não envolveu nenhum dos meus personagens favoritos (com exceção do Dr. Tachyon), então, de maneira geral, foi um pouco desinteressante pra mim. Mas não me tirou a vontade de continuar acompanhando.

✓ item do desafio: Um livro com personagens não-humanos





A Mão do Homem Morto
George R.R. Martin & John J. Miller - LeYa - 2017 (1990) - 336p.

Acabei fazendo a resenha deste separadamente do anterior porque achei que não o leria a tempo de publicar o relatório, mas esse volume foi TÃO mais legal que o outro que li rapidinho! A história é paralela à do volume 6, então os capítulos são separados nos exatos mesmos dias do outro, mas com foco nas investigações do assassinato da importante curinga cujo nome não direi por motivos de spoiler mas que está bem evidente na capa, se você acompanha a série. Os personagens principais aqui são o ás detetive Jay 'Poppinjay' Ackroyd e o limpo Yeoman, o arqueiro justiceiro. Ambos investigam esse assassinato por motivos próprios, mas cada pista parece afastá-los mais de descobrirem realmente quem seria capaz de cometê-lo e por que motivo. É um suspense policial que me prendeu muito, se conecta ao volume anterior de várias maneiras, tem bastante ação e mais personagens interessantes, além das revelações inesperadas. Espero que a LeYa lance mais vezes os volumes restantes ao mesmo tempo, como fez com esses dois últimos. Tá uma novela sensacional! (Ah, não façam como eu e não percam tempo pensando sobre a tal mão do tal homem morto... É um termo do pôquer, como os demais títulos hahahah)




Loney
Andrew Michael Hurley - Intrínseca - 2016 (2014) - 304p.

O livro de estreia do autor está com uma nota bem ruinzinha no Skoob e isso, por um momento, me tirou um pouco da vontade de lê-lo. Aí logo me lembrei que a maior parte dos usuários do site é de adolescentes e essa faixa etária tem um padrão diverso de gosto para livros de terror - prefere violência, ação e tripas pra todos os lados -, considerando os suspenses psicológicos "chatos". Loney é a narração das memórias de um homem a respeito de um acontecimento estranho de 30 anos atrás no lugar que dá nome ao livro. O narrador conta sobre o irmão mais velho que tinha problemas mentais e cuja família e respectivos amigos, quase fanáticos religiosos, faziam peregrinação todos os anos para o Loney a fim de visitar o santuário local em busca de uma cura para o rapaz. A última visita ao local, três anos antes dos eventos narrados, já havia perturbado o velho padre que sempre os acompanhava, e a visita mais recente foi afetada por isso e vários outros fatores estranhos. O livro pode frustrar por falar muito sobre os ritos católicos (entendo quem se irritou com isso, mas não cheguei a me incomodar porque tudo me é bastante familiar) e, também, por dar muitas descrições do lugar e do ambiente. O narrador justifica o fato de ser detalhista a respeito dos acontecimentos e acho, sinceramente, que todas as descrições enriqueceram bastante a ambientação dos fatos. Outra coisa considerada frustrante pelos leitores é que o final acabou não explicando muita coisa. Vamos esclarecer um ponto importante sobre narrativas: o problema das narrações em primeira pessoa é que a gente só tem como saber o quanto o narrador sabe. O livro é cheio de mistério e vai deixando a gente tenso e curioso pra resolver todas aquelas coisas estranhas (li com a minha mãe e a gente ficava um tempão discutindo teorias sobre tudo), mas muita coisa fica por conta da nossa imaginação. E não acho que isso seja ruim. Acho que um bom livro de suspense ou terror tem que fazer a gente pensar um pouquinho, ficar encucado, refletir. Eu gostei.

✓ item do desafio: Um livro que recebeu críticas negativas




Welcome to Night Vale
Joseph Fink & Jeffrey Cranor - Intrínseca - 2016 (2015) - 336p.

Conheci o universo de Night Vale quando ainda usava o Twitter e seguia a conta deles por lá, embora nunca tenha ouvido o podcast original, até então. As atualizações sobre a cidade fictícia eram bizarras e absurdas, exatamente como meu tipo favorito de humor. Quando soube que iam lançar o livro, já soube que iria querer ler e gostei muito dele. Em algum lugar nos desertos da Califórnia fica a cidade de Night Vale - um lugar isolado e peculiar onde as coisas mais absurdas acontecem e ninguém estranha, de fato. Os habitantes, nem sempre 100% humanos, são constantemente e explicitamente vigiados pelo Governo Mundial; luzes estranhas aparecem pelo céu todas as noites; cientistas habitam aos montes um bairro da cidade e fazem experimentos sem sentido, e o tempo nem mesmo funciona igual pra todo mundo em Night Vale. Ainda assim, certo dia chega um homem estranho à cidade, e aí as coisas começaram a ficar realmente esquisitas - esquisitas fora do padrão de esquisitice a que todos estão acostumados. Pra quem gosta desse tipo de humor (característico, por exemplo, de O Guia do Mochileiro das Galáxias com um toque de Lemony Snicket), este é um livro muito divertido. O podcast, para quem quiser conhecer, está todo disponível no Spotify, em inglês. 

✓ item do desafio: Um livro com capa roxa






Uma História Incomum Sobre Livros e Magia
Lisa Papademetriou - Arqueiro - 2016 (2015) - 192p.

Apesar de ter sido bastante divulgado nas redes quando foi lançado, ainda assim peguei esse livro "no escuro" em uma promoção em uma Americanas daqui. A sinopse na aba estava inacessível pela embalagem e a contracapa só contava com as resenhas vagas da crítica, mas todo livro que tem a ver com livros acaba me chamando a atenção, então dei uma chance e achei este um dos juvenis mais legais que já li! As protagonistas são Kai e Leila, que não se conhecem e estão em lados opostos do planeta - Kai em uma cidade no interior do Texas e Leila visitando a família do pai no Paquistão. Simultaneamente, ambas encontram um livro bastante peculiar: O Cadáver Excêntrico, da autoria de um Ralph Flabbergast. Era um livro antigo e muito bonito, mas estava todo em branco. Intrigadas, cada uma lidou com o livro à sua maneira... e logo descobriram que ele reagia a o que quer que elas fizessem a ele, ou seja, sua história se escrevia sozinha conforme elas interagiam. A história de Ralph conecta as duas meninas, que vivem suas próprias aventuras: Kai com a tia-avó moderninha e uma amiga lepidopterologista, e Leila descobrindo toda a cultura diferente do Paquistão. Gostei muito das protagonistas (Kai é talentosa, mas reservada e insegura, e Leila não é brilhante, mas é criativa e romântica) e dos elementos pouco usuais do enredo (curiosidades sobre lepidopterologia, que é o estudo de borboletas e mariposas, e sobre o Paquistão, sobre o qual a autora discorre com segurança, por conhecer bem o país). Uma leitura rápida, muito gostosa e cheia de coisas boas pra aproveitar.




George e a Caça ao Tesouro Cósmico
Lucy & Stephen Hawking - Ediouro - 2010 (2009) - 309p.

Dos pequenos tesouros que encontramos nas feiras de livros no shopping! Várias coisas me chamaram a atenção aqui, tipo Stephen Hawking e sua filha escrevendo livros juvenis e, por algum motivo, este ser grosso, colorido e cheio de fotografias e só custar 10 reais. Este aqui é o segundo mas, pelo que entendi, não é uma continuação da primeira história (que ainda não li), apesar de ser com os mesmos personagens. De qualquer forma, ele dá uma boa ideia do assunto do anterior, então a gente não fica perdido na história. George é um garoto comum com amigos especiais: seus pais são ecologistas, mas seus vizinhos são cientistas. Annie, filha deles e sua melhor amiga, está se mudando com a família para os EUA porque o pai vai trabalhar numa missão da NASA. Logo, George é convidado para uma viagem de férias porque Annie acredita ter recebido uma mensagem alienígena através de Cosmos, seu supercomputador que é capaz de abrir portais para qualquer lugar do Universo. Ela quer que eles façam Cosmos funcionar novamente e ir atrás da pista da mensagem que, sim, está no espaço. Apesar de o enredo não ser nada muito complicado, visto que é voltado para um público bastante jovem, a graça do livro está nas várias explicações científicas que os autores conseguem encaixar na história, em diálogos e exemplos, mas principalmente com a inserção de vários artigos escritos por cientistas renomados da atualidade em linguagem muito simples (Eric, pai de Annie, é o próprio Stephen Hawking, inclusive), além de várias fotografias maravilhosas do espaço. Uma aula básica excelente sobre missões cósmicas, vida de astronauta, o Universo e o nosso Sistema Solar e uma leitura definitivamente recomendada para quem quer introduzir as maravilhas da Astronomia para jovens de qualquer idade.

✓ item do desafio: Um livro ambientado fora da Terra





Matrimônio do Céu e do Inferno
William Blake - Madras - 2004 (1790-3) - 59p.

"Se o tolo persistisse em sua tolice, ele se tornaria sábio. A tolice é o disfarce da patifaria. A Vergonha é o disfarce do Orgulho."

Salas de espera de dentistas são dos melhores lugares para aproveitar tudo o que a gente acumula no Kindle e acaba esquecendo de ler. Mas este era um que eu preferia ter lido em livro físico, na verdade, porque se trata de ilustrações e iluminuras de William Blake e teria sido bem legal ver tudo em tamanho maior e colorido (não sei se a edição impressa é em cores). Mas é uma história curta e perturbadora, escrita em uma imitação das profecias bíblicas e inspirado por Dante no sentido em que se trata de um poeta que visita o inferno, mas de cunho mais revolucionário. Segundo ele, o inferno não é um lugar de punição, mas onde fica toda a energia contrária ao aceitável no paraíso. Uma das partes mais memoráveis do livro é os Provérbios do Inferno, bastante provocativos. Destaquei várias partes dele e acho que preciso reler para descobrir outras que posso gostar também.

✓ item do desafio: Um livro com um dragão





Folhas Caídas
Almeida Garrett - Projecto Adamastor - 2013 (1853) - 150p.

"A grande ventura é esta?
Vale a pena vir à festa
E vale a pena viver.
Como então quis a tristura
Do meu viver isolado!
Fique-se embora a ventura,
Que eu quero ser desgraçado."

Procuro ler os clássicos sempre que tenho oportunidade, especialmente poesia, que conheço pouco e estou tentando gostar mais. Almeida Garrett (aos que ainda têm dúvida: não é /garrê/ nem /gárret/; pronuncia-se /garrét/) é um daqueles ícones sobre quem aprendemos na escola e depois nunca mais procuramos conhecer melhor. Quis conhecê-lo além do verso "Este inferno de amar - como eu amo!", então, com este livro, conheci vários outros poemas que gostei. Mas ainda acho que foi pouco para que eu realmente me apegasse ao português como eu esperava (meu velho problema com a temática romântica), então quero ler outras de suas obras e ver o que mais ele fazia. 

✓ item do desafio: Um livro de poemas




Meu Quintal é Maior do Que o Mundo
Manoel de Barros - Alfaguara - 2015 - 168p.

"As coisas jogadas fora têm grande importância - como um homem jogado fora
Aliás é também objeto de poesia saber qual o período médio que um homem jogado fora pode permanecer na terra sem nascerem em sua boca as raízes da escória."

Outra antologia poética que tive oportunidade de ler pelo Kindle. Manoel de Barros teve uma vida longa e uma carreira prolífica e premiada, mas eu nunca li muito dele, também. Até estranhei o teor de alguns de seus poemas, quando paro pra pensar que o homem também era autor de livros infantis. Foi considerado o mais importante poeta do nosso Modernismo e escrevia sobre o Mato Grosso, dava personalidade às coisas da natureza e reinventava a língua portuguesa como bem queria. É outro caso em que apenas uma antologia poética não foi suficiente para me despertar o gosto absoluto, mas que pretendo ler mais para conhecer melhor.

✓ item do desafio: Um livro de um autor que tenha o seu primeiro nome


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Não ficção:


Hardcore Self Help: F**k Anxiety
Robert Duff - 2014 - 50p.

Não sou do tipo que procura por livros de autoajuda, mas às vezes topo com alguns que me despertam a curiosidade, dou uma chance e acabo adorando. Aconteceu com esse, que é sensacional. O autor é PhD em Psicologia Comportamental e vem lançando essa série de livros chamada Hardcore Self Help, voltada pra pessoas que sofrem de distúrbios como ansiedade e depressão e querem ajuda mas estão cansadas da conversa habitual e dos livros de sempre. O mais legal aqui é que ele avisa, já na introdução, que vai falar com o leitor como falaria com qualquer pessoa, então vai soltando palavrões e metáforas muito engraçadas durante as explicações didáticas sobre como o nosso cérebro é um babaca e por que ele faz a gente se sentir tão mal sem motivo nenhum. É uma leitura rápida, mas, além das explicações, ele dá várias dicas de exercícios para aliviar a ansiedade, ensina o melhor método de respiração, tem uma conversa sincera sobre tratamento com terapia e remédios, e ainda dá uma carta que podemos imprimir e entregar às pessoas para quem gostaríamos de explicar sobre como é ter ansiedade mas não conseguimos. É divertido e ensina muito; um dos melhores que li sobre o assunto.




A Sexta Extinção
Elizabeth Kolbert - Intrínseca - 2015 (2014) - 334p.

O ganhei há um tempo, mas só fiquei inspirada a ler este livro agora, após concluir o curso de paleontologia dos dinossauros. Na verdade, gostaria de tê-lo lido antes, porque foi uma leitura maravilhosa que me ensinou muita coisa e me deu muito no que pensar. Para elaborar as pesquisas que compõem este livro, que lhe rendeu um Pulitzer, a autora acompanhou cientistas de diversas partes do mundo em suas próprias pesquisas a respeito da extinção de várias espécies, atuais ou pré-históricas. A partir dos lugares que visitou, evidências que viu, estudos que acompanhou e cientistas com quem conversou, Elizabeth Kolbert elaborou um relato assustador sobre a influência que a raça humana está exercendo na destruição da vida na Terra. Nosso planeta já passou por 5 extinções em massa, que varreram quase toda a vida em um processo de "reciclagem", todas elas muito antes de o ser humano aparecer por aqui. A sexta extinção em massa está em vias de acontecer mas, ao contrário do que se tem especulado, não somos nós os responsáveis por ela. Apesar de sermos, direta ou indiretamente, responsáveis pela extinção de muitas (MUITAS) espécies e comunidades desde que surgimos, é consenso na comunidade científica que a Sexta Extinção levará embora, entre outras tantas, a nossa espécie. Estão sendo estudadas maneiras de prevenir isso, mas a verdade é que não há como evitar um evento que não sabemos quando ou como irá acontecer. Enquanto isso, podemos evitar a destruição que estamos causando e minimizar o estrago que estamos fazendo a nós mesmos enquanto destruímos a fauna, flora, atmosfera e oceanos do planeta. É um livro para ficar com raiva da raça humana, mas que também termina com uma mensagem otimista a respeito da humanidade, com exemplos de pessoas que dedicam a vida a fazer a coisa certa. Recomendo a leitura a todos.

✓ item do desafio: Um livro vencedor do Pulitzer





Dinossauros
Paul Barrett & Raul Martín - WMF Martins Fontes - 2011 (1999) - 192p.

Comprei essa lindeza na Black Friday do ano passado, mas deixei pra ler depois de terminar o curso, também. Dá uma aula sobre a diferenciação dos dinos em sua árvore genealógica e cronológica, faz um apanhado geral sobre hábitos, habitat e características anatômicas e fisiológicas básicas, e depois é um guia das principais espécies, todas ilustradas cientificamente, acompanhadas de fotos de fósseis, escala de comparação de tamanho com um humano e texto falando sobre sua descoberta e curiosidades sobre a espécie. Da primeira edição do livro até hoje descobriu-se muito mais a respeito de dinossauros, mas nada que esteja nele está terrivelmente desatualizado. É um livro excelente para quem tem interesse por essa fauna extinta, por sua riqueza de ilustrações e de informação. 

✓ item do desafio: Um livro que tenha água na capa





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HQ:





Women of Marvel Vol. 1 e 2 (V.A., 2006-7). Minha fonte de HQs na cidade não existe mais, então preciso me virar com o computador. Porém, o desconforto foi compensado pela diversão, porque essa é uma coleção muito legal das principais histórias de algumas das heroínas mais emblemáticas do Universo Marvel, e só algumas das histórias compiladas aqui eu já havia lido anteriormente. Algumas personagens, inclusive, eu sequer conhecia e me tornei fã com apenas uma história (como foi o caso com a Shanna the She-Devil). Nos dois volumes, temos histórias da Mulher-Aranha, das X-Men Vampira, Kitty Pryde, Jubileu, Cristal, Tempestade, Emma Frost, das Vingadoras Feiticeira Escarlate e Viúva Negra, da Capitã Marvel, e das menos conhecidas Shanna the She-Devil, Tigra e tantas outras. Há participações especiais de alguns dos personagens masculinos mais conhecidos, mas essa coleção é uma homenagem merecida às mulheres incríveis dos quadrinhos da Marvel.



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Abandonado:


O Assassinato de Agatha Christie
Sun Holiver - Soler - 2007 - 252p.

Temos este livro aqui em casa há um tempo e o coloquei no sorteio de leitura porque estava genuinamente curiosa com uma ficção que tivesse Agatha Christie como protagonista. Quando ele finalmente saiu no sorteio e fui lá no Skoob atualizar o status de leitura, vi críticas muito negativas sobre o livro, mas dei uma chance mesmo assim porque sempre prefiro conceder o benefício da dúvida. Bom, não sei nem por onde começar a descrever o que foi a experiência das 20 e poucas páginas que consegui ler. O nome da autora é provavelmente um pseudônimo de algum(a) autor(a) brasileiro. A aba do livro fala breves maravilhas sobre ela e sua narrativa, mas uma pesquisa rápida sobre ela no Google não volta nada. A introdução conta uma história bastante improvável sobre o que a inspirou a escrever o livro, cuja primeiríssima frase é: "Londres estava muito quente naquele verão, não menos quente [sic] que os outros verões, mas muito quente". Eu precisei ler três vezes pra ter certeza de que era isso mesmo e aí confirmei que a leitura seria um desastre. Tive boa vontade por três capítulos, até que não consegui mais. Gostaria de ter me interessado pelo enredo, que até poderia ser interessante, mas nunca saberei porque é tão mal escrito que não consegui formar um ambiente que me prendesse. A pessoa que o escreveu obviamente leu tudo o que disse ter lido sobre Agatha Christie e quis aproveitar todas essas informações na sua história, então fica uma mistura desconexa de biografia com o mistério do enredo. Há erros terríveis de preparação e revisão que deixaram escapar erros terríveis de narrativa (parágrafos únicos com quatro acontecimentos sem relação, falas gigantescas que descrevem coisas que poderiam ser narradas, elementos que não existem no ambiente em que a história se passa...). Enfim, é um desastre. Não digo isso como alguém que tem a leitura treinada para procurar erros (o que tem me tirado o prazer de várias leituras), mas como leitora experiente de ficção e como fã do gênero policial de Agatha Christie. É ruim de ler, é confuso, muito rápido e cheio de tropeços. A óbvia estratégia de venda da editora chega a ser desrespeitosa. Eu chego a sentir pena da autora, se foi realmente um caso de boa intenção e esse foi seu primeiro livro, mas o serviço ruim de quem trabalhou com o seu texto condenou o trabalho a críticas cruéis em vários sites. É muito investimento para permitirem uma coisa tão desleixada. Cuidado com esses chamarizes.


✓ andamento do desafio: 28/48

17/06/2017

As curiosas origens de 4 famosos jogos de tabuleiro

Adaptado do artigo original do Mental Floss.



Jogos de tabuleiro são uma forma de entretenimento criada pelos egípcios há 5 mil anos e nunca saíram de moda, mesmo que atualmente tenham sido adaptados em vídeo games ou jogos para o celular. Aqui vão as origens de alguns dos sucessos mundiais favoritos:


Monopoly / Banco Imobiliário

Tabuleiro de 1906 | Wikimedia

Embora seja considerado um jogo que glorifica o capitalismo (tendo sido banido de países como a China e a antiga União Soviética), este clássico foi inventado para representar justamente a ideia oposta. A americana Elizabeth Magie era ativista contra o pagamento de impostos imobiliários, no fim do século 19. Segundo ela e outros simpatizantes, deveria haver apenas um imposto de propriedade, diminuindo assim a diferença de riqueza entre os senhorios e os inquilinos. Para demonstrar de uma maneira fácil como as coisas aconteciam na época, Lizzie patenteou, em 1904, um jogo chamado The Landlord's Game ("O jogo do senhorio"), cujo objetivo era acumular o máximo de propriedades possível e aumentar os aluguéis a tal ponto que o vencedor terminaria o jogo extremamente rico e os demais jogadores encarariam a falência. Ao tentar vender os direitos do jogo para produção, os empresários acharam que era político demais e o rejeitaram. Ainda assim, as pessoas gostavam tanto de jogá-lo que faziam seus próprios tabuleiros customizados e o jogo foi evoluindo, com mudanças das regras, até chegar ao que hoje conhecemos como Monopoly. A essas alturas, a ideia do Monopoly era mais atrativa e acabou conseguindo a patente de produção em 1934. Lizzie Magie concordou vender os direitos autorais por 500 dólares, desde que lançassem também o tabuleiro original do jogo dela, The Landlord's Game. Concordaram, mas foi um fracasso de vendas. O Monopoly monopolizou (ba dum tss) o mercado.



Jogo da Vida

Tabuleiro original | Wikimedia


Em 1860, um jovem chamado Milton Bradley uniu sua vontade de inventar um jogo de tabuleiro com a cultura local da protestante Nova Inglaterra que ditava que jogos eram uma "distração pecaminosa". Para tanto, Bradley criou The Checkered Game of Life, que se tratava de uma demonstração moral das várias maneiras como a vida pode prosseguir. Nele, os jogadores ganhavam ou perdiam pontos ao avançar no tabuleiro com piões numerados chamados "teetotum" (dados eram proibidos na época e lugar, pois jogos eram ilícitos), cujas casas podiam ser positivas (Honestidade, Honra, Coragem) ou negativas (Pobreza, Crime, e até um infame Suicídio). Ganhava quem alcançasse 100 pontos, o que lhe concedia o final "Velhice Feliz". Como temia que seu jogo não fosse ser aceito no lugar conservador onde morava, Milton Bradley levou-o para Nova York, onde o jogo fez sucesso e vendeu 40 mil tabuleiros no primeiro ano. Depois de algum tempo de obscuridade, o jogo voltou a fazer sucesso em 1959, quando a Milton Bradley Company relançou o jogo com o nome Game of Life.



Clue / Detetive

Caixa de 1956 | Wikimedia

As histórias de detetives faziam muito sucesso na Grã-Bretanha no início do século 20. Tanto estavam no gosto do público que o casal Anthony e Elva Pratt criaram um jogo de tabuleiro ambientado em uma mansão rural típica das histórias de assassinato. Depois de revisarem alguns dos elementos originais do projeto (por exemplo, mudar o nome original do jogo, Murder, para Cluedo, e substituir a "sala de armas" por uma extensão da sala de jantar), o jogo começou a ser comercializado em 1945. Embora tenha feito muito sucesso em terras britânicas, foi bastante difícil vender o jogo na América, pois, na época, era proibido comercializar qualquer jogo relacionado a assassinatos. Mesmo assim, os empresários gostaram tanto dele que acabaram se convencendo a abrir uma exceção, lançando-o com o nome americano Clue, em 1949. 



Risk / War

As cartas de território de 1963 e as de 1980, com os mapas atualizados | Wikipedia

Sem se saber exatamente por quê, o mais famoso jogo de estratégia militar do mundo foi criado por um cineasta francês chamado Albert Lamorisse em 1957, com o nome La Conquête du Monde ("A conquista do mundo"). O jogo logo foi comprado pela Parker Brothers (atual Hasbro) e lançado na América como Risk: The Continental Game. O jogo foi reinventado várias vezes no decorrer dos anos, com alterações de mapas e objetivos. A primeira atualização, nos anos 1980, era ambientada em um castelo medieval e foi um grande fracasso de vendas. As demais tentativas, porém, foram bem sucedidas: uma edição especial dos 200 anos da era Napoleônica, uma edição futurista com territórios nos oceanos e na lua, as edições especiais de O Senhor dos Anéis, Transformers e Star Wars, e muitas outras, incluindo uma reedição do tabuleiro original, com as peças de madeira.


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Para conhecer as origens de outros jogos populares, confira o artigo original (em inglês).


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Já falei anteriormente sobre a origem do baralho e até ensinei um truque de cartas; já viram?

16/06/2017

TAG: Top 10 Literário


Uma TAG que montei a partir de propostas deste blog, cujo tema é livros.


10 coisas que instantaneamente me fazem NÃO querer ler um livro:

  1. "Primeiro volume da série..."
  2. Casais apaixonados na capa.
  3. Autores YouTubers.
  4. Romances eróticos.
  5. Sinopses vagas.
  6. Erros de digitação/ortografia logo na capa (já sei que a revisão foi porca e que vou me incomodar).
  7. "O segredo para..."
  8. Qualquer coisa sobre pessoas ou assuntos que não me interessem.
  9. Sensacionalismo.
  10. Reedições desnecessárias pelo triplo do preço.


10 capas favoritas:

A preguiça de procurar por outras venceu, então vou pegar as que já estão no arquivo do blog.














10 coisas que gostaria de ver mais em livros:

  1. Personagens assexuais, mesmo que não protagonistas.
  2. Personagens assexuais que não sejam a piada da história.
  3. Diversidade de protagonistas, cujas características "diferentes" não sejam ou influenciem o enredo central (sabem, tipo como se fossem pessoas normais, mesmo?) (isso foi um comentário sarcástico, em caso de dúvida).
  4. Não necessidade de romance nos enredos.
  5. Participação de animais que não acabem morrendo na história.
  6. Preocupação das editoras com a preparação do texto em igual proporção com a que têm quanto ao visual gráfico.
  7. Nome do tradutor em destaque.
  8. Universos fictícios mais completos e bem desenvolvidos, com história, geografia, cultura e linguagem próprias.
  9. Utopias. Distopias são legais, mas utopias podem ser igualmente interessantes.
  10. Juvenis (ou YA) mais inteligentes e menos condescendentes.


10 livros da minha lista de desejos:

    1. Na Língua dos Bichos, de Temple Grandin. Difícil de conseguir. Achei um pdf em inglês e vou ter que me virar com ele.
    2. Dear Future Historians, livro com as letras do Enter Shikari com os comentários do Rou Reynolds sobre cada uma. Tô babando nele desde que foi lançado, mas nada de vender por aqui.
    3. Peixe Grande, de Daniel Wallace. Estou maluca atrás dele desde que vi o filme de mesmo nome, mas também está dificílimo de encontrar. Também consegui um pdf em inglês, por enquanto.
    4. O restante das HQs de Saga, a partir do terceiro volume. Estou apaixonada pela história, mas os volumes ainda são muito caros e não curto ler pelo computador.
    5. Um dicionário de italiano, porque é o único mais "comum" que ainda não tenho e pretendo aprender, também; e um de grego, para começar a me adaptar.
    6. O Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, que folheei na casa dos meus tios e me encantou.
    7. Algum dicionário etimológico da Língua Portuguesa. Comprei um de português arcaico há um tempo por olho grande, porque me é inútil, apesar de interessante. Mas seria muito bom ter um atual.
    8. Ferengi Rules of Acquisition (Star Trek: Deep Space Nine), compilado pelos roteiristas da série, sobre a "bíblia" dessa desprezível raça alienígena que é tão divertida.
    9. Livros sobre revisão de texto, porque ainda há muito o que estudar.
    10. Qualquer outra coisa que esteja na minha lista da Amazon, hahah.


10 melhores livros que li no último ano:


  1. A Sexta Extinção, de Elizabeth Kolbert (resenha no próximo relatório)
  2. Um Teto Todo Seu, de Virginia Woolf
  3. Todos de O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ramson Riggs
  4. Sete Minutos Depois da Meia-noite, de Patrick Ness
  5. Sobre a Escrita, de Stephen King
  6. Percy Jackson e os Deuses Gregos, de Rick Riordan
  7. Todos de O Único e Eterno Rei, de T.H. White
  8. As Piores Invenções da História, de Eric Chaline
  9. A Tradução Literária, de Paulo Henriques Britto
  10. Noturnos, de John Connolly


10 protagonistas favoritos:

Eu tenho alguns problemas para gostar plenamente de protagonistas, por mais que eu goste dos livros em que estão. Eles tendem a ser absurdos pra mim, ou ter alguma característica que me impedem de simpatizar com eles. Antagonistas são geralmente mais interessantes e eu acabo me identificando mais com personagens secundários. Mas os protagonistas que eu realmente gosto são:

  1. Jean Valjean, de Os Miseráveis
  2. Shadow Moon, de Deuses Americanos
  3. Kvothe, de O Nome do Vento
  4. Sadie Kane, de As Crônicas dos Kane
  5. Uhtred de Bebbanburg, de As Crônicas Saxônicas
  6. Charlie Trumper, de O Voo do Corvo
  7. Clarice Starling, de O Silêncio dos Inocentes
  8. Bernardo Soares, de Livro do Desassossego
  9. Guy Montag, de Fahrenheit 451
  10. O "viajante do tempo", de A Máquina do Tempo


10 adaptações favoritas para o cinema/TV:

  1. Harry Potter e a Pedra Filosofal
  2. O Silêncio dos Inocentes
  3. Sete Minutos Depois da Meia-Noite
  4. Grandes Esperanças
  5. A Menina que Roubava Livros
  6. Expresso do Amanhã/O Perfuraneve (que ficou melhor que a HQ, na minha opinião, haha)
  7. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
  8. O Macbeth mais recente
  9. Assassinato no Expresso Oriente (espero que o novo seja tão legal quanto)
  10. O Frankenstein de Mary Shelley


10 motivos por que eu amo ler:

  1. Me dá realidades alternativas para viver.
  2. Me distrai.
  3. Me alivia.
  4. Me diverte.
  5. Me surpreende positivamente.
  6. Me mostra lugares que não verei pessoalmente.
  7. Me ensina de tudo.
  8. Me desperta afinidades.
  9. Me apresenta novas ideias, realidades e opiniões.
  10. Me faz eu não me sentir solitária quando estou sozinha.



* Foto real de uma das nossas estantes :)

15/06/2017

4 grupos de pessoas que a sociedade diz que pode zoar



Li este artigo há uns anos no Cracked e o compartilhei, na época. Hoje, a página deles postou o link para o artigo novamente e achei oportuno adaptá-lo por aqui para discutir sobre alguma coisas.

É decepcionante que em pleno 2017 de conscientização, empoderamento, manifestações, passeatas e textões sobre preconceito e tolerância, ainda haja casos em que se considera normal que se faça piada e desrespeite certos grupos de pessoas. Aos poucos, todos estão conseguindo seu lugar de respeito e muito tem mudado e sido conquistado, mas a humanidade ainda precisa melhorar no tratamento dado aos seguintes casos:


Celebridades com doenças mentais

É comum que se confunda o gosto que temos pelo entretenimento oferecido pela celebridade em questão com a necessidade que temos de lembrar que artistas também são pessoas como a gente, com famílias, problemas e questões de saúde. Era fácil rir de quadros "humorísticos" que debochavam da Amy Winehouse antes dela morrer com o que foi, basicamente, um suicídio - morte que levou artistas como Robin Williams e Chris Cornell, e tantos outros que nunca foram alvo de piadas por seus problemas. Grande parte dessa nossa atitude com tais celebridades é responsabilidade de como a mídia trata cada caso. Alguns artistas estão "loucos - veja os tweets mais bizarros!" enquanto outros estão "preocupando parentes e amigos, saiba como ajudar". Por que consideramos normal desrespeitarmos alguns e glorificarmos outros? Todos precisarão se matar para receber carinho dos fãs? Será que o carinho dos fãs e o respeito da mídia em vida não os ajudariam a melhorar antes que o pior acontecesse?


Trabalhadores de redes de lanchonetes e outras classes consideradas "fracassadas"

Isso não costumava ser motivo de piada aqui até a globalização e a galera huebr achar que tudo que acontece no EUA deveria acontecer aqui também (sim, grande exemplo de sociedade tolerante é os Estados Unidos!). Um evento recente foi a infame festinha escolar com o tema "Se nada der certo", onde os estudantes foram fantasiados de trabalhadores que morriam de medo de se tornarem. Nos EUA, aqui e na maioria dos lugares do mundo, um diploma universitário não significa mais muita coisa. Você pode ter se formado em uma Federal, feito intercâmbio e PhD na Europa, e nada disso sozinho vai garantir que você vá ganhar o salário dos sonhos. Trabalhar servindo comida pra outras pessoas, limpando a sujeira delas ou atendendo telefones não é menos digno do que qualquer outro tipo de trabalho. É só um trabalho. As pessoas são treinadas e pagas pra isso (ganham mais do que eu, prestando serviço em casa com o meu diploma de pós-graduação), e todo mundo precisa de dinheiro pra resolver seus próprios problemas.


Virgens

A ponto de ser considerado um termo ofensivo em qualquer briga, ser virgem na sociedade moderna é praticamente uma maldição. Já discuti muito sobre isso quando posto sobre assexualidade (que nem sempre tem a ver com virgindade - orientação sexual é inerente, comportamento sexual é escolha), mas ouvir isso ser tratado como algo ruim me irrita e entristece profundamente. Pessoas que escolhem ou não podem ter relações sexuais são tratadas como um fracasso humano, como se o nível mais importante do vídeo game da Vida fosse fazer sexo. Nossa sociedade está tão centralizada em sucesso sexual (o que quer que isso signifique) que nem cogita pensar que algumas pessoas não ligam pra isso ou não têm isso como prioridade - afinal, primeiro de tudo, apenas respirem fundo e tentem essa nova percepção: o que cada um faz ou deixa de fazer com as suas genitais não é problema de ninguém (claro, desde que não seja nada criminoso, por favor. Não sejam nojentos). Se a pessoa não quer ter relações com ninguém, ou se ela fez promessa, se ela tem medo, nojo ou trauma, É PROBLEMA DELA. Virgens não precisam de "ajuda", não são "retardados" ou "fracassados" de nenhuma forma. Na verdade, ninguém nem saberia quem é virgem e quem não é se não houvesse uma necessidade humana tão grande de se falar tanto sobre o assunto. Por experiência própria, virgens vão acabar mentindo quando forem questionados sobre isso e depois vão se sentir tão bosta que todo tipo de pensamento idiota vai infernizar a cabeça deles. Ninguém precisa disso.


Adultos que moram com os pais

Hoje em dia é mais comum sair mais tarde (ou nunca sair) de casa do que era até há alguns anos; mas o Brasil, mesmo, não tem em sua cultura a necessidade de sair da casa dos pais como acontece em outros países. Ainda assim, é raro que um adulto que ainda more com os pais por aqui que seja respeitado - se não for ridicularizado, tem sua decisão questionada sempre que a oportunidade surge. A verdade é que as pessoas que moram com os pais podem fazê-lo por diversos motivos que nem sempre podem ser justificados para qualquer um, especialmente porque, na maioria dos casos, os outros sempre virão com alguma opinião que julgam ser melhor do que a decisão tomada por elas. Os motivos podem envolver vantagem financeira, impossibilidade de mudança, dependência de alguma das partes, conveniência, ou pura e simples vontade de ficar. Não há nada que obrigue as pessoas a irem embora e elas não deveriam ir, se não querem e se a sua estadia está de comum acordo. É o tipo de decisão que só diz respeito a quem divide o teto, realmente. 

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O padrão aqui, como acredito ser o padrão para qualquer tipo de preconceito, é tentar controlar a vida das outras pessoas. Não há nada a respeito dos outros (seu trabalho, sua casa, sua vida sexual, seus hábitos alimentares, sua religião) que caiba a nós mudar. Devemos ajudar quando nos é pedido e permitido, mas, no mais, a vida dos outros não nos diz respeito. Piadas ou qualquer comentário depreciativo sobre o estilo de vida de alguém pode parecer inofensivo, mas são as pequenas coisas que se acumulam e se transformam em traumas difíceis de lidar. Debochar do sofrimento alheio é cruel, assim como o é debochar das escolhas e vidas de cada um. Não é que o humor esteja morto - é só que não precisamos que ninguém morra pra gente dar umas risadas.