30/06/2017

Desafio de Leitura 2017: Terceiro relatório

Trabalhei muito nos últimos meses e achei que não teria tanto tempo de ler, mas tantas filas de espera no dentista me deram tempo de usar mais o Kindle, então acabei dando uma acelerada na leitura e no desafio. Tomei a liberdade de dar uma "roubada" no item "Um livro de um autor que tenha o seu primeiro nome" porque, convenhamos...



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Ficção:



Ás na Manga
V.A. - LeYa - 2017 (1989) - 384p.

Sexto volume da série Wild Cards, que todos a essas alturas já sabem ser uma das minhas coisas favoritas na vida. Ainda assim, esse volume não foi dos meus favoritos; tive que dar uma empurradinha na leitura até finalmente começar a me interessar pela história. Nesse aqui, o enredo está focado nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 1988. Dois dos candidatos são o reverendo Leo Barnett, de visão considerada extremista no que diz respeito aos infectados pelo carta selvagem, e o senador Gregg Hartmann, a aposta de todos os ases e curingas para um futuro melhor no país. Entretanto, o senador esconde o segredo de ser um ás - um muito poderoso - e a revelação desse segredo pode arruinar sua carreira política. Apesar de ser uma história bem violenta e muita coisa acontecer lá pro final, achei difícil acompanhá-la bem justamente pela parte política envolvida: o sistema eleitoral dos EUA é bastante confuso e, como não o entendo muito bem, fiquei "boiando" em vários trechos onde entender isso era importante para perceber a gravidade dos acontecimentos. E, também, não envolveu nenhum dos meus personagens favoritos (com exceção do Dr. Tachyon), então, de maneira geral, foi um pouco desinteressante pra mim. Mas não me tirou a vontade de continuar acompanhando.

✓ item do desafio: Um livro com personagens não-humanos





A Mão do Homem Morto
George R.R. Martin & John J. Miller - LeYa - 2017 (1990) - 336p.

Acabei fazendo a resenha deste separadamente do anterior porque achei que não o leria a tempo de publicar o relatório, mas esse volume foi TÃO mais legal que o outro que li rapidinho! A história é paralela à do volume 6, então os capítulos são separados nos exatos mesmos dias do outro, mas com foco nas investigações do assassinato da importante curinga cujo nome não direi por motivos de spoiler mas que está bem evidente na capa, se você acompanha a série. Os personagens principais aqui são o ás detetive Jay 'Poppinjay' Ackroyd e o limpo Yeoman, o arqueiro justiceiro. Ambos investigam esse assassinato por motivos próprios, mas cada pista parece afastá-los mais de descobrirem realmente quem seria capaz de cometê-lo e por que motivo. É um suspense policial que me prendeu muito, se conecta ao volume anterior de várias maneiras, tem bastante ação e mais personagens interessantes, além das revelações inesperadas. Espero que a LeYa lance mais vezes os volumes restantes ao mesmo tempo, como fez com esses dois últimos. Tá uma novela sensacional! (Ah, não façam como eu e não percam tempo pensando sobre a tal mão do tal homem morto... É um termo do pôquer, como os demais títulos hahahah)




Loney
Andrew Michael Hurley - Intrínseca - 2016 (2014) - 304p.

O livro de estreia do autor está com uma nota bem ruinzinha no Skoob e isso, por um momento, me tirou um pouco da vontade de lê-lo. Aí logo me lembrei que a maior parte dos usuários do site é de adolescentes e essa faixa etária tem um padrão diverso de gosto para livros de terror - prefere violência, ação e tripas pra todos os lados -, considerando os suspenses psicológicos "chatos". Loney é a narração das memórias de um homem a respeito de um acontecimento estranho de 30 anos atrás no lugar que dá nome ao livro. O narrador conta sobre o irmão mais velho que tinha problemas mentais e cuja família e respectivos amigos, quase fanáticos religiosos, faziam peregrinação todos os anos para o Loney a fim de visitar o santuário local em busca de uma cura para o rapaz. A última visita ao local, três anos antes dos eventos narrados, já havia perturbado o velho padre que sempre os acompanhava, e a visita mais recente foi afetada por isso e vários outros fatores estranhos. O livro pode frustrar por falar muito sobre os ritos católicos (entendo quem se irritou com isso, mas não cheguei a me incomodar porque tudo me é bastante familiar) e, também, por dar muitas descrições do lugar e do ambiente. O narrador justifica o fato de ser detalhista a respeito dos acontecimentos e acho, sinceramente, que todas as descrições enriqueceram bastante a ambientação dos fatos. Outra coisa considerada frustrante pelos leitores é que o final acabou não explicando muita coisa. Vamos esclarecer um ponto importante sobre narrativas: o problema das narrações em primeira pessoa é que a gente só tem como saber o quanto o narrador sabe. O livro é cheio de mistério e vai deixando a gente tenso e curioso pra resolver todas aquelas coisas estranhas (li com a minha mãe e a gente ficava um tempão discutindo teorias sobre tudo), mas muita coisa fica por conta da nossa imaginação. E não acho que isso seja ruim. Acho que um bom livro de suspense ou terror tem que fazer a gente pensar um pouquinho, ficar encucado, refletir. Eu gostei.

✓ item do desafio: Um livro que recebeu críticas negativas




Welcome to Night Vale
Joseph Fink & Jeffrey Cranor - Intrínseca - 2016 (2015) - 336p.

Conheci o universo de Night Vale quando ainda usava o Twitter e seguia a conta deles por lá, embora nunca tenha ouvido o podcast original, até então. As atualizações sobre a cidade fictícia eram bizarras e absurdas, exatamente como meu tipo favorito de humor. Quando soube que iam lançar o livro, já soube que iria querer ler e gostei muito dele. Em algum lugar nos desertos da Califórnia fica a cidade de Night Vale - um lugar isolado e peculiar onde as coisas mais absurdas acontecem e ninguém estranha, de fato. Os habitantes, nem sempre 100% humanos, são constantemente e explicitamente vigiados pelo Governo Mundial; luzes estranhas aparecem pelo céu todas as noites; cientistas habitam aos montes um bairro da cidade e fazem experimentos sem sentido, e o tempo nem mesmo funciona igual pra todo mundo em Night Vale. Ainda assim, certo dia chega um homem estranho à cidade, e aí as coisas começaram a ficar realmente esquisitas - esquisitas fora do padrão de esquisitice a que todos estão acostumados. Pra quem gosta desse tipo de humor (característico, por exemplo, de O Guia do Mochileiro das Galáxias com um toque de Lemony Snicket), este é um livro muito divertido. O podcast, para quem quiser conhecer, está todo disponível no Spotify, em inglês. 

✓ item do desafio: Um livro com capa roxa






Uma História Incomum Sobre Livros e Magia
Lisa Papademetriou - Arqueiro - 2016 (2015) - 192p.

Apesar de ter sido bastante divulgado nas redes quando foi lançado, ainda assim peguei esse livro "no escuro" em uma promoção em uma Americanas daqui. A sinopse na aba estava inacessível pela embalagem e a contracapa só contava com as resenhas vagas da crítica, mas todo livro que tem a ver com livros acaba me chamando a atenção, então dei uma chance e achei este um dos juvenis mais legais que já li! As protagonistas são Kai e Leila, que não se conhecem e estão em lados opostos do planeta - Kai em uma cidade no interior do Texas e Leila visitando a família do pai no Paquistão. Simultaneamente, ambas encontram um livro bastante peculiar: O Cadáver Excêntrico, da autoria de um Ralph Flabbergast. Era um livro antigo e muito bonito, mas estava todo em branco. Intrigadas, cada uma lidou com o livro à sua maneira... e logo descobriram que ele reagia a o que quer que elas fizessem a ele, ou seja, sua história se escrevia sozinha conforme elas interagiam. A história de Ralph conecta as duas meninas, que vivem suas próprias aventuras: Kai com a tia-avó moderninha e uma amiga lepidopterologista, e Leila descobrindo toda a cultura diferente do Paquistão. Gostei muito das protagonistas (Kai é talentosa, mas reservada e insegura, e Leila não é brilhante, mas é criativa e romântica) e dos elementos pouco usuais do enredo (curiosidades sobre lepidopterologia, que é o estudo de borboletas e mariposas, e sobre o Paquistão, sobre o qual a autora discorre com segurança, por conhecer bem o país). Uma leitura rápida, muito gostosa e cheia de coisas boas pra aproveitar.




George e a Caça ao Tesouro Cósmico
Lucy & Stephen Hawking - Ediouro - 2010 (2009) - 309p.

Dos pequenos tesouros que encontramos nas feiras de livros no shopping! Várias coisas me chamaram a atenção aqui, tipo Stephen Hawking e sua filha escrevendo livros juvenis e, por algum motivo, este ser grosso, colorido e cheio de fotografias e só custar 10 reais. Este aqui é o segundo mas, pelo que entendi, não é uma continuação da primeira história (que ainda não li), apesar de ser com os mesmos personagens. De qualquer forma, ele dá uma boa ideia do assunto do anterior, então a gente não fica perdido na história. George é um garoto comum com amigos especiais: seus pais são ecologistas, mas seus vizinhos são cientistas. Annie, filha deles e sua melhor amiga, está se mudando com a família para os EUA porque o pai vai trabalhar numa missão da NASA. Logo, George é convidado para uma viagem de férias porque Annie acredita ter recebido uma mensagem alienígena através de Cosmos, seu supercomputador que é capaz de abrir portais para qualquer lugar do Universo. Ela quer que eles façam Cosmos funcionar novamente e ir atrás da pista da mensagem que, sim, está no espaço. Apesar de o enredo não ser nada muito complicado, visto que é voltado para um público bastante jovem, a graça do livro está nas várias explicações científicas que os autores conseguem encaixar na história, em diálogos e exemplos, mas principalmente com a inserção de vários artigos escritos por cientistas renomados da atualidade em linguagem muito simples (Eric, pai de Annie, é o próprio Stephen Hawking, inclusive), além de várias fotografias maravilhosas do espaço. Uma aula básica excelente sobre missões cósmicas, vida de astronauta, o Universo e o nosso Sistema Solar e uma leitura definitivamente recomendada para quem quer introduzir as maravilhas da Astronomia para jovens de qualquer idade.

✓ item do desafio: Um livro ambientado fora da Terra





Matrimônio do Céu e do Inferno
William Blake - Madras - 2004 (1790-3) - 59p.

"Se o tolo persistisse em sua tolice, ele se tornaria sábio. A tolice é o disfarce da patifaria. A Vergonha é o disfarce do Orgulho."

Salas de espera de dentistas são dos melhores lugares para aproveitar tudo o que a gente acumula no Kindle e acaba esquecendo de ler. Mas este era um que eu preferia ter lido em livro físico, na verdade, porque se trata de ilustrações e iluminuras de William Blake e teria sido bem legal ver tudo em tamanho maior e colorido (não sei se a edição impressa é em cores). Mas é uma história curta e perturbadora, escrita em uma imitação das profecias bíblicas e inspirado por Dante no sentido em que se trata de um poeta que visita o inferno, mas de cunho mais revolucionário. Segundo ele, o inferno não é um lugar de punição, mas onde fica toda a energia contrária ao aceitável no paraíso. Uma das partes mais memoráveis do livro é os Provérbios do Inferno, bastante provocativos. Destaquei várias partes dele e acho que preciso reler para descobrir outras que posso gostar também.

✓ item do desafio: Um livro com um dragão





Folhas Caídas
Almeida Garrett - Projecto Adamastor - 2013 (1853) - 150p.

"A grande ventura é esta?
Vale a pena vir à festa
E vale a pena viver.
Como então quis a tristura
Do meu viver isolado!
Fique-se embora a ventura,
Que eu quero ser desgraçado."

Procuro ler os clássicos sempre que tenho oportunidade, especialmente poesia, que conheço pouco e estou tentando gostar mais. Almeida Garrett (aos que ainda têm dúvida: não é /garrê/ nem /gárret/; pronuncia-se /garrét/) é um daqueles ícones sobre quem aprendemos na escola e depois nunca mais procuramos conhecer melhor. Quis conhecê-lo além do verso "Este inferno de amar - como eu amo!", então, com este livro, conheci vários outros poemas que gostei. Mas ainda acho que foi pouco para que eu realmente me apegasse ao português como eu esperava (meu velho problema com a temática romântica), então quero ler outras de suas obras e ver o que mais ele fazia. 

✓ item do desafio: Um livro de poemas




Meu Quintal é Maior do Que o Mundo
Manoel de Barros - Alfaguara - 2015 - 168p.

"As coisas jogadas fora têm grande importância - como um homem jogado fora
Aliás é também objeto de poesia saber qual o período médio que um homem jogado fora pode permanecer na terra sem nascerem em sua boca as raízes da escória."

Outra antologia poética que tive oportunidade de ler pelo Kindle. Manoel de Barros teve uma vida longa e uma carreira prolífica e premiada, mas eu nunca li muito dele, também. Até estranhei o teor de alguns de seus poemas, quando paro pra pensar que o homem também era autor de livros infantis. Foi considerado o mais importante poeta do nosso Modernismo e escrevia sobre o Mato Grosso, dava personalidade às coisas da natureza e reinventava a língua portuguesa como bem queria. É outro caso em que apenas uma antologia poética não foi suficiente para me despertar o gosto absoluto, mas que pretendo ler mais para conhecer melhor.

✓ item do desafio: Um livro de um autor que tenha o seu primeiro nome


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Não ficção:


Hardcore Self Help: F**k Anxiety
Robert Duff - 2014 - 50p.

Não sou do tipo que procura por livros de autoajuda, mas às vezes topo com alguns que me despertam a curiosidade, dou uma chance e acabo adorando. Aconteceu com esse, que é sensacional. O autor é PhD em Psicologia Comportamental e vem lançando essa série de livros chamada Hardcore Self Help, voltada pra pessoas que sofrem de distúrbios como ansiedade e depressão e querem ajuda mas estão cansadas da conversa habitual e dos livros de sempre. O mais legal aqui é que ele avisa, já na introdução, que vai falar com o leitor como falaria com qualquer pessoa, então vai soltando palavrões e metáforas muito engraçadas durante as explicações didáticas sobre como o nosso cérebro é um babaca e por que ele faz a gente se sentir tão mal sem motivo nenhum. É uma leitura rápida, mas, além das explicações, ele dá várias dicas de exercícios para aliviar a ansiedade, ensina o melhor método de respiração, tem uma conversa sincera sobre tratamento com terapia e remédios, e ainda dá uma carta que podemos imprimir e entregar às pessoas para quem gostaríamos de explicar sobre como é ter ansiedade mas não conseguimos. É divertido e ensina muito; um dos melhores que li sobre o assunto.




A Sexta Extinção
Elizabeth Kolbert - Intrínseca - 2015 (2014) - 334p.

O ganhei há um tempo, mas só fiquei inspirada a ler este livro agora, após concluir o curso de paleontologia dos dinossauros. Na verdade, gostaria de tê-lo lido antes, porque foi uma leitura maravilhosa que me ensinou muita coisa e me deu muito no que pensar. Para elaborar as pesquisas que compõem este livro, que lhe rendeu um Pulitzer, a autora acompanhou cientistas de diversas partes do mundo em suas próprias pesquisas a respeito da extinção de várias espécies, atuais ou pré-históricas. A partir dos lugares que visitou, evidências que viu, estudos que acompanhou e cientistas com quem conversou, Elizabeth Kolbert elaborou um relato assustador sobre a influência que a raça humana está exercendo na destruição da vida na Terra. Nosso planeta já passou por 5 extinções em massa, que varreram quase toda a vida em um processo de "reciclagem", todas elas muito antes de o ser humano aparecer por aqui. A sexta extinção em massa está em vias de acontecer mas, ao contrário do que se tem especulado, não somos nós os responsáveis por ela. Apesar de sermos, direta ou indiretamente, responsáveis pela extinção de muitas (MUITAS) espécies e comunidades desde que surgimos, é consenso na comunidade científica que a Sexta Extinção levará embora, entre outras tantas, a nossa espécie. Estão sendo estudadas maneiras de prevenir isso, mas a verdade é que não há como evitar um evento que não sabemos quando ou como irá acontecer. Enquanto isso, podemos evitar a destruição que estamos causando e minimizar o estrago que estamos fazendo a nós mesmos enquanto destruímos a fauna, flora, atmosfera e oceanos do planeta. É um livro para ficar com raiva da raça humana, mas que também termina com uma mensagem otimista a respeito da humanidade, com exemplos de pessoas que dedicam a vida a fazer a coisa certa. Recomendo a leitura a todos.

✓ item do desafio: Um livro vencedor do Pulitzer





Dinossauros
Paul Barrett & Raul Martín - WMF Martins Fontes - 2011 (1999) - 192p.

Comprei essa lindeza na Black Friday do ano passado, mas deixei pra ler depois de terminar o curso, também. Dá uma aula sobre a diferenciação dos dinos em sua árvore genealógica e cronológica, faz um apanhado geral sobre hábitos, habitat e características anatômicas e fisiológicas básicas, e depois é um guia das principais espécies, todas ilustradas cientificamente, acompanhadas de fotos de fósseis, escala de comparação de tamanho com um humano e texto falando sobre sua descoberta e curiosidades sobre a espécie. Da primeira edição do livro até hoje descobriu-se muito mais a respeito de dinossauros, mas nada que esteja nele está terrivelmente desatualizado. É um livro excelente para quem tem interesse por essa fauna extinta, por sua riqueza de ilustrações e de informação. 

✓ item do desafio: Um livro que tenha água na capa





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HQ:





Women of Marvel Vol. 1 e 2 (V.A., 2006-7). Minha fonte de HQs na cidade não existe mais, então preciso me virar com o computador. Porém, o desconforto foi compensado pela diversão, porque essa é uma coleção muito legal das principais histórias de algumas das heroínas mais emblemáticas do Universo Marvel, e só algumas das histórias compiladas aqui eu já havia lido anteriormente. Algumas personagens, inclusive, eu sequer conhecia e me tornei fã com apenas uma história (como foi o caso com a Shanna the She-Devil). Nos dois volumes, temos histórias da Mulher-Aranha, das X-Men Vampira, Kitty Pryde, Jubileu, Cristal, Tempestade, Emma Frost, das Vingadoras Feiticeira Escarlate e Viúva Negra, da Capitã Marvel, e das menos conhecidas Shanna the She-Devil, Tigra e tantas outras. Há participações especiais de alguns dos personagens masculinos mais conhecidos, mas essa coleção é uma homenagem merecida às mulheres incríveis dos quadrinhos da Marvel.



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Abandonado:


O Assassinato de Agatha Christie
Sun Holiver - Soler - 2007 - 252p.

Temos este livro aqui em casa há um tempo e o coloquei no sorteio de leitura porque estava genuinamente curiosa com uma ficção que tivesse Agatha Christie como protagonista. Quando ele finalmente saiu no sorteio e fui lá no Skoob atualizar o status de leitura, vi críticas muito negativas sobre o livro, mas dei uma chance mesmo assim porque sempre prefiro conceder o benefício da dúvida. Bom, não sei nem por onde começar a descrever o que foi a experiência das 20 e poucas páginas que consegui ler. O nome da autora é provavelmente um pseudônimo de algum(a) autor(a) brasileiro. A aba do livro fala breves maravilhas sobre ela e sua narrativa, mas uma pesquisa rápida sobre ela no Google não volta nada. A introdução conta uma história bastante improvável sobre o que a inspirou a escrever o livro, cuja primeiríssima frase é: "Londres estava muito quente naquele verão, não menos quente [sic] que os outros verões, mas muito quente". Eu precisei ler três vezes pra ter certeza de que era isso mesmo e aí confirmei que a leitura seria um desastre. Tive boa vontade por três capítulos, até que não consegui mais. Gostaria de ter me interessado pelo enredo, que até poderia ser interessante, mas nunca saberei porque é tão mal escrito que não consegui formar um ambiente que me prendesse. A pessoa que o escreveu obviamente leu tudo o que disse ter lido sobre Agatha Christie e quis aproveitar todas essas informações na sua história, então fica uma mistura desconexa de biografia com o mistério do enredo. Há erros terríveis de preparação e revisão que deixaram escapar erros terríveis de narrativa (parágrafos únicos com quatro acontecimentos sem relação, falas gigantescas que descrevem coisas que poderiam ser narradas, elementos que não existem no ambiente em que a história se passa...). Enfim, é um desastre. Não digo isso como alguém que tem a leitura treinada para procurar erros (o que tem me tirado o prazer de várias leituras), mas como leitora experiente de ficção e como fã do gênero policial de Agatha Christie. É ruim de ler, é confuso, muito rápido e cheio de tropeços. A óbvia estratégia de venda da editora chega a ser desrespeitosa. Eu chego a sentir pena da autora, se foi realmente um caso de boa intenção e esse foi seu primeiro livro, mas o serviço ruim de quem trabalhou com o seu texto condenou o trabalho a críticas cruéis em vários sites. É muito investimento para permitirem uma coisa tão desleixada. Cuidado com esses chamarizes.


✓ andamento do desafio: 28/48

3 comentários:

  1. Confesso que não curti muito os Wild Cards - li só o primeiro. Acho que o autor devia ter focado em acabar o Game of Thrones primeiro... sei lá, opinião minha.

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    1. Wild Cards na verdade foi escrito bem antes de As Crônicas de Gelo e Fogo, mas só agora tão traduzindo aqui no Brasil. E ele mal escreveu, é uma coleção gigantesca colaborativa de vários autores. Ele escreveu alguns capítulos e editou, na época.

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    2. Tem razão, depois que escrevi a besteira acima é que eu fui verificar. Deixa aí pra posteridade.

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Bom senso, respeito e educação são esperados e sempre bem-vindos nos comentários. Obrigada pela visita!