30/07/2017

O Desafio Musical de 100 Dias - Parte I

Pra não quebrar a internet de ninguém, separei a postagem em 10 partes. O certo seria uma música por dia, mas a regra do blog é não ter regras.


🎵🎵🎵🎵🎵


01: Uma música que você sabe de cor.



DOOOON'T LEEEEET MEEEEE DROOOOWN! 🎔


02: Uma música do primeiro álbum que você comprou. (qual era o álbum?)



No Strings Attached, rachei com a minha irmã.


03: Uma música que te lembra de um rolê. (quando e onde?)



Metal das Abóboras II, em 2006, acho. Não tocou essa lá, mas ficamos mais ou menos uma hora esperando pra entrar, passando frio e com essa música na cabeça. Acabou o festival e ainda estávamos com ela na cabeça.


04: Uma música que você lembra dos seus pais ouvirem.



O italiano rolava solto nessa casa.


05: Uma música que um amigo gosta, mas você não.



Minha irmã ama essa música e todo mundo acha ela super triste e linda, mas eu só consigo me irritar :(


06: Uma paródia.



Essa foi feita pra mim, inclusive.


07: Uma das suas músicas favoritas.



💜💜💜💜💜


08: Uma música que você gostava mas agora detesta.



Não que eu deteste, mas como é o Hino Oficial da Minha Bad ©, não consigo mais ouvir.


09: O tema de abertura do seu programa favorito da infância.



ROCK RURAL \o/


10: Uma música de um dos seus álbuns favoritos. (qual é o álbum?)



HANDWRITTEN, O ÁLBUM MAIS PERFEITO DE TODO O UNIVERSO. Assim, em maiúsculas.

22/07/2017

Acho que se faz importante que eu fale sobre o Linkin Park

Podia ter escolhido qualquer outra. Mas essa estava em um pôster que ficou muitos anos na minha parede...


Até porque é o meu blog e tal.

O Linkin Park foi a minha primeira banda favorita. Banda banda, não grupo musical. Tive uma adolescência relativamente normal ouvindo o que tocava nas rádios populares, então eu não fui uma adolescente roqueirinha como tantos dos meus amigos e conhecidos; meus artistas favoritos eram basicamente os favoritos de todo mundo.

Um dia qualquer de 2003, morando em Campo Mourão, uma amiga minha de Curitiba me telefonou e, entre as novidades, me perguntou se podia me mostrar uma música que ela gostava muito. (Era assim que funcionava antes do WhatsApp e da internet acessível, de forma geral: a gente telefonava e escolhia o que era prioridade) E então ela me colocou pra ouvir Numb, do Linkin Park. Eu gostei, mas foi isso. Eu não tinha acesso à internet e já mal ouvia rádio, então nunca mais ouvi a música ou a banda.




No ano seguinte, nossa família veio para Goiás. Eu tinha 17 anos e nossa mudança às pressas foi bem no meio do ano, então a adaptação à nova cidade (em outro estado, em outra região do país) e à nova escola foram um pouco complicadas pra mim. Com todas as minhas dificuldades naturais de entrosamento e adaptação a alterações drásticas de rotina, eu passava todo o tempo que não estava na escola enfiada aqui nesse quarto, relendo meus diários dos meses anteriores e folheando os álbuns de fotografias com os meus antigos amigos. Mas ia à feira todas as semanas com os meus pais e, em uma dessas idas, voltei pra casa com um CD que era uma coletânea (bastante nonsense, diga-se de passagem) de músicas de rock. Entre sucessos do Detonautas e Avril Lavigne, estava Crawling, do Linkin Park, na versão ao vivo do álbum Live in Texas. Eu sempre pulava essa, porque aquela gritaria toda me irritava. Não lembrei que era a mesma banda que minha amiga havia me mostrado.




Eu não tive acesso à internet em casa até entrar pra faculdade, no ano seguinte, então não estava acompanhando o que meus amigos ouviam e nem sabia nada sobre baixar músicas nem nada disso. Não ouvia mais rádio porque o que toca aqui não era o que eu gostava de ouvir, por menos "alternativa" que eu fosse, na época, então eu estava montando meu acervo musical com CDs que comprava na feira de domingo. Comprei várias dessas coletâneas de rock porque estava começando a me identificar com o estilo, e numa dessas vieram outras músicas do Linkin Park: From the Inside e Numb. Gostei da primeira de cara e reconheci a outra como a que a minha amiga havia me mostrado. Achei uma coincidência incrível e fiquei meio obcecada com aquilo. Decidi que, da próxima vez que fosse, ia procurar por um CD deles.




Aquilo me deu o senso de propósito que eu precisava pra sair da estagnação em que eu estava. Demorei algumas semanas para conseguir achar um CD que fosse só do Linkin Park, até que consegui o Meteora. Como era um CD pirata, sem encarte, eu não tinha acesso às letras, e era tudo rápido e difícil demais para eu pegá-las de ouvido, como eu fazia até então com as outras músicas internacionais de que gostava, com o meu pobre inglês autoaprendido. Como ainda não tinha internet, recorri à banca de revistas. Comprava todas as revistas e pôsteres que vinham com as letras das músicas. Eu fiquei surpreendida com as mensagens, e vou falar sobre isso mais pra frente. Assim, além de conhecer melhor a banda, fui descobrindo várias outras músicas deles que ainda não conhecia, então minha Missão Linkin Park continuava. Eu ia à feira e comprava tudo o que achava que tivesse qualquer coisa deles. A uma certa altura, já havia conseguido até o EP do Hybrid Theory (considerado raro, até então) e o Reanimation, ambos adquiridos sem eu saber de que se tratavam porque a capa anunciava um conteúdo completamente diferente (eu só fui saber o que tinha em mãos muito tempo depois...).

Minha frustração, mesmo, era conseguir o Hybrid Theory, primeiro álbum da banda. Depois de meses procurando pela feira e voltando frustrada pra casa, tentei até procurar na loja de CDs originais. Vejam bem, CDs eram caríssimos e ainda não tínhamos coisas como as Lojas Americanas na cidade, então CDs originais eram um luxo que não tínhamos aqui em casa, na época. Mas também não o encontrei por lá. Comentei o fato com a tal amiga que primeiro me fez ouvir Numb, e ela disse que já não ouvia mais a banda, então me vendeu o dela. Fim da busca.


Estou resgatando essas fotos de um backup antigo. São algumas das que guardava com o maior carinho.


Vou parar a história por aqui porque daí pra frente ficou tudo mais fácil. Eu já estava na faculdade, munida da minha primeira camiseta de banda, da minha tatuagem em tributo e com internet em casa. Pelo Orkut, entrei em várias comunidades da banda e fiz amigos novos, e a maior parte deles está na minha vida até hoje, porque são amizades tão especiais que ultrapassam os gostos em comum. Passei a conhecer outras bandas do mesmo estilo, e aí de outros estilos, e fui virando essa consumidora louca de gêneros completamente desconexos que vocês conhecem hoje. Enfim, isso não é importante. O importante é o que eu quero dizer com toda essa história chata.

A banda da obsessão responsável por me tirar de uma depressão me mostrou que a música pode nos dizer alguma coisa que nos conforte ou que nos mostre que não estamos sozinhos.  As músicas que eu ouvia, até então, não diziam nada que fosse especial pra mim. Eu consumia música como entretenimento e me divertia com ela, mas era só o que significava pra mim. Aquelas ali falavam de dor, da sensação de deslocamento, de solidão, mas também falavam sobre a força interior que podemos demonstrar. E virou coisa de família. Sempre que viajava, meu pai me trazia pôsteres e DVDs que encontrava por onde estava, minha mãe já conhecia os nomes de todo mundo e as músicas todas, e até a Akira, minha cachorra sensacional, vinha para a porta da sala quando me ouvia assistindo o Live in Texas.

O Linkin Park, pra mim e pra tantas outras pessoas da minha geração, foi uma das coisas mais importantes que já aconteceu. Os relatos de tantas pessoas, essa semana, só comprovam isso. Não quero entrar em pormenores sobre influência artística ou inovação nem nada disso, porque não cabe a mim e não é o que quero dizer. O que quero dizer é que a morte do Chester Bennington me trouxe, além da nostalgia dessa época e da óbvia tristeza pela tragédia das circunstâncias, uma grande sensação de remorso. Eu já não acompanhava ou sequer ouvia a banda há muitos anos. Não é o caso de quem me conhece há muito tempo, mas alguns leitores do blog devem até achar essa história estranha, já que fala com tanta paixão de uma banda que eu mal cheguei a postar por aqui, em todos esses anos. Não ouvi mais porque a banda passou por uma mudança criativa que não gostei, assim como muita gente, e tudo bem com isso porque música é importante e mágica e especial, mas também é entretenimento. Mais ou menos ao mesmo tempo, acompanhei a banda adotando um comportamento com os fãs que eu desaprovo fortemente (algo a ver com preços absurdos e comentários do tipo "não é pra todo mundo", no início, até o completo fiasco desse ano com o duvidoso álbum que recém lançaram e o consequente comportamento da banda em relação à recepção deste), e isso tudo levou embora muitos fãs antigos, apesar de eles ainda terem um público muito forte. Me frustrei e me decepcionei e acabei deixando pra lá, como seria natural. Nunca cheguei a ir a um show deles, o que me frustrou por anos, mas depois, quando tive oportunidade, eu já nem quis mais ir. Cheguei até a agendar horário com o tatuador para cobrir minha tatuagem em tributo com outra coisa qualquer.

O caso é que nada disso anula o meu histórico com a banda. Minha desaprovação atual não desconsidera o amor, o respeito e a admiração que tive por eles e sua música. E a tatuagem que ainda vou cobrir não vai fazer diferença, porque não preciso dela pra me lembrar de nada disso. O remorso é pelo Chester, que era um cara que eu admirava e tinha como exemplo, e que morreu quando eu estava decepcionada com ele. Eu passei os últimos meses defendendo que ele deveria fazer o que era melhor pra todo mundo e sair da banda. Quando soube da notícia, não consegui nem reagir com tristeza sem me sentir hipócrita. A tristeza tá batendo só agora, me lembrando de tudo isso.





Muita gente prestou homenagens muito melhores, mas eu não quis fazer uma homenagem. Isso tudo foi só uma desculpa pra um grande desabafo. O Linkin Park representou um capítulo importante da minha vida e essa era uma história que eu queria contar. As circunstâncias da morte do Chester têm sido assunto de muito debate, também, e sugiro que todos prestem atenção no que puderem ler a respeito, porque não tem a ver só com ele, mas com muitas outras mortes semelhantes que podem ser evitadas.




When my time comes
Forget the wrong that I've done
Help me leave behind some reasons to be missed
Don't resent me
And when you're feeling empty
Keep me in your memory
Leave out all the rest, leave out all the rest...

Te amamos, Chester. Mesmo. ❤

03/07/2017

Sobre razão e sensibilidade

Marianne por kelleybean86 @ DeviantArt.com


"[...] e logo faltou coragem para Marianne tentar conversar sobre um assunto que a deixava cada vez mais insatisfeita consigo mesma, pela comparação que necessariamente produzia entre o comportamento de Elinor e o seu próprio.
Sentiu toda a força daquela comparação, porém, não para forçá-la a se empenhar, como esperara a irmã; sentiu-a com toda a dor do remorso contínuo, lamentou amargamente nunca se ter esforçado na vida, mas aquilo só lhe trouxe a tortura da penitência, sem a esperança de corrigir-se. Seu ânimo estava tão debilitado que ela ainda acreditava ser impossível qualquer esforço, e, assim, aquilo só a desanimava ainda mais."

Razão e Sensibilidade
Jane Austen, 1811
[Martin Claret, 2012. Traduzido por Roberto Leal Ferreira]


Elinor tem seu coração partido ao descobrir que o homem por quem era apaixonada e com quem esperava noivar-se já era noivo de outra mulher há muito tempo. A irmã, Marianne, tem o seu coração partido ao descobrir que o homem por quem era apaixonada e esperava noivar-se não queria saber de compromisso com ninguém e era meio que um babaca completo. Cada uma lidou do seu jeito: enquanto Marianne caiu em uma depressão debilitante que a deixou, nas palavras do irmão, "tão feia que ninguém mais vai querer se casar com ela", Elinor sofreu em silêncio e dedicou-se à recuperação da irmã e, ironicamente, a consolar a noiva do rapaz em questão, que nada sabia sobre os sentimentos dela.

A razão dita que a reação de Elinor é mais bonita e altruísta, talvez até mais correta e melhor para seu próprio bem-estar. A razão diz que sofrer pelo que não pode ser mudado é inútil e que a única coisa que você pode fazer para superar a própria dor é estar presente para que as pessoas que você ama não sofram também. Todos sofremos, mas todos queremos (ou deveríamos, pela razão) ser como Elinor. Parabéns, Elinor!

Mas a sensibilidade é aquela vadia que transforma algumas pessoas em Marianne. A depressão parece uma condição egoísta em que só pensamos em nós mesmos e ignoramos a dor do próximo. Marianne não querer socializar com a família e amigos e só conseguir chorar em sua cama todos os dias, o dia inteiro, pode parecer imaturo e irritante ("supera, Marianne!"), mas nem todos têm a força mental de Elinor. Algumas pessoas ficam doentes e isso não deveria ser tratado como drama adolescente. 

O fato de serem irmãs não as obriga a serem iguais. Sendo assim, não podemos exigir de Marianne que seja Elinor. Marianne não quer se isolar, deixar de comer ou chorar por meses a fio, mas é só o que ela consegue fazer. 

Razão e sensibilidade não são excludentes. Todos sofremos pelo excesso ou déficit de ambas, em diferentes graus. Meu cérebro Elinor sofreu um bata choque de Marianne nos últimos meses e não está conseguindo se restabelecer muito bem, ou ao menos não tão rápido quanto eu gostaria. Estou tendo ajuda de algumas Elinores sensatas que não fazem minha Marianne atual se sentir tão mal sobre ela mesma, e por isso sou grata. Logo espero ser uma Elinor novamente.


(eu não costumo ler romances mas, quando leio, rapaz. cada soco.)