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Hefesto, o deus que certamente NÃO inspirou a frase "Fulano é um deus grego!"

Hefesto é um dos 12 deuses do Olimpo, na mitologia grega. Mas não era qualquer deus meia-boca, que só fica lá sentado no seu trono, se achando e tendo casos extra-conjugais (ouvi alguém dizer Zeus?). Não... Hefesto era o cara. O grandalhão era filho de Zeus e Hera, e deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, do metal e da metalurgia, do fogo e dos vulcões. Ele era o ferreiro dos deuses, fazia todo tipo de aparato de guerra que lhe pediam; e seus símbolos são o martelo de ferreiro, uma bigorna e um par de tenazes (às vezes ele é simbolizado com um machado). Sim, Hefesto era muito másculo.

Entre seus maiores feitos, estão o capacete e as sandálias aladas de Hermes, o cinto de Afrodite, a armadura de Aquiles, a carruagem de Hélio (o deus Sol), o arco e flechas de Eros (o cupido), além dos tronos de todos os deuses do Olimpo. Hefesto também criou autômatos para ajudá-lo nas forjas, e também foi quem criou o presente dos deuses aos homens: a nossa velha amiga Pandora (bem como a sua lendária caixa)!

Porém, não bastava ser o cara. O pobre Hefesto não foi capaz de escapar da ira de sua própria mãe, Hera, e foi expulso do Olimpo.

"Mas... por quê?!", vocês me perguntam, incrédulos. Ora, a razão é bem simples. A deusa Hera, deusa das deusas, protetora das famílias e dos casamentos felizes, expulsou o próprio filho do Olimpo, ignorando tudo o que ele fez por ela e pelos outros, simplesmente porque...

... ele era MUITO feio.



(Sabem aquela comunidade do Orkut, "Minha Mãe Me Acha Bonito"? Não procurem por Hefesto lá)

Está para nascer o dia trazido por Hélio em que entenderemos o que se passa na cabeça da nossa complicada Hera. É bem sabido que Hefesto é um dos pouquíssimos filhos que Zeus teve com sua esposa, então era de se esperar que a deusa-mãe se sentisse um tanto quanto superprotetora em relação ao forte Hefesto, mas...

Enfim. Uma vez literalmente caído do Olimpo, Hefesto deixou de ser feio para se tornar eternamente feio e manco. Porém, nem o tombo de nove dias e nove noites fez com que Hefesto esquecesse da injustiça, então tratou logo de planejar uma vingança contra sua mãe. Forjou um belíssimo trono de ouro e o enviou de presente à Hera, no Olimpo. O que ele esqueceu de mencionar no cartão era que, uma vez que ela se sentasse nele, nunca mais conseguiria sair. Desesperados, os outros deuses imploraram para que Hefesto retornasse ao Olimpo e quebrasse a magia que prendia sua mãe... Mas ele recusou a generosa oferta, dizendo que "não tinha mãe" (não se preocupe, Hefesto, a gente te entende).

Então os deuses decidiram enviar Dioniso à presença do deus exilado. Dioniso era o deus do vinho e das orgias, e o único em quem Hefesto confiava. Essa confiança, porém, não impediu Dioniso de embriagar Hefesto e levá-lo de volta ao Olimpo, contra sua vontade, montado em um burro (cena indigna que foi imortalizada por inúmeros artistas). Uma vez lá, bom, fazer o quê? Hefesto soltou a mãe do trono encantado.

E se vocês pensam que agora tudo volta ao normal, lembrem-se da máxima: "Nada nunca é tão ruim que não possa piorar".

por Hendrik van the Elder Balen*
Zeus era o dono do pedaço e tinha que tomar algumas decisões para manter a ordem no barraco. Logo, metade do Olimpo queria se casar com Afrodite, deusa do amor e a mais bonita das deusas; então Zeus decidiu que casaria a deusa com seu filho Hefesto, e não se fala mais nisso.

Casar, eles casaram, mas Afrodite não era lá muito apaixonada pelo seu marido, ahn, feio. Então não perdeu mais tempo e arrumou um caso com Ares, deus da guerra. Não demorou muito, Hefesto acabou descobrindo sobre a traição da esposa, graças ao deus do Sol, o fofoqueiro Hélio (aquele que tudo vê). Usando suas melhores habilidades, inventou uma engenhosa rede de correntes inquebrantáveis, tão pequenas que passariam por invisíveis. Então, durante um dos encontros furtivos dos amantes, Afrodite e Ares se viram presos em sua cama, na armadilha de Hefesto. O deus traído arrastou os dois, como estavam, até o Olimpo, na presença dos outros deuses, que riram às lágrimas da humilhação dos deuses peladões. O que aconteceu aos dois depois deste episódio não é muito claro. Hefesto exigiu que Ares, em troca de ser solto, pagasse a punição pelo adultério (ainda imagino qual seja). Quanto a Afrodite, foi devolvida a seu pai (o que é engraçado, já que Afrodite não tem exatamente um "pai", longa história). Mas a humilhação não a impediu de ter muitos amantes pelo resto da vida.

que situação, hein gente?


*ainda não sei quem é o menino da pintura. Hefesto e Afrodite não tiveram filhos.

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Fontes: os livros de sempre + Theoi Project

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