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Educação (as)sexual: Pela visibilidade da assexualidade





A partir de uma única pesquisa conduzida no fim do século passado, estima-se que uma em cada 100 pessoas seja assexual. É chamado de assexual o indivíduo que não sente atração sexual - seja pelo sexo oposto, seja pelo mesmo sexo. A denominação segue o mesmo padrão das demais sexualidades: heterossexual, homossexual, bissexual, pansexual, - e não tem relação com o termo "assexuado", que indica os seres vivos que se reproduzem sem contato sexual (unicelulares, por exemplo).





A falta de atração sexual não tem absolutamente nada a ver com baixa libido, disfunção hormonal, depressão, criação religiosa rígida ou histórico de abuso. Embora possa haver indivíduos que sofrem de um ou todos os anteriores, nenhum desses fatores determina uma orientação sexual. Grande parte dos assexuais (e indivíduos de qualquer orientação não-hétero) nunca passou por nenhuma dessas situações.





É importante ressaltar que a assexualidade não tem relação nenhuma com celibato ou abstinência, pois os últimos tratam da escolha de se abster de relações sexuais por algum motivo pessoal, ainda que se sinta atração (é como uma dieta, quando se escolhe não comer doces, mas sente-se a vontade mesmo assim). O assexual pode ter relações sexuais quando e se quiser - apenas não o fará por atração sexual. Os motivos que o farão concordar com uma relação íntima são vários, e dependem de pessoa pra pessoa: curiosidade, para agradar ao parceiro, para conceber filhos, pressão social, ser uma atividade prazerosa, etc. Entretanto, assexuais também têm comportamentos diferentes em relação ao sexo: alguns são favoráveis, outros indiferentes, outros têm aversão, e outros ainda têm repulsa.





Existem espectros da assexualidade: enquanto a maioria dos assexuais nunca tenha experimentado atração sexual, outros a sentem ocasionalmente - por conhecidos ou estranhos. Estes são chamados de "assexuais-cinza" (gray-aces, no termo em inglês). Outros, ainda, a sentem apenas por alguém por quem têm um forte laço de afeição, e são chamados "demissexuais". 

Embora seja geralmente incapaz de sentir atração sexual, o indivíduo assexual pode sentir atração romântica. Para entender melhor a assexualidade, é necessário entender os conceitos e diferenças de "atração sexual" e "atração romântica". A atração sexual é tida como o desejo de ter relação sexual com alguém em específico (vulgarmente explicando, olhar para alguém e dizer "Eu pegava!"), e a atração romântica é o desejo de ter um relacionamento íntimo com alguém em específico, sem envolver aspectos sexuais. Há ainda as atrações sensual - o desejo da "pegação" sem "os finalmentes" - e estética - quando se acha alguém fisicamente atraente, mas sem o desejo de intimidade com a pessoa.





Por isso, é comum que o assexual se identifique usando as duas orientações: sexual e romântica. Essa separação também é a causa dos baixos números estatísticos relacionados à assexualidade: muitos assexuais se consideram héteros ou gays (ou os demais) por causa de sua orientação romântica, e não sexual. Vale lembrar que a orientação romântica é válida para todas as sexualidades, e não compreender a diferença entre as duas orientações é a maior causa de confusão entre os que ainda não entenderam o que são. Por exemplo: Sabemos que as orientações mais comuns são heterossexual heterorromântico e homossexual homorromântico, mas pode-se ser assexual heterorromântico, heterossexual homorromântico, homossexual birromântico, bissexual panromântico, pansexual arromântico, ou qualquer outra combinação possível (há depoimentos de todos eles). Existem outros termos bastante específicos para todo o tipo possível de atração romântica (platônica, confusa, sem desejo de reciprocidade, etc), e todos eles são válidos, confirmados e importantes para a identidade.




Finalizo acrescentando que, mesmo que o assexual seja também arromântico, isso não significa em absoluto que ele "não tenha sentimentos" e, portanto, prefira ficar sozinho. Embora alguns prefiram, a falta de atração sexual e romântica não impede a pessoa de sentir afeição, amor, ou de se apaixonar e de querer companhia. Nem todo amor é romântico e nem todo relacionamento precisa ser fisicamente íntimo. Pela perspectiva, um assexual raramente vai querer se envolver com alguém somente pelo sexo, o que basicamente anula uma traição; não é chegado a "ficadas" e dificilmente será fã de Game of Thrones pelas cenas explícitas. Não assuma nunca que um assexual seja frio - pelo contrário, ele é geralmente sensível e dá grande valor a amizades, personalidades e afeição.




Contribuí um pouquinho com a visibilidade da assexualidade pois sei o quanto é difícil não saber que se faz parte de um grupo enorme de pessoas que passam pelas mesmas coisas que nós, e aí se sentir bizarro, doente ou "errado".  Essa orientação só vem ganhando atenção recentemente, quando finalmente passou a ser estudada e aceita como válida, e, até que ela seja completamente aceita pela comunidade LGBT, há um grande trabalho de educação a ser feito. Se você conhece alguém que possa ser assexual e não saiba, oriente-o a conhecer a comunidade!




► LINKS PARA ORIENTAÇÃO:


  1. AVEN - The Asexual Visibility and Education Network (em inglês): a maior comunidade mundial, com fórum para debate, links para artigos e pesquisas, e uma seção de FAQ para assexuais e família/amigos/parceiros. Anualmente, a AVEN realiza uma pesquisa entre os membros para que dados estatísticos sejam levantados a respeito da assexualidade no mundo. Aqui estão os resultados de 2014.
  2. Comunidade Assexual: uma versão da AVEN em língua portuguesa. Também conta com fórum para debate. 
  3. Asexual Explorations (em inglês): Compilação de artigos acadêmicos (desde 1977 até hoje) sobre o estudo da assexualidade, os quais abordam aspectos como o debate sobre tal orientação ser comportamental ou patológica, levantamentos estatísticos, discussão legal e a invisibilidade social.
  4. Assexualidades: blog da pesquisadora brasileira Elisabete Regina Baptista de Oliveira. Há uma entrevista a respeito do seu estudo para um pós-doutorado sobre a assexualidade que é uma ótima fonte de informação a todos.
  5. Asexual Advice (em inglês): o maior depósito de depoimentos e um excelente lugar para se pedir esclarecimento e orientação a respeito da assexualidade. Os moderadores são solícitos e respondem a todas as milhares de mensagens submetidas. Há uma grande lista de links úteis no menu à direita.
  6. Como entender pessoas assexuais (em 8 passos): um guia resumido de orientação e compreensão da assexualidade, explicado de maneira bem simples e direta. Bom pra quem não teve paciência de ler essa página. :)


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Se alguém quiser tirar dúvidas por aqui mesmo, fiquem à vontade para deixar sua pergunta. Só, por favor, abstenham-se dos seguintes comentários (podem não ser por mal, mas são realmente ofensivos):


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