Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕
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Ficção:
Os Portões
John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p.

Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas, fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos, coletânea de contos de terror, e Os Portões, uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico casual, os portões do inferno, libertando vários demônios que vão preparar a Terra para a chegada do Grande Malevolente. Como esperado, ninguém acredita no que Samuel tenta contar, exceto alguns cientistas do CERN, que notaram um comportamento estranhíssimo no Acelerador de Partículas no mesmo momento do que o menino testemunhou. A narrativa deste livro é diferente da dos outros que li do autor, o que prova que Connolly é extremamente versátil em tudo o que decide escrever. Os Portões vem com várias notas de rodapé que servem para explicar alguns conceitos científicos que podem ser complicados para os leitores mais jovens, mas num humor típico britânico estilo Douglas Adams. Meu personagem favorito do livro é o demônio Nurd, o Flagelo de Cinco Deidades. Todas as passagens com ele são hilárias!
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A Vida do Livreiro A.J. Fikry
Gabrielle Zevin - Paralela - 2014 - 186p.

Eu já tinha visto o livro por aí mas não tive curiosidade de lê-lo porque achei que seria mais um daqueles sobre alguém que tem uma livraria e descobre algo misterioso nela que o leva a alguma aventura fantástica, em mais uma metáfora batida sobre como os livros são maravilhosos. Livros são maravilhosos, mas certos tipos de enredo cansam depois que lemos um punhado de histórias parecidas. Entretanto, minha mãe acabou adquirindo-o e, como é fininho, peguei pra lermos juntas. Me surpreendi porque não era nada do que eu esperava (nem mesmo algo que eu costume ler): é um drama, uma história completamente realista sobre a vida de A.J. Fikry, proprietário carrancudo da única livraria de uma pequena ilha na costa dos EUA. Viúvo recentemente, apesar de ainda jovem, A.J. começa essa história tratando horrivelmente a novata representante de uma editora que vai visitá-lo com o catálogo da temporada. No mesmo dia, A.J. tem seu maior tesouro, uma edição rara de Edgar Allan Poe, roubada de sua casa. E aí, pouco tempo depois, alguém deixa em sua loja um pacote surpresa que vai mudar a sua vida e a de muitas pessoas da ilha para sempre. Não posso falar muito além disso porque o mais legal da história é a surpresa, mas digo que, apesar de não ser um livro de ação ou aventura, tem muita reviravolta. Consegue ser bem triste, também, justamente por ser tão realista. Gostei muito de ser surpreendida por ele e acho que vocês podem gostar, também.
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Os Três
Sarah Lotz - Arqueiro - 2014 - 400p.

Enquanto lia este, fiquei tão empolgada com a história que achei até estranho não só não haver ainda um filme dele, como não haver nem menção a um. Pior que isso: não há página para ele na Wikipedia, e nem para a autora! É um tanto incrível, pois podia jurar que era um bestseller, e tem até recomendação de Stephen King na contra-capa, poxa. Enfim, a trama é a seguinte: quatro aviões caem no mesmo dia, quase ao mesmo tempo, em quatro lugares diferentes do planeta. De três deles, há apenas um sobrevivente - uma criança. Com o tempo, cada uma delas começa a demonstrar um comportamento estranho, diverso do que apresentavam antes do acidente, o que começou a levantar várias teorias a respeito das causas dos acidentes e do que aquelas crianças significavam - principalmente porque uma das vítimas dos acidentes, antes de morrer, conseguiu deixar uma mensagem gravada em seu celular pedindo para o que o pastor de sua igreja tivesse cuidado com "o menino". O mais interessante deste livro é a narrativa adotada pela autora, que é uma coleção de depoimentos que uma escritora recolheu para escrever um livro sobre o dia do acidente, que ficou conhecido como Quinta-Feira Negra. Como esses depoimentos foram dados depois de algum tempo do acidente, o tempo todo são dadas dicas sobre coisas horríveis que aconteceram com os envolvidos com as crianças ou outros passageiros dos voos, mas sem dizer exatamente como ou o que até que se chegue realmente a isso, o que manteve um suspense enorme durante boa parte da leitura (eu não sei vocês, mas eu adoro um suspense que prende a gente no livro). Sendo assim, não há protagonistas, mas muitos personagens (os mais diversos possíveis) com importância equivalente na história toda. Outro ponto que deixa a história interessante não é tanto o terror dos eventos, pois as crianças não chegam a fazer muito, diretamente, mas como o mundo todo foi tão afetado pelo evento que acabou desencadeando uma sequência de consequências horríveis. Não sei se o final agradou, de modo geral, mas a leitura certamente vale a pena pelo suspense muito bem construído e pelo desenrolar inteligente.
✔ item do desafio: Um livro cujo protagonista seja asiático
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O Navio dos Mortos
Rick Riordan - Intrínseca - 2017 - 368p.

Último volume da série Magnus Chase e os Deuses de Asgard, pelo menos até o tio Rick resolver juntar todo mundo numa aventura só, como acho que deveria fazer (ele pelo menos tem largado várias dicas sobre isso nos livros). O último passo para evitar o Ragnarok é encontrar o navio de Loki e impedi-lo de zarpar pelos nove mundos com os exércitos de gigantes e mortos-vivos. Claro que a tarefa vai caber ao herói mais obtuso de Rick Riordan e seus estranhos e valorosos amigos. Não dá pra falar muito mais que isso pois pode dar spoilers dos livros passados, e já falei tudo o que queria sobre essa série, mas gosto de ressaltar que Magnus é possivelmente o protagonista mais divertido de todos do autor (pau a pau com Sadie Kane), o que deixa todo o caos engraçado em vários momentos. Ele tá sempre perdido, não é bom em nada (sem ser na cura, que é o seu poder herdado do pai), só dá fora e não consegue fazer nada sozinho. Gente como a gente. Pra ajudar, Magnus ainda tem a espada mais irritante dos nove mundos, e Alex Fierro veio definitivamente para confundir a mente simplória do rapaz. A amizade maravilhosa de Blitz e Hearth continua sendo a coisa mais bonita de tudo. E esse livro finalmente apresenta direito a história dos seus amigos do andar 19, então os conhecemos melhor, o que ficou faltando nos livros anteriores para podermos simpatizarmos mais com eles. Foi uma boa conclusão, mas ainda tem gancho pra muita coisa. Eita, tio Rick.
✔ item do desafio: Um livro publicado no mês passado
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Obras Completas de Machado de Assis I: Romances Completos
Machado de Assis - 2015 (1872-1908) - 1949p.

Esse eu levei uns bons meses pra terminar, pois são todos os dez romances de Machadão em um volume digital só: Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena, Iaiá Garcia, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Casa Velha, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires. Não vou falar de todos (rá, se ferrou quem caiu aqui procurando resenha pronta pro trabalho da escola!), só destacar que a transição do romantismo para o realismo é muito visível, quando ele escreveu Memórias Póstumas logo depois de Iaiá Garcia. Se antes tínhamos um escritor de romances leves com protagonistas apaixonados e as dificuldades gerais do amor, nessa fase ganhamos um Machado muito mais afiado (eu não resisti, me desculpem, eu nem tentei resistir). Aqui entram o famoso cinismo do autor, os protagonistas complexos e o tom irônico que faz a gente dar umas risadinhas de deboche da natureza humana. Embora eu já tenha lido alguns livros dele antes, confesso que ainda não tinha lido a maioria, e escolho Quincas Borba como meu favorito atual. Ri, chorei, fiquei presa à história, o que nem sempre acontece com os romances dele. Da fase romântica, me surpreendi por ter gostado tanto de Helena, considerado seu pior livro (nem ele mesmo gostava). Embora eu normalmente não goste de romances, Helena me agradou por ter uma dose boa de suspense que me fez criar teorias durante a leitura (e errei, droga!). Como nota, ter relido Dom Casmurro depois de uns 15 anos me deu um embasamento melhor para entrar na afamada discussão sobre a traição de Capitu. Leitora prática que sou, caí no óbvio de concordar com a versão de Bentinho, que é quem narra a história. Precisei ser educada por uma leitora melhor para que eu pudesse ver que ele não é um narrador confiável. Bom, na verdade ainda reluto em inocentar a dona dos olhos de cigana oblíqua e dissimulada, afinal o fato de Bentinho ser um desequilibrado ciumento não exclui a possibilidade da traição ter realmente acontecido, mas... Machadão morreu com essa e deixou a gente aqui brigando à toa.
✔ item do desafio: Um livro que você deveria ter lido na escola, mas não leu
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Não ficção:
O Livro da Vida - 365 meditações diárias
J. Krishnamurti - Planeta - 2016 (1995) - 415p.

Aos que não o conhecem, Krishnamurti foi um filósofo indiano muito influente nos seus ensinamentos sobre a evolução da natureza humana que pretendia mudar radicalmente a sociedade com a sua maneira de pensar. Composto por trechos de palestras e entrevistas de Krishnamurti entre os anos de 1929 e 1986, este livro propõe dar uma reflexão diária com textos curtos para cada dia do ano. Compartilhei coisas maravilhosas dele várias vezes nas redes durante a leitura, mas, como comentei na resenha do Skoob, não gostei do formato como os ensinamentos foram distribuídos aqui. Acho que fragmentar as conversas para serem lidas em dias individuais deixa tudo um pouco incompleto, e ler tudo de uma vez para não perder o fio do pensamento acaba ficando repetitivo e quebra a proposta original. De resto, a quem gostou do que viu quando compartilhei, recomendo a leitura e a reflexão.
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100 Gatos que Mudaram a Civilização
Sam Stall - Prumo - 2009 (2007) - 248p.

Neste livro de bolso, Sam Stall reúne as histórias reais de cem gatos que fizeram coisas incríveis na nossa história ou que influenciaram seus donos a fazerem coisas incríveis. Há gatos infames, gatos lendários que são homenageados e celebrados, gatos de personalidades famosas, e há gatos que são inacreditáveis. Todas as histórias estão divididas nas categorias Ciência e Natureza, História e Política, Arte e Literatura, Cultura Popular e Perfis Corajosos. Algumas delas são a de Nadjem, o primeiro gato da História de quem se sabe o nome; Oscar, que sobreviveu a três naufrágios (azarento ou o motivo dos naufrágios?); Ahmedabad, responsável por um enorme mal entendido político entre os EUA e o Paquistão; Blackie, que sabia falar; Lewis, que foi condenado à prisão perpétua, e muitíssimos outros casos curiosos. Muito gostoso de ler e bastante divertido; tenho certeza de que todos os que gostam dos bichos vão adorar este livro. (Tem a versão sobre cachorros, também!).
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Psi-Q
Ben Ambridge - Sextante - 2016 (2014) - 288p.

Louca dos testes de psicologia que sou, logo soube que precisava ler este. Aqui, o autor analisa cientificamente 80 dos testes mais conhecidos e explica por que eles funcionam, ou por que são charlatanices. Alguns você pode fazer e entender os próprios resultados, outros são demonstrados com experiências notáveis feitas por profissionais em determinados casos interessantes. Todos vêm apresentados com sua origem histórica, então é uma leitura muito interessante para quem gosta dessa área e tem curiosidade a respeito dos métodos avaliativos usados por profissionais. Como nota separada, não quero deixar de mencionar que fiquei um tanto decepcionada com o trabalho do tradutor e revisores do texto, que deixaram escapar muita coisa antes da publicação. Não digo apenas como alguém que tem a leitura treinada para procurar erros (o que me tirou completamente o prazer da leitura, é um saco!), mas porque tem alguns trechos que ficaram tão confusos que é necessário ler várias vezes para absorver o que o autor está tentando explicar, que já não é tão simples. Mas não deixem que isso desanime, ainda é uma leitura bastante recomendada!
itens cumpridos do desafio: 40/48
total do ano: 79 😱
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Pois é, não deu pra fechar o desafio. Porém, em quantidade, li mais do que o proposto (e mais do que nos anos anteriores!). Como continuo sorteando o que vou ler, às vezes coincide com os itens do desafio, e às vezes não. Eu sei que não é assim que se brinca de desafio, mas me deixem u.u Em compensação, consegui checar todos os itens que ficaram faltando do desafio do ano passado.
Variei mais entre livros físicos e livros digitais, entre autores homens e mulheres, e entre livros estrangeiros e nacionais.
Segue a lista completa de leituras do ano (cada resenha pode ser encontrada no arquivo, pela busca, pela tag DESAFIO DE LEITURA ou pelo diretório de resenhas):
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👉 Fora do desafio: