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Mostrando postagens com o rótulo mitologia

Algumas palavras do dia a dia derivadas da mitologia greco-romana

Alguns dos deuses greco-romanos, com seus nomes em ambas religiões. ©  zhaolifang, vecteezy.com As antigas religiões grega e romana (aqui referidas como uma só, pois a segunda foi fortemente baseada na primeira, como visto na imagem acima) foram tão influentes na cultura do restante do mundo que ainda usamos elementos delas - tanto em outras religiões quanto no dia a dia. Como o grego e o latim são a base de grande parte das línguas mais modernas, usamos algumas palavras com raízes derivadas de elementos de suas mitologias. Vejamos algumas: Atlas A palavra que dá nome a um livro de mapas vem do titã Atlas que, segundo a mitologia, é quem sustenta o peso do céu sobre os ombros como punição por ter sido o líder na guerra contra Zeus. Atlas foi quem ensinou a humanidade sobre astronomia, ferramenta para que navegadores e agricultores pudessem calcular as estações do ano pela movimentação das estrelas. Como curiosidade, atlas também é o nome da primeira vértebr...

Argos, o cara que tava de olho em tudo

Argos Panoptes , de Marco Arce Zeus , o Grande Pulador de Cerca Todo-Poderoso do Olimpo, veio à Terra se engraçar com a ninfa escolhida da vez, Io. Hera, a Deusa Protetora das Famílias e o Terror das Ninfas Seduzidas Pelo Marido, veio atrás do esposo para acabar com o oba-oba. Mas, antes que Hera pudesse fazer algo a respeito (provavelmente transformar a ninfa em um animal ou uma árvore, como era o seu costume), Zeus foi rápido e, para proteger sua amante, resolveu disfarçá-la da esposa... transformando-a numa vaca. Óbvio que o truque não ia funcionar com a Deusa Transformadora de Ninfas, então Hera jogou um charme dissimulado pra cima do maridão e disse algo como: " Amor, que vaca maravilhosa! Me dá ela de presente? " *olhar brilhante de deusa enfurecida assassina sanguinolenta que não dá opção* , e Zeus teve de concordar. Assim, Hera levou sua mais nova ninfa-vaca embora e a colocou sob guarda pra que o marido não viesse resgatá-la. Para guardá-la, Hera...

Volta, Sekhmet!

imagem de Sekhmet no templo de Kôm Ombo, Egito ilustração de Jeff Dahl Sekhmet é a deusa egípcia da guerra e destruição. É retratada com uma cabeça de leoa, a maior caçadora da natureza, e um vestido vermelho, para simbolizar o sangue. Foi criada por Rá, o Deus Sol, a partir do fogo de seus olhos, como uma arma de vingança para destruir os humanos que o desobedecessem. Considerada a deusa protetora dos faraós, seu nome significa "aquela que é poderosa", e dizem que foi o seu hálito que originou os desertos e que ela poderia lançar pragas contra aqueles que a irritassem.  Segundo as histórias, Ra enviou Sekhmet na missão de destruir todos os humanos que conspiravam contra ele. A sede de sangue de Sekhmet, entretanto, era tão implacável, que a deusa se deixou levar e começou a devorar todos que encontrava. Como estava quase extinguindo a humanidade, Ra apelou para uma estratégia humilhante: inundou a terra com cerveja tingida de vermelho, para que ela pensasse q...

Os Homens-morcego do Brasil (sem relação com o Batman, infelizmente)

(e é desse Brasil, mesmo, não do outro ) Imaginem vocês uma tribo indígena tipicamente brasileira. Pronto? Agora, acrescente a essas pessoas um par natural de asas de morcego. Interessante. Agora imagine essas pessoas voando, à noite, como morcegos de verdade. Lindo! Por fim, imagine essas pessoas com asas de morcego e voando à noite como morcegos, portando machados com a única intenção de degolar pessoas e animais passeando desavisados pela madrugada. Não tão legal. É difícil encontrar mais sobre essa história indígena, mas o que pouco que consegui ler a respeito dá as mesmas informações: os Kupe-dyeb (às vezes chamados de cupendipe) são uma lenda da tribo dos apinajés (ou Apinayés), que habitam a região entre Goiás e Tocantins. Tais criaturas seriam uma tribo indígena própria, que habitaria as cavernas da Montanha do Morcego, próxima ao rio Araguaia, e essas cavernas seriam entradas para uma cidade subterrânea. Segundo relatos do explorador e naturalista norte-americano Car...

Faetonte, o primeiro adolescente sem noção

Se não fomos adolescentes irresponsáveis, com certeza tivemos amigos que foram. Ou ainda somos, ou ainda os temos. É impossível não conviver com adolescentes "aborrecentes" ao menos uma vez na vida. Faetonte, entretanto, deve ter sido o adolescente inspirador das futuras gerações... Porque o tamanho da besteira que ele fez foi impressionante. Stapleton Historical Collection/Heritage-Images Faetonte sofria bullying pesado na escola. Os colegas tiravam sarro dele porque sua mãe dizia que ele era um semideus, filho de ninguém menos do que Hélio, o deus do Sol. Ninguém acreditava, óbvio, então Faetonte decidiu confrontar a mãe e pedir pra que ela provasse que ele era mesmo filho de um deus. - Bom, - disse ela - eu jamais mentiria sobre isso. Mas você pode ir pessoalmente à Terra do Sol e perguntar ao seu pai se ele o reconhece. E Faetonte foi. Às Índias, que eram próximas, e lá não teve dificuldade em encontrar o palácio de seu pai. Viu Hélio sentado em ...

Brasil (não esse, o outro)

É isso mesmo, brasileiros da minha pátria: o mundo já era agraciado com um Brasil antes de Pedro Álvares Cabral tropeçar em nossas terras tupiniquins. Há ainda uma discussão a respeito da veracidade do outro Brasil, porém. Porque, vejam bem, o outro Brasil é uma ilha... fantasma. Tão vendo, ali à esquerda? | Extraído do mapa de Abraham Ortelius, 1572 | Wikipedia Essa ilha minúscula do Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda, também é conhecida por Hy-Brasil, Hy-Breasal, O'Brasil e outras variações. Acredita-se que o nome tenha origem irlandesa: Uí Breasail , que significa "terra do clã de Breasal". Breasal, segundo o folclore da história Celta, foi o Rei do Mundo. Dizia-se que a ilha era "o Paraíso", habitada por belas mulheres e onde tudo era perfeito. Entretanto, apesar da incrível semelhança, a origem desse nome não é compartilhada com a do nosso país: todos aprendemos que o nosso Brasil veio do pau-brasil, que vem de "brasa", etc etc. ...

O Homem de Areia

The Oddment Emporium   O Sandman (conhecido em Portugal como João Pestana ) é uma criatura do folclore norte europeu que traria bons sonhos às pessoas ao salpicar areia mágica em seus olhos à noite. Porém, o personagem tem recebido uma imagem mais negativa e vilanesca do que originalmente pretendido. A primeira obra escrita sobre o personagem data de 1816, um conto alemão chamado Der Sandmann . Nele, ao contrário da personalidade amável que lhe é atribuída, o Homem de Areia é descrito como uma criatura maligna que joga areia nos olhos das pessoas para que eles caiam, e assim ele os recolheria e os levaria "à lua, para alimentar seus filhos"; mas, na verdade, é apenas uma história que um dos personagens usava para assustar seus filhos, para que não fossem dormir tarde e assim ele pudesse executar em paz suas atividades clandestinas. Hans Christian Andersen escreveu um conto sobre o Sandman em 1841, chamado Ole Lukøje . Esta versão é a que condiz com a tra...

Agora, se queremos falar de filhos de lares desestruturados, falemos do Minotauro

A cho importante lembrar a todos que os monstros das mitologias, em sua maioria, são na verdade as grandes vítimas. Falei anteriormente sobre a Medusa , e agora venho falar sobre o Minotauro. P ra variar, Creta não estava sob os domínios de um rei muito legal. O rei da vez era Minos, um semideus filho de Zeus e da humana Europa, que foi criado pelo rei Astério. Minos não era o herdeiro do trono, mas enganou os irmãos a fim de conseguir o que queria: dizia ele que era favorecido pelos deuses, e que tudo o que ele pedia em suas preces era concedido.  P ara provar, um dia, enquanto fazia sacrifícios a Poseidon, pediu ao deus que o enviasse um belo touro das profundezas do mar, que seria sacrificado em sua homenagem logo em seguida. E Poseidon realmente lhe deu um magnífico touro, mas Minos foi espertão e logo enviou o touro aos seus estábulos particulares, sacrificando ao deus um touro qualquer. Não sei o que tinha na cabeça desse povo achando que podia enganar os deuse...

Por que todos os planetas do Sistema Solar têm nomes mitológicos?

Mitologia + Espaço = Manu feliz e post novo Alguém aí já teve tempo sobrando e se pegou imaginando quem havia dado o nome de Terra ao nosso planeta (e quem nunca fez aquela piadinha velha e tosca sobre o nome do planeta dever ter sido Água)? Se for o caso, então vou explicar aqui de maneira porca e resumida por que os planetas (e a maioria de seus respectivos satélites naturais) do nosso Sistema Solar têm os nomes que têm. ▼ O espaço vem sendo observado desde que a humanidade é humanidade, e desde então os objetos que foram sendo descobertos no céu foram chamados de nomes diferentes, dependendo da cultura. Porém, quando Roma se tornou o Grande Império do mundo (lá por 27 A.C.), tudo teve que se moldar segundo os padrões romanos: foi quando os deuses gregos deram lugar aos deuses romanos, por exemplo. E foi nisso que os planetas que haviam sido observados até então receberam os nomes de acordo com a tradição romana. Até então, 5 dos planetas do nosso Sistema...

Édipo, o cara que nem era complexado

A história de Édipo pode até não ser novidade pra muita gente, mas às vezes me sinto obrigada a falar sobre ela pra que as pessoas não o achem um grande pervertido, como a Psicologia nos faz acreditar (já ouviram falar no Complexo de Édipo , não? Aquela coisa toda do cara ser apaixonado pela mãe?). Pra começar, temos que conhecer seus pais. Seu pai era Laio, rei de Tebas. Assim que se uniu a Jocasta, procurou um oráculo , como era costume dos gregos, para saber se o futuro de ambos seria feliz. O oráculo, porém, lhe disse que eles teriam um filho, e que este filho assassinaria o próprio pai . Bom, não deu pra evitar a gravidez; então, assim que o bebê nasceu, Laio o entregou a um de seus guardas e ordenou que o matasse. O soldado, muito prático que era (só que não), levou o bebê até o monte Cíteron, que era já em outro reino, e o deixou pendurado em uma árvore, amarrado pelos pés. Como era de se esperar, logo um pastor de rebanhos passou por ali e, atraído pelos grit...

O Mês de Jano

Quando eu comecei a estudar as diferentes Mitologias da história do mundo, coisa que notei foi que os antigos tinham uma entidade divina pra absolutamente tudo . Os gregos tinham até um deus específico para os limites entre uma cidade e outra e achavam que ele aparecia na forma de uma pedra ou pedaço de pau qualquer. Adoro. Mas hoje não vim falar de uma divindade grega, e sim romana. É sabido que os romanos adotaram muito da cultura grega, inclusive sua antiga religião. Grande parte dos deuses e personagens da mitologia grega tem um correspondente na mitologia romana, com leves mudanças de personalidade - normalmente, a manifestação romana de alguns deuses é mais bélica (adaptada pra guerra, digamos assim). Mas, com o tempo, surgiram novos deuses e personagens romanos, sem correspondência grega; como é o caso do deus que lhes apresentarei agora. Jano (ou Janus , seu nome original) é o deus dos inícios e transições. Ele é representado como um homem de duas faces: ele ser...

Tântalo, o Melhor Anfitrião Ever

O Tártaro tá cheio de pessoas legais. Já vimos sobre  Sísifo , o que está empurrando sua pedra morro acima até hoje; e agora conheceremos Tântalo, essa simpatia de pessoa. Como é comum na Mitologia Grega, bem como em todas as outras, existem algumas versões variadas sobre esta história. Vou contar a mais comum e, ao meu ver, mais interessante. Tântalo foi um rei. Rei de onde, depende da versão, mas era um cara muito poderoso e, como todos os caras poderosos, tinha contato com os deuses. Um dia, Tântalo decidiu que os deuses não podiam ser assim tão todo-poderosos, então resolveu fazer uma brincadeira divertida para testar a sabedoria deles. Ofereceu aos Doze Olimpianos um farto banquete, no qual ele serviria a carne do próprio filho , Pélope. Oh sim, ele matou o filho, o cortou em pedaços e cozinhou sua carne para o almoço. Os deuses, como era de se esperar, perceberam que tinha alguma coisa muito errada com aquele banquete, e resolveram não tocar na comida... Todos, menos a...