Pular para o conteúdo principal

Os Homens-morcego do Brasil (sem relação com o Batman, infelizmente)

(e é desse Brasil, mesmo, não do outro)

Imaginem vocês uma tribo indígena tipicamente brasileira. Pronto? Agora, acrescente a essas pessoas um par natural de asas de morcego. Interessante. Agora imagine essas pessoas voando, à noite, como morcegos de verdade. Lindo! Por fim, imagine essas pessoas com asas de morcego e voando à noite como morcegos, portando machados com a única intenção de degolar pessoas e animais passeando desavisados pela madrugada. Não tão legal.

É difícil encontrar mais sobre essa história indígena, mas o que pouco que consegui ler a respeito dá as mesmas informações: os Kupe-dyeb (às vezes chamados de cupendipe) são uma lenda da tribo dos apinajés (ou Apinayés), que habitam a região entre Goiás e Tocantins. Tais criaturas seriam uma tribo indígena própria, que habitaria as cavernas da Montanha do Morcego, próxima ao rio Araguaia, e essas cavernas seriam entradas para uma cidade subterrânea. Segundo relatos do explorador e naturalista norte-americano Carl Huni, os cupendipe teriam pele escura, pequeno porte mas grande força física, e excelente olfato. O relato também diz que, às vezes, eles deixariam pessoas entrarem em suas cavernas, mas estas jamais saíam de lá.



Esta é a imagem que está sendo usada para ilustrar os Kupe-dyeb em websites, o que é errôneo. Esta imagem retrata um boato conhecido por "Great Moon Hoax", a respeito de um povo que, supostamente, habita a nossa lua. Não existem imagens retratando os cupendipe, ficando nós, portanto, com as nossas imaginações.



Por causa da matança promovida todas as noites pelos Kupe-dyeb e seus machados, certa vez os homens da tribo apinajé resolveram cercar as entradas das cavernas e exterminar aquela tribo. Os cupendipe, entretanto, conseguiram fugir: voaram para o Sul e nunca mais foram vistos. Do ataque, os índios apinajé recolheram vários dos machados e adornos deles, e um menino cupendipe que havia ficado para trás. Tentaram criá-lo em sua tribo, mas o menino se recusava a comer o que eles comiam, e só conseguia dormir pendurado de cabeça para baixo. Uma vez o encontraram deitado no chão cantando uma canção de sua tribo, com as mãos no pescoço, e disse que era assim que sua tribo dançava. Acabou morrendo de tristeza pouco tempo depois, e até hoje os índios apinajé cantam a canção dos Kupe-dyeb em sua memória.

Como toda lenda (lenda?) do mundo, a história dos Kupe-dyeb dá margem a várias "teorias da conspiração": aliens? Civilização pré-diluviana? Povo atlante? Associam inclusive o desaparecimento da família de um explorador a essas criaturas. Onde elas estão agora? Por que não há outros relatos sobre os homens-morcego?

Alguém arrisca vir aqui ao Centro-Oeste investigar? ;)

.

Fontes: Dicionário do Mundo Misterioso, de Gilberto Schroereder (Record: Nova Era, 2002) | Te Pito O Te Henua

Postagens mais visitadas deste blog

Adeus, 2017. Adeus, HCtZ.

Eu não sei se tenho como definir o que foi 2017 pra mim. A primeira impressão é de que foi tudo horrível, mas aconteceu tanta coisa legal, também, que tenho que ficar me lembrando de não ignorá-las. Fiquei bastante doente (o fato de ninguém validar a doença não a anula - até a piora, na verdade) e me deixei abater por muito tempo, até cansar e querer me cuidar. A retrospectiva do ano passado fala sobre o que desencadeou a coisa toda. Não bastasse isso por si só já ter sido bastante difícil de lidar, afastei vários amigos próximos durante o processo. Reconheço que é chato aguentar gente deprimida; toda a reclamação, negatividade, isolamento... A gente acaba levando isso pra um lado pessoal. Entretanto, ver amigos queridos se afastando de mim foi muito doloroso e intensificou o problema. Eu já estava lidando com uma rejeição imbecil que destruiu a minha autoestima, e aí alguns acharam que era melhor desistir de mim. Uau. Eu sei que ninguém que parou de me seguir ou falar comigo va...

Manu explica sobre assexualidade, de novo, devagarinho pra todo mundo entender (COM SARCASMO!) (METÁFORAS!) (E CIÊNCIA!)

Eu entendo que seja confuso. Acreditem, é mais confuso ainda pra quem é e precisa entender como e por que é assim. No processo de autoeducação, a gente tenta educar também os outros porque ouve muita, muita besteira e essas besteiras acabam ofendendo e atrapalhando um processo complicado de autoaceitação. Então, pra evitar que as pessoas das demais orientações continuem mal-interpretando os milhões de assexuais do mundo, venho aqui novamente explicar qual é a nossa. 👉 RECAPITULANDO: Assexualidade é a orientação sexual em que o indivíduo não sente atração sexual por outros , de qualquer gênero.  É ausência de atração , não de libido.  Não é o mesmo que celibato , que é uma escolha de abstinência de atividade sexual. A demissexualidade (quando a atração sexual ocorre somente quando há forte vínculo emocional), muito comentada atualmente, é um espectro da assexualidade. Nem todo assexual tem repulsa e se priva de atividade sexual, embora muitos sim. As...

Desafio de Leitura 2017: Último relatório

Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕 ▼▼▼▼▼ Ficção: Os Portões John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p. Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas , fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos , coletânea de contos de terror, e Os Portões , uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico c...