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"Eu Ouço Gente Morta": Chet Baker

Eu sei, que nome horrível pra uma nova ~coluna~ do blog, mas foi bem sacado vai, diz aí.

Eu ouço muita gente morta. O tempo todo. Alguns morreram depois de eu começar a ouvi-los. Outros morreram antes. E outros morreram até antes de eu nascer. Mas o importante é que eles tão vivão aqui no meu coração.

Hoje apresento a quem não conhece Chet Baker (que eu conheci graças ao pessoal de muito bom gosto do Musicólatras, numa fase em que estava entrando aos poucos no mundo do Jazz).

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Chet fez sucesso nos anos 50 porque, além de tocar o trompete e o piano, também cantava (o que não era muito comum, ser instrumentista e cantar ao mesmo tempo). Sempre comentou-se muito da voz e do estilo de canto de Chet, com seu tom suave. Seu estilo de tocar também não era de firulas, mas simples e improvisado com eficiência. Em seu auge, tocou com os artistas mais renomados do gênero. E também fez sucesso com a mulherada por causa dessa cara linda que lhe rendeu o apelido de James Dean do Jazz.

Infelizmente, além de talentoso e lindo, Chet foi meio azarado. Foi acabar se viciando em heroína, vício que influenciou negativamente tanto em sua carreira quanto em sua aparência. Em poucos anos, parecia ter envelhecido o dobro do que realmente tinha. Chegou a penhorar seus instrumentos para poder manter o vício e foi preso várias vezes pelos mais diversos motivos relacionados a ele. Foi perdendo prestígio nos EUA e só conseguia ser chamado pra tocar na Europa. Um dia, já nos anos 60, Chet foi espancado em um bar, tão violentamente que perdeu todos os dentes da frente, o deixando impossibilitado de tocar propriamente seu trompete. Precisou arrumar outros empregos, fazer uma dentadura e treinar muito, até finalmente conseguir se aperfeiçoar e voltar a tocar em público.



A morte de Chet, em 1988, aos 58 anos, também não foi das mais românticas. Encontraram o seu corpo na rua, embaixo da sacada do quarto de hotel onde estava hospedado, na Holanda. Não houve evidência de luta, mas encontraram drogas em seu organismo, levando à conclusão de que a morte dele não tenha passado de um infeliz acidente.

Mas, apesar disso tudo, Chet Baker deixou um legado e tanto para o mundo do Jazz. Seu estilo foi pioneiro no gênero. Foram lançados filmes e biografias sobre ele, além de um musical que percorreu alguns países. Até hoje são lançadas coletâneas com suas melhores performances, instrumentais e cantadas.



Chet Baker é mais associado à sua versão de My Funny Valentine, por causa de seu solo marcante de trompete:



Minha favorita pessoal é esta que segue. Por causa de razões.


My heart should be well-schooled
'Cause I've been fooled in the past
But still I fall in love too easily
I fall in love too fast. 

Lógico que a minha biografia ficou porcamente incompleta, então sugiro que, caso queiram saber mais sobre o artista, confiram o post lá do Musicólatras!

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