Pular para o conteúdo principal

Lint

Ninguém entra em acordo se essa criatura tá fazendo 43 ou 44 anos, mas hoje é aniversário do Tim Armstrong e nada vai mudar isso \o/  HUAHAUHUAHUAHU


Falarei brevemente sobre o Tim, embora ele com certeza mereça um post detalhado; a história dele é daquelas que dão um roteiro legal. E o Tim é a prova viva de que a música pode SIM salvar vidas.

(e também porque daqui a uns dias postarei duas biografias complexas que venho montando já há umas semanas; foram bem trabalhosas de fazer e merecem atenção)



• Nascido Timothy Lockwood Armstrong, Tim é mais conhecido por ser vocalista, guitarrista e principal compositor da banda Rancid. Já teve um monte de bandas, algumas obscuras (apesar de conhecidas pelos fãs) que não duraram muito tempo; e outras de mais expressão, como a influente Operation Ivy (anterior ao Rancid) e Transplants (paralela por um tempo), além da breve carreira solo ao lado da banda reggae Aggrolites.

• Além das próprias bandas, Tim está sempre envolvido nos projetos dos seus colegas de Rancid e de muitos outros músicos e bandas. É também dono da Hellcat Records, gravadora independente responsável por muitas bandas atuais dos gêneros punk, ska, oi!, psychobilly e hardcore.



A parte bonitinha (sim, eu chamo a história dele/Rancid de "bonitinha") começa agora:

• Ele e Matt Freeman (baixista do Rancid) são amigos desde os 5 anos de idade. Juntos eles cresceram,  estudaram, jogaram baseball, descobriram o Punk Rock e tiveram sua primeira banda (e a segunda, e a terceira...). A primeira bem sucedida foi o Operation Ivy, uma banda com fortes influências de ska, que logo fez muito sucesso localmente e foi (e vem até hoje) ganhando fama internacional. Mas o OpIvy não durou muito tempo (87-89), alguns deles ficaram assustados com essa "fama repentina" e decidiram terminar a banda antes que se deixassem levar por isso.

• Infelizmente, esse fim também quase foi o de Tim, que de repente se viu sem ter onde morar, sem ninguém que o apoiasse; desenvolveu um problema sério com alcoolismo e, a partir daí, com drogas cada vez mais fortes. Sua família não quis mais saber dele; nunca tinha dinheiro pra pagar o aluguel e morava na rua. Quando não dava pra ficar na rua, ia passar a noite em abrigos do Exército da Salvação, ou se internava em clínicas de reabilitação. Foi internado por overdose 3 vezes. Ele tentou, sozinho, começar outras bandas, mas nenhuma delas ia pra frente.

• Seu amigo Matt, quando soube da situação de Tim, voltou imediatamente para tentar ajudá-lo. Foi aí que ele propôs que eles tentassem ter uma banda novamente - pra manter a cabeça do Tim ocupada com algo que ele realmente gostava, que era a música, e assim fazê-lo se livrar daquilo tudo. Acho que Matt nunca imaginou que o Rancid duraria 18 anos (e contando)...

"A grande família feliz", Lars / Tim / Matt

• Hoje nenhum deles, Tim, Matt ou mesmo Lars, que chegou depois, nega que o Rancid é uma família; que só estão onde estão porque eles colocam um ao outro acima de tudo. Matt salvou a vida de Tim e o Rancid salvou a vida de todos eles (sim, são todos bons rapazes que não bebem e não usam coisas feias :)). Tanto que suas músicas quase todas falam sobre o passado tenso de cada um, e como a amizade deles supera qualquer coisa. Meus amigos, isso é uma verdadeira novela.

(Tim foi casado - de '98 a '03 - com a vocalista da banda Distillers, Brody Dalle. O casamento acabou por parte dela. Antes mesmo do divórcio sair, ela já saía aos amassos com Josh Homme [do QOTSA] pra todo mundo ver. Foi vendo as fotos que estamparam a Rolling Stone que Tim ficou sabendo que seu casamento já era :B)



Apesar de todas as músicas dele (Rancid ou solo) terem sempre um algo de autobiográficas, creio que essa seja a mais direta de todas:

(...)
Deixe-me contar uma coisa sobre East Bay:
É Califórnia, mas não faz sol
Todos os meus sonhos foram destruídos
Estive fora de casa, na rua, sem dinheiro
Não tinha banda, nem ninguém por perto
E a música se foi, cara
Não tinha onde dormir
No chão, só pensando o que foi que tinha dado errado
Você sabe como é caminhar entre os mortos?

(...)

Então um dia Matt diz:
"Vamos juntar uma banda, vamos fazer isso mais uma vez"
Eu concordei, vamos tentar mais uma vez
Nós tínhamos a garagem
Tínhamos a bateria
Tínhamos as guitarras
E tínhamos as músicas
Por toda a noite!



Among The Dead
Tim Armstrong
A Poet's Life (2007)

Postagens mais visitadas deste blog

Adeus, 2017. Adeus, HCtZ.

Eu não sei se tenho como definir o que foi 2017 pra mim. A primeira impressão é de que foi tudo horrível, mas aconteceu tanta coisa legal, também, que tenho que ficar me lembrando de não ignorá-las. Fiquei bastante doente (o fato de ninguém validar a doença não a anula - até a piora, na verdade) e me deixei abater por muito tempo, até cansar e querer me cuidar. A retrospectiva do ano passado fala sobre o que desencadeou a coisa toda. Não bastasse isso por si só já ter sido bastante difícil de lidar, afastei vários amigos próximos durante o processo. Reconheço que é chato aguentar gente deprimida; toda a reclamação, negatividade, isolamento... A gente acaba levando isso pra um lado pessoal. Entretanto, ver amigos queridos se afastando de mim foi muito doloroso e intensificou o problema. Eu já estava lidando com uma rejeição imbecil que destruiu a minha autoestima, e aí alguns acharam que era melhor desistir de mim. Uau. Eu sei que ninguém que parou de me seguir ou falar comigo va...

Manu explica sobre assexualidade, de novo, devagarinho pra todo mundo entender (COM SARCASMO!) (METÁFORAS!) (E CIÊNCIA!)

Eu entendo que seja confuso. Acreditem, é mais confuso ainda pra quem é e precisa entender como e por que é assim. No processo de autoeducação, a gente tenta educar também os outros porque ouve muita, muita besteira e essas besteiras acabam ofendendo e atrapalhando um processo complicado de autoaceitação. Então, pra evitar que as pessoas das demais orientações continuem mal-interpretando os milhões de assexuais do mundo, venho aqui novamente explicar qual é a nossa. 👉 RECAPITULANDO: Assexualidade é a orientação sexual em que o indivíduo não sente atração sexual por outros , de qualquer gênero.  É ausência de atração , não de libido.  Não é o mesmo que celibato , que é uma escolha de abstinência de atividade sexual. A demissexualidade (quando a atração sexual ocorre somente quando há forte vínculo emocional), muito comentada atualmente, é um espectro da assexualidade. Nem todo assexual tem repulsa e se priva de atividade sexual, embora muitos sim. As...

Desafio de Leitura 2017: Último relatório

Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕 ▼▼▼▼▼ Ficção: Os Portões John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p. Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas , fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos , coletânea de contos de terror, e Os Portões , uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico c...