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Os ritos dos mortos de Tana Toraja

Prometi uma continuação do post anterior, então cá estou com a tal história perturbadora. O que contarei a seguir é fato que ocorria com frequência em outra parte do mundo: nem na África, nem no Haiti, mas em uma região nativa da Indonésia, onde os zumbis também existiam. Deixei pra explicar em um post separado porque, além de não deixar o outro tão longo, não misturaria as culturas. E, além disso, o realmente perturbador: imagens.

Lembro de ter mostrado a foto para a minha mãe, assim que a encontrei. Ela ainda está impressionada. Então, antes de continuarem, aviso que a história em si é impressionante, mas a imagem é forte. Aconselho a pensar bem antes de continuar, não quero ninguém tendo chilique comigo, depois!

queria saber de onde tiraram isso, antes de me mandarem.


Decidiram aí? Então vamos conhecer os curiosos ritos de morte do povo de Tana Toraja.


Os Toraja são um povo indígena de uma certa região da Indonésia. Hoje em dia contam cerca de 650 mil, a maioria ainda vivendo em Tana Toraja, "a terra dos Toraja". Este povo permaneceu isolado e intocado por influências externas até o ínicio do século XX, com a chegada dos primeiros missionários cristãos à região. Grande parte dos Toraja foi cristianizada, embora haja também alguns muçulmanos entre eles, e ainda alguns animistas (que são aqueles que acreditam que animais e objetos inanimados possuem uma alma) que se denominam aluk ("o caminho").

No que diz respeito à tradição aluk, os funerais de seus mortos são bastante peculiares e atraem centenas de pessoas, inclusive turistas. A cerimônia acontece em um lugar aberto bastante grande, para que acomode todos que vão assistir, que é chamado de rante. Porém, somente os falecidos de família nobre ou de alto poder aquisitivo têm direito à cerimônia — pobres, gente sem status e crianças pequenas não recebem tal cerimônia. Pode durar vários dias, meses ou mesmo anos; o que precisar até que a família do morto consiga arrecadar o necessário para pagar os custos da cerimônia, que inclui cânticos, músicas, poemas, muita choradeira... e uma matança de animais.

Os aluk acreditam que a morte não é uma coisa instantânea, mas que a alma leva algum tempo até conseguir alcançar a Puya (a vida pós-morte). O corpo, então, é enrolado em vários panos e guardado em uma espécie de tumba, enquanto a sua alma, acredita-se, fica vagando pelo vilarejo até que a cerimônia termine, para aí então poder começar sua jornada até Puya. É aí que entra a principal parte dos rituais de morte dos Toraja: o sacrifício do búfalo. Este povo acredita que a maneira mais fácil e rápida da alma alcançar Puya é se estiver acompanhada de búfalos; então, quanto mais importante a pessoa que morreu, mais búfalos são sacrificados. Em alguns destes rituais são sacrificados dezenas de búfalos e até centenas de porcos, que são "emprestados" pelos criadores do vilarejo. A família do morto tem que pagar por cada um deles. Os sacrifícios são feitos com um facão e de forma bastante ritual, no qual a cabeça dos animais é decepada. Uma rápida pesquisa pela internet mostrará fotos do ritual, que não colocarei aqui (tá pra vir o dia que vou colocar foto de gente matando bicho no meu blog. u.u).

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Mas nem queria falar disso. A parte bizarra da coisa toda vem agora. Só achei legal contar aquilo ali antes porque não deixa de ser... interessante. Antes de prosseguir, só preciso esclarecer um ponto: não eram todos os Toraja que tinham este costume que vou contar agora, mas apenas uma parte deles, que vivia a oeste, denominados Toraja Mamasa.

Muito tempo antes, quando os Toraja ainda viviam em terras isoladas e de difícil acesso, os funerais eram um problema. O terreno acidentado do local dificultava o processo de, bem, carregar o morto até o local do seu enterro, que era em cima das montanhas. Então, a solução mais fácil para eles foi dar um jeito com que o morto fosse andando até lá.

Sério.

Segundo a sua crença, o espírito do morto deveria retornar à sua vila de origem, porque é essencial que ele se encontre com o resto da sua família antes de iniciar a sua jornada pela vida-pós-morte. Por isso, em tempos remotos, o povo de lá tinha medo de viajar para longe: caso morressem longe de casa, não teriam como voltar — alguém teria que ir lá buscar o corpo, e fazer com que ele voltasse à vila, andando.

Para tal, haviam os Toraja com "poderes mágicos" na vila — dizem que magia negra, tal qual o vodu no Haiti. Feito o procedimento, o morto andaria de forma rija e sem qualquer expressão no rosto. Portanto, quem estivesse acompanhando o corpo tinha que ir avisando as pessoas no caminho para que não falassem ou se dirigissem ou mesmo apontassem para o morto: se isso fosse feito, o cadáver cairia ao chão, sem sentidos, e não mais poderia ser reanimado e assim continuar a jornada.

Hoje em dia, a prática de fazer os mortos andarem já não é tão frequente, já que existem outros meios atuais de transportar os corpos de volta à vila. Mas demonstrações deste poder de conferir movimentos aos cadáveres ainda são feitas nas cerimônias atuais, com os búfalos sacrificados. Logo após a decepação da cabeça, conseguem fazer o corpo do animal andar por mais ou menos 10 minutos.

A foto a seguir é a única que se tem de um raro caso da prática nos dias atuais. Tem sido motivo de discussão por toda a internet; a maioria das pessoas se recusa a acreditar que este tipo de coisa realmente exista, então inventaram um monte de teorias a respeito da foto. Os lugares onde encontrei informações dizem exatamente a mesma coisa, todos copiaram o texto do mesmo lugar. Enfim, segue a imagem, tirem suas próprias conclusões:

 



[ fonte ]

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