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Então você não gosta de ficção científica...

Jamais me esquecerei do dia em que estava conversando com uma aluna sobre o filme Gravidade. Ela disse que não o havia assistido, então expliquei sobre o que se tratava: astronautas que ficam à deriva no espaço. Ela então torce o nariz e diz: "Ah não, então nem vou assistir. Não gosto de filme sobre coisa que não existe". 



Tento até hoje me convencer de que ela não acha realmente que astronautas não existem, mas entendi a crítica. Apesar de ser um gênero em constante crescimento - especialmente nos últimos anos, agora que a tecnologia permite abusar dos efeitos especiais -, tanto os filmes como a literatura de ficção científica ainda são recebidos com certo desdém por grande parte do público. Muitos acham difícil acompanhar os diálogos cheios de termos técnicos da Física abundantes nos episódios de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração. Até mesmo em Doctor Who, em que as explicações dos fenômenos são completamente e propositadamente inventadas (não exigindo do público que pense demais). Dentre a literatura, a ficção científica sempre foi desmerecida, considerada um ato de "prostituição" pelos escritores e leitores eruditos.

Mas a verdade é que a ficção científica não é "sobre coisa que não existe". É sobre que coisas que não existem... AINDA. No último século, dezenas das invenções que hoje fazem parte do nosso dia-a-dia foram creditadas a filmes e livros do gênero. Quero lhes mostrar algumas delas:

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Submarino Nuclear




Como eu comentei em um post recente, Júlio Verne deu a solução aos engenheiros navais quanto a uma forma de energia eficiente para submarinos - que já estavam sendo desenvolvidos, mas ainda tinham este problema de funcionamento. Ao sugerir uma bateria elétrica em seu famoso Nautilus, de 20.000 Léguas Submarinas, Verne possibilitou a construção e sucesso do primeiro submarino do tipo, em 1958. Isso em 1870, uma época em que a simples eletricidade ainda era novidade.

Cápsula Espacial / Foguete



Um creditado também a Júlio Verne, o outro a H.G. Wells. Em Da Terra À Lua, de 1865, Verne não só criou um dispositivo tripulado capaz de chegar à Lua, como descreveu com incrível acurácia os efeitos da gravidade zero no corpo humano. As primeiras experiências em desenvolver algo do tipo ocorreram na década de 1950, e a primeira tripulada foi a que levou Yuri Gargarin, em 1961. Quanto ao foguete moderno, o inventor Robert Goddard patenteou os aperfeiçoamentos que fez nos modelos antigos na década de 1920 - ele foi ridicularizado na época, mas hoje é considerado um dos fundadores da ciência dos foguetes. Ele creditou suas ideias a H.G. Wells, pelo que escreveu em A Guerra dos Mundos, de 1897.

Projeção Holográfica



Mais uma que devemos a Verne. De sua obra de 1863, O Castelo dos Cárpatos, Verne esquematizou todo o processo de projeção holográfica, até a transmissão de áudio. A primeira experiência bem-sucedida com hologramas só ocorreu na década de 1940, sendo aperfeiçoada nos anos 1960 com o desenvolvimento da tecnologia a laser.

Telefone Celular


Martin Cooper, diretor de pesquisas da Motorola e inventor do celular, credita a invenção dos anos 1970 a Jornada nas Estrelas, de 1966, onde o Capitão Kirk e seus oficiais em missão usavam comunicadores portáteis para se comunicar uns com os outros. E o conceito não é apenas este: os comunicadores eram em modelo flip e com bluetooth.


Tablet


Já foram eram vistos na série original, mas foram aperfeiçoados e mais utilizados n'A Nova Geração de Jornada nas Estrelas, de 1987. Quando Steve Jobs anunciou o lançamento do iPad, em 2010, ele exibiu cenas de Star Trek para mostrar o que o aparelho era capaz de fazer.

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Outras tantas invenções, como o helicóptero moderno (novamente Julio Verne), o Google Glasses (novamente Jornada nas Estrelas), leitores de e-books (Douglas Adams, em O Guia do Mochileiro das Galáxias), e a própria Internet (vários), também são creditadas a concepções apresentadas em vários clássicos da ficção científica. O fato é que este tipo de entretenimento desperta a imaginação dos nossos verdadeiros cientistas e inventores, e os impulsiona a criar todas essas coisas para que todos possam usar. Atualmente, existem tantos outros projetos saindo das telas e das páginas e se tornando realidade. Nem todos são para o entretenimento: grande parte deles são ferramentas para a saúde e ciência (como o tricorder, também de Jornada nas Estrelas, que diagnostica doenças, aspectos ambientais dos lugares, e basicamente tudo).

Nossas mentes práticas precisam das mentes criativas. Não desmereçam a imaginação fértil de nossos escritores e roteiristas: a humanidade tem dependido muito dela.

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