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4 grupos de pessoas que a sociedade diz que pode zoar



Li este artigo há uns anos no Cracked e o compartilhei, na época. Hoje, a página deles postou o link para o artigo novamente e achei oportuno adaptá-lo por aqui para discutir sobre alguma coisas.

É decepcionante que em pleno 2017 de conscientização, empoderamento, manifestações, passeatas e textões sobre preconceito e tolerância, ainda haja casos em que se considera normal que se faça piada e desrespeite certos grupos de pessoas. Aos poucos, todos estão conseguindo seu lugar de respeito e muito tem mudado e sido conquistado, mas a humanidade ainda precisa melhorar no tratamento dado aos seguintes casos:


Celebridades com doenças mentais

É comum que se confunda o gosto que temos pelo entretenimento oferecido pela celebridade em questão com a necessidade que temos de lembrar que artistas também são pessoas como a gente, com famílias, problemas e questões de saúde. Era fácil rir de quadros "humorísticos" que debochavam da Amy Winehouse antes dela morrer com o que foi, basicamente, um suicídio - morte que levou artistas como Robin Williams e Chris Cornell, e tantos outros que nunca foram alvo de piadas por seus problemas. Grande parte dessa nossa atitude com tais celebridades é responsabilidade de como a mídia trata cada caso. Alguns artistas estão "loucos - veja os tweets mais bizarros!" enquanto outros estão "preocupando parentes e amigos, saiba como ajudar". Por que consideramos normal desrespeitarmos alguns e glorificarmos outros? Todos precisarão se matar para receber carinho dos fãs? Será que o carinho dos fãs e o respeito da mídia em vida não os ajudariam a melhorar antes que o pior acontecesse?


Trabalhadores de redes de lanchonetes e outras classes consideradas "fracassadas"

Isso não costumava ser motivo de piada aqui até a globalização e a galera huebr achar que tudo que acontece no EUA deveria acontecer aqui também (sim, grande exemplo de sociedade tolerante é os Estados Unidos!). Um evento recente foi a infame festinha escolar com o tema "Se nada der certo", onde os estudantes foram fantasiados de trabalhadores que morriam de medo de se tornarem. Nos EUA, aqui e na maioria dos lugares do mundo, um diploma universitário não significa mais muita coisa. Você pode ter se formado em uma Federal, feito intercâmbio e PhD na Europa, e nada disso sozinho vai garantir que você vá ganhar o salário dos sonhos. Trabalhar servindo comida pra outras pessoas, limpando a sujeira delas ou atendendo telefones não é menos digno do que qualquer outro tipo de trabalho. É só um trabalho. As pessoas são treinadas e pagas pra isso (ganham mais do que eu, prestando serviço em casa com o meu diploma de pós-graduação), e todo mundo precisa de dinheiro pra resolver seus próprios problemas.


Virgens

A ponto de ser considerado um termo ofensivo em qualquer briga, ser virgem na sociedade moderna é praticamente uma maldição. Já discuti muito sobre isso quando posto sobre assexualidade (que nem sempre tem a ver com virgindade - orientação sexual é inerente, comportamento sexual é escolha), mas ouvir isso ser tratado como algo ruim me irrita e entristece profundamente. Pessoas que escolhem ou não podem ter relações sexuais são tratadas como um fracasso humano, como se o nível mais importante do vídeo game da Vida fosse fazer sexo. Nossa sociedade está tão centralizada em sucesso sexual (o que quer que isso signifique) que nem cogita pensar que algumas pessoas não ligam pra isso ou não têm isso como prioridade - afinal, primeiro de tudo, apenas respirem fundo e tentem essa nova percepção: o que cada um faz ou deixa de fazer com as suas genitais não é problema de ninguém (claro, desde que não seja nada criminoso, por favor. Não sejam nojentos). Se a pessoa não quer ter relações com ninguém, ou se ela fez promessa, se ela tem medo, nojo ou trauma, É PROBLEMA DELA. Virgens não precisam de "ajuda", não são "retardados" ou "fracassados" de nenhuma forma. Na verdade, ninguém nem saberia quem é virgem e quem não é se não houvesse uma necessidade humana tão grande de se falar tanto sobre o assunto. Por experiência própria, virgens vão acabar mentindo quando forem questionados sobre isso e depois vão se sentir tão bosta que todo tipo de pensamento idiota vai infernizar a cabeça deles. Ninguém precisa disso.


Adultos que moram com os pais

Hoje em dia é mais comum sair mais tarde (ou nunca sair) de casa do que era até há alguns anos; mas o Brasil, mesmo, não tem em sua cultura a necessidade de sair da casa dos pais como acontece em outros países. Ainda assim, é raro que um adulto que ainda more com os pais por aqui que seja respeitado - se não for ridicularizado, tem sua decisão questionada sempre que a oportunidade surge. A verdade é que as pessoas que moram com os pais podem fazê-lo por diversos motivos que nem sempre podem ser justificados para qualquer um, especialmente porque, na maioria dos casos, os outros sempre virão com alguma opinião que julgam ser melhor do que a decisão tomada por elas. Os motivos podem envolver vantagem financeira, impossibilidade de mudança, dependência de alguma das partes, conveniência, ou pura e simples vontade de ficar. Não há nada que obrigue as pessoas a irem embora e elas não deveriam ir, se não querem e se a sua estadia está de comum acordo. É o tipo de decisão que só diz respeito a quem divide o teto, realmente. 

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O padrão aqui, como acredito ser o padrão para qualquer tipo de preconceito, é tentar controlar a vida das outras pessoas. Não há nada a respeito dos outros (seu trabalho, sua casa, sua vida sexual, seus hábitos alimentares, sua religião) que caiba a nós mudar. Devemos ajudar quando nos é pedido e permitido, mas, no mais, a vida dos outros não nos diz respeito. Piadas ou qualquer comentário depreciativo sobre o estilo de vida de alguém pode parecer inofensivo, mas são as pequenas coisas que se acumulam e se transformam em traumas difíceis de lidar. Debochar do sofrimento alheio é cruel, assim como o é debochar das escolhas e vidas de cada um. Não é que o humor esteja morto - é só que não precisamos que ninguém morra pra gente dar umas risadas.

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