Pular para o conteúdo principal

Indo à igreja com a Sinéad


foto por Donal Moloney ©




I don't wanna love the way I loved beforeNão quero amar como amei antes
I don't wanna love that way no moreNão quero mais amar daquele jeito
What have I been writing love songs for?Pra que estive escrevendo canções de amor?
I don't want to write them anymoreNão quero mais escrevê-las
I don't wanna sing from where I sang beforeNão quero cantar de onde cantei antes
I don't wanna sing that way no moreNão quero mais cantar daquele jeito
What've I've been singing love songs for?Pra que estive cantando canções de amor?
I don't wanna sing them anymore,Não quero mais cantá-las
I don't wanna be that girl no moreNão quero mais ser aquela garota
I don't wanna cry no moreNão quero mais chorar
I don't wanna die no moreNão quero mais morrer
So cut me down from this here treeEntão me tire desta árvore
Cut the rope from off of meCorte essa corda de mim
Sit me on the floor,Me sente no chão
I'm the only one I should adoreEu sou a única que eu deveria adorar
Oh, take me to church,Oh, me leve à igreja
I've done so many bad things it hurtsFiz tantas coisas ruins, que dói
Yeah, take me to churchSim, me leve à igreja
But not the ones that hurtMas não àquelas que machucam
Cause that ain't the truthPorque essa não é a verdade
And that's not what it's worthE não é o que vale a pena
I'm gonna sing songs of loving and forgivingVou cantar canções sobre amar e perdoar
Songs of eating and of drinking,Canções sobre comer e beber
Songs of living, songs of calling in the nightCanções de viver, de telefonar à noite
Cause songs are like a bolt of lightPorque canções são como um raio de luz
And love's the only love you should inviteE o amor é o único amor que se deve convidar
Songs of long and spiteful failsCanções de fracassos longos e maldosos
Songs that don't let you sit stillCanções que não vão te deixar parado
Songs that mend your broken bonesCanções que consertam ossos partidos
And that don't leave you aloneE que não te deixam sozinho
So get me down from this here tree,Então me tire desta árvore
Take the rope from off of meCorte essa corda de mim
Sit me on the floor,Me sente no chão
I'm the only one I should adore!Eu sou a única que eu deveria adorar!
Oh, take me to church,Oh, me leve à igreja
I've done so many bad things it hurtsFiz tantas coisas ruins, que dói
Yeah take me to church,Sim, me leve à igreja
But not the ones that hurtMas não àquelas que machucam
Cause that ain't the truthPorque essa não é a verdade
And that's not what it's worthE não é o que vale a pena
Yeah, take me to churchÉ, me leve à igreja.


Até quem acha que não conhece a Sinéad O'Connor, a conhece. Sinéad gravou a versão mais famosa de Nothing Compares 2 U, que estourou no mundo todo e a tornou superfamosa nos anos 1990. [já postei aqui, inclusive]

Sinéad é ainda famosa, infelizmente, pela apresentação polêmica no programa de TV Saturday Night Live que acabou com a sua carreira por um bom tempo. Cantando War, de Bob Marley, Sinéad quis trocar a denúncia de racismo da letra original por uma denúncia ao abuso sexual de menores cometido por membros da Igreja Católica e, para tanto, durante a apresentação, ao vivo, rasgou uma fotografia do Papa. Como a ideia não tinha sido discutida com a produção do programa, o ato radical pegou a todos de surpresa (não houve aplausos, nem vaias) e a reação posterior do público trouxe todo tipo de problema ao programa e, principalmente, a ela. [Os responsáveis pelo programa conseguiram consertar o estrago logo na semana seguinte. Ela, não.]

Antes de um período longo de rejeição do público e eventual ostracismo, Sinéad tentou levar a público a discussão sobre abuso de mulheres e crianças, causas (entre muitas outras) de que se tornou figura ativa e vem discutindo até hoje, embora sempre cercada de polêmica. Ela, mesma, veio de um lar bastante desestruturado e sofria agressões e abusos de sua própria mãe, que faleceu num acidente de carro poucos anos antes da cantora fazer sucesso.

A cantora irlandesa, agora com 51 anos, ainda usa o visual icônico de cabeça raspada, pois sempre quis destruir a imagem tradicional de como uma mulher deveria se parecer. Sua sexualidade sempre foi discutida, embora não seja problema de ninguém. Sinéad também sofre de transtorno bipolar, o que também vem sendo causa de polêmica nos últimos anos, com seus rompantes nas redes sociais de ameaças de suicídio (coisa que ela realmente tentou, anos atrás).

Embora pareça controverso, Sinéad O'Connor é católica e admite que é a sua fé que a mantém firme através das dificuldades. Tanto que, a despeito de não ser reconhecida pela Igreja Católica (que não admite mulheres padres), ela conseguiu uma ordenação sacerdotal da Igreja Ortodoxa. Segundo ela, "Deus salva a todos [...] e não julga ninguém", mas "Cristo vem sendo assassinado por mentirosos no Vaticano" e discursa contra a Igreja e religião sempre que pode.

Pois bem.

Em 2014, Sinéad lançou I'm Not Bossy, I'm The Boss [recomendado aqui no blog], em que aparece completamente diferente na capa e isso, também, trouxe uma leva de controvérsias que não a atingem. Minha música favorita do álbum é esta, Take Me To Church, cuja letra e tradução minha coloquei acima. O vídeo oficial é o que segue:




Agora, apresentados à vida e história da cantora, vocês podem entender melhor a carga de significado que essa música leva (vocês certamente notaram a referência ao seu vídeo mais famoso, logo no começo deste, bem como às suas músicas mais famosas, na letra). Por gostar tanto da Sinéad e por entender isso, essa música sempre me emociona porque, além de ser uma demonstração de desprendimento do passado, superação de dificuldades e aceitação de si própria ("I'm the only one I should adore!" - sai, peruca!), me inspira a querer ser como ela. Confiante, independente, fiel a si mesma e ao que acredita, relevante e absolutamente maravilhosa. Quero que mais mulheres também queiram ser como a Sinéad.

Postagens mais visitadas deste blog

Adeus, 2017. Adeus, HCtZ.

Eu não sei se tenho como definir o que foi 2017 pra mim. A primeira impressão é de que foi tudo horrível, mas aconteceu tanta coisa legal, também, que tenho que ficar me lembrando de não ignorá-las. Fiquei bastante doente (o fato de ninguém validar a doença não a anula - até a piora, na verdade) e me deixei abater por muito tempo, até cansar e querer me cuidar. A retrospectiva do ano passado fala sobre o que desencadeou a coisa toda. Não bastasse isso por si só já ter sido bastante difícil de lidar, afastei vários amigos próximos durante o processo. Reconheço que é chato aguentar gente deprimida; toda a reclamação, negatividade, isolamento... A gente acaba levando isso pra um lado pessoal. Entretanto, ver amigos queridos se afastando de mim foi muito doloroso e intensificou o problema. Eu já estava lidando com uma rejeição imbecil que destruiu a minha autoestima, e aí alguns acharam que era melhor desistir de mim. Uau. Eu sei que ninguém que parou de me seguir ou falar comigo va...

Manu explica sobre assexualidade, de novo, devagarinho pra todo mundo entender (COM SARCASMO!) (METÁFORAS!) (E CIÊNCIA!)

Eu entendo que seja confuso. Acreditem, é mais confuso ainda pra quem é e precisa entender como e por que é assim. No processo de autoeducação, a gente tenta educar também os outros porque ouve muita, muita besteira e essas besteiras acabam ofendendo e atrapalhando um processo complicado de autoaceitação. Então, pra evitar que as pessoas das demais orientações continuem mal-interpretando os milhões de assexuais do mundo, venho aqui novamente explicar qual é a nossa. 👉 RECAPITULANDO: Assexualidade é a orientação sexual em que o indivíduo não sente atração sexual por outros , de qualquer gênero.  É ausência de atração , não de libido.  Não é o mesmo que celibato , que é uma escolha de abstinência de atividade sexual. A demissexualidade (quando a atração sexual ocorre somente quando há forte vínculo emocional), muito comentada atualmente, é um espectro da assexualidade. Nem todo assexual tem repulsa e se priva de atividade sexual, embora muitos sim. As...

Desafio de Leitura 2017: Último relatório

Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕 ▼▼▼▼▼ Ficção: Os Portões John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p. Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas , fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos , coletânea de contos de terror, e Os Portões , uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico c...