Pular para o conteúdo principal

7 coisas que entendemos errado sobre o que pode nos matar



Filmes de ação e drama nos ensinam muito sobre sobrevivência em situações de risco. Infelizmente, roteiristas têm certas liberdades criativas, então nem tudo o que vemos nas telas dá pra ser aplicado na vida real ou sequer tem chance de acontecer. Por isso, aqui vai uma lista do que aprendemos errado e por que não funciona:


Ser engolido por areia movediça

A areia movediça é uma mistura de areia, argila e água, que ganha essa viscosidade por ficar "presa" em um lugar por onde não pode escorrer. A areia movediça não é perigosa por si só pois, apesar de podermos ficar presos nela, é impossível afundarmos até o sufocamento. Como nosso corpo não é denso o suficiente para afundarmos completamente, o máximo que pode acontecer é ficarmos presos até a cintura. O perigo está no que pode acontecer enquanto isso: desidratação, exposição a condições extremas de temperatura, ou o ataque de predadores.

O que fazer: A dica de não entrar em pânico é inútil, pois não conseguiríamos nos mover muito, de qualquer forma. Porém, a própria densidade do nosso corpo nos ajudaria a flutuar e nos desprender da areia. Uma maneira de conseguir isso mais rápido é movendo lentamente as pernas (pra dar uma "mexida" na mistura e fazê-la assentar) e girar o corpo no próprio eixo até desprendê-lo.


Remover o objeto que provocou uma perfuração

Nunca! Até a ajuda médica chegar, é importante deixar a faca ou o que quer que tenha provocado o ferimento quietinha no lugar. O objeto pode ter perfurado algum órgão, veia ou artéria, e a presença dele no local estanca o sangue, evitando hemorragia. 


Tomar água de cacto no deserto

Então, não existe água dentro dos cactos. A planta tem um metabolismo excelente para armazenar água, mas é para sua própria sobrevivência. O líquido que ela contém é um composto de alcaloides tóxicos, que provoca vômitos e diarreia - ou seja, piora a sua desidratação. Também não é seguro comer a polpa de algumas espécies - na realidade, a única coisa segura a se conseguir de um cacto é distância seus frutos, que são comestíveis. 

Infelizmente, não há como conseguir água no deserto, então procure estar preparado para o caso de se perder.


Beber a própria urina para evitar desidratação

Beber a própria urina quebra o galho por um ou dois dias, mas não deve ser feito por mais do que isso. 5% dela contém lixo que os nossos rins filtraram do organismo e jogaram fora. Se você só ficar bebendo urina, ela vai conter cada vez mais lixo, e vai ficar perigosa o suficiente pra te dar uma baita pedra e provocar falência renal.


Abrir um guarda-chuva para desacelerar a queda

Funciona nos primeiros segundos. Depois ele vira ao contrário e vocês dois caem juntos. Todos já percebemos como guarda-chuvas mal aguentam uma ventania, que dirá uma queda livre. Aqui eu já expliquei como fazer para se machucar menos na queda.


Sempre se fazer de morto para não ser atacado por ursos

Isso depende muito do motivo pelo qual o urso está atacando. Eles normalmente atacam humanos para se defender, então, nesse caso, se jogar no chão e se fazer de morto é uma boa ideia; ele vai ver que você não oferece perigo e vai embora. Agora, alguns ursos atacam para predar, aí se jogar no chão é meio estúpido porque você vai estar se entregando de bandeja pra ele. Nesse caso, jogue comida para ele. Se ele continuar se aproximando, seja agressivo: grite e faça movimentos bruscos. Na dúvida, deixe os bichos em paz e vá acampar em uma área destinada pra isso. 




Sugar o veneno da picada de uma cobra

O veneno se espalha tão rápido pelo sistema linfático que, até você fazer um torniquete, não dá mais tempo de sugar muita coisa. Pra piorar, cortar o ferimento pra fazer isso acaba aumentando as chances da ferida infeccionar e causar uma gangrena. Além disso, é melhor deixar o veneno longe da boca: se você tiver qualquer ferida, ele vai para sua corrente sanguínea. Kits de emergência para picadas de cobra também não são mais recomendados, pois o instrumento de sucção utilizado também não retira o veneno do sistema e ainda machuca a área, prendendo o veneno no local e tornando seu efeito pior. Pra finalizar a desgraça, um torniquete mal aplicado ainda pode causar danos permanentes às veias e artérias.

O melhor jeito de proceder ao ser picado por uma cobra é não tocar na ferida e tentar não entrar em pânico até receber ajuda médica. O pânico acelera os batimentos cardíacos, que ajudam o veneno a se espalhar mais rápido. Pra quem gosta, pode ingerir álcool ou fumar para ajudar a relaxar. Vale lembrar que apenas 5% dos incidentes ofídicos são fatais e, com o socorro médico apropriado a tempo, a morte em decorrência de picada é bastante rara. É também fato que nem toda picada de cobra peçonhenta recebe o veneno: cobras conseguem controlar quanto veneno querem liberar a cada picada, então se ela ver que a presa é grande demais para ela, vai só picar para dar o aviso e guardar o veneno pra algo que ela possa comer. 

Se você for se enfiar em algum mato com cobras e ver alguma por perto, mantenha-se longe e dê uma boa olhada nela. Nem todas as cobras são peçonhentas - estas costumam ter a cabeça triangular e pupilas elípticas (como as dos gatos). Se não deu tempo de ver a cobra e só a picada, a das peçonhentas deixa duas marcas fundas, enquanto as das inofensivas costuma deixar uma marca rasa e em formato de ferradura.


.


Para evitar qualquer uma das situações acima, recomendo adotar o estilo de vida dos hobbits. Afinal, aventuras nos atrasam para o jantar.



Fonte: Mental Floss e pesquisa.


► Leia também: 

Postagens mais visitadas deste blog

Adeus, 2017. Adeus, HCtZ.

Eu não sei se tenho como definir o que foi 2017 pra mim. A primeira impressão é de que foi tudo horrível, mas aconteceu tanta coisa legal, também, que tenho que ficar me lembrando de não ignorá-las. Fiquei bastante doente (o fato de ninguém validar a doença não a anula - até a piora, na verdade) e me deixei abater por muito tempo, até cansar e querer me cuidar. A retrospectiva do ano passado fala sobre o que desencadeou a coisa toda. Não bastasse isso por si só já ter sido bastante difícil de lidar, afastei vários amigos próximos durante o processo. Reconheço que é chato aguentar gente deprimida; toda a reclamação, negatividade, isolamento... A gente acaba levando isso pra um lado pessoal. Entretanto, ver amigos queridos se afastando de mim foi muito doloroso e intensificou o problema. Eu já estava lidando com uma rejeição imbecil que destruiu a minha autoestima, e aí alguns acharam que era melhor desistir de mim. Uau. Eu sei que ninguém que parou de me seguir ou falar comigo va...

Manu explica sobre assexualidade, de novo, devagarinho pra todo mundo entender (COM SARCASMO!) (METÁFORAS!) (E CIÊNCIA!)

Eu entendo que seja confuso. Acreditem, é mais confuso ainda pra quem é e precisa entender como e por que é assim. No processo de autoeducação, a gente tenta educar também os outros porque ouve muita, muita besteira e essas besteiras acabam ofendendo e atrapalhando um processo complicado de autoaceitação. Então, pra evitar que as pessoas das demais orientações continuem mal-interpretando os milhões de assexuais do mundo, venho aqui novamente explicar qual é a nossa. 👉 RECAPITULANDO: Assexualidade é a orientação sexual em que o indivíduo não sente atração sexual por outros , de qualquer gênero.  É ausência de atração , não de libido.  Não é o mesmo que celibato , que é uma escolha de abstinência de atividade sexual. A demissexualidade (quando a atração sexual ocorre somente quando há forte vínculo emocional), muito comentada atualmente, é um espectro da assexualidade. Nem todo assexual tem repulsa e se priva de atividade sexual, embora muitos sim. As...

Desafio de Leitura 2017: Último relatório

Foi um ano em que, infelizmente, li poucas HQs. Não ter mais uma boa banca de revistas na cidade me tirou esse prazer. Obrigada, Rio Verde. 🖕 ▼▼▼▼▼ Ficção: Os Portões John Connolly - Bertrand Brasil - 2013 (2009) - 304p. Outro livro divertido de um autor que descobri recentemente e que já é um favorito pessoal. John Connolly era um prolífico escritor policial na Irlanda, até que surpreendeu a todos quando lançou O Livro das Coisas Perdidas , fantasia voltada ao público jovem. Depois disso, não voltou mais para o estilo que o consagrou: escreveu Noturnos , coletânea de contos de terror, e Os Portões , uma divertida história que mistura ciência, o sobrenatural e bastante humor negro. Samuel é um garoto um pouco mal compreendido e considerado esquisito pelos professores, adultos da vizinhança e até pela mãe, recentemente abandonada pelo marido. E, é claro, é justamente ele quem testemunha um evento inacreditável: seus entediados vizinhos abriram, em um culto satânico c...